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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

31/08/2015 06:56

Na fase gostosa do emagrecimento, neurose alimentar pode te tornar uma chata

Liziane Berrocal
Pedro e eu,Pedro e eu,

“Gente, mas você vai tomar refrigerante essa hora?”

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A frase dita para meu sobrinho de cinco anos, e que o fez ficar muito bravo, foi corrigida pela minha sobrinha Carol. “Tia, você está ficando neurótica!”. Comecei a repensar então em tudo que já aconteceu de mudança na minha alimentação e na minha vida desde que fiz a cirurgia há quase oito meses e com isso, também observei o meu comportamento e a maneira como estou lidando com tudo isso.

Indiscutível que TUDO, sim, TUDO na alimentação da gente muda e com isso o humor, a percepção de sabores, a maneira de lidar com a comida também muda muito e eu, que no começo achava que nunca mais ia comer açúcar, chocolate, bolacha, refrigerante, coisas calóricas e afins, percebi que na prática a teoria é outra.

E percebi isso quando olhei uma pessoa almoçando do meu lado e me veio a frase: “Nossa, mas você tem que cuidar da sua saúde”. Bom, vamos lá relembrar que antes da cirurgia, essa era uma das frases que mais me irritava na face da terra quando alguém vinha me dizer que eu estava muito gorda, ou olhava meu prato com reprovação. E fazendo uma mea-culpa, confesso que sim, eu fiquei preocupada, porque eu não quero para os outros o que eu não quero para mim.

E comecei a contar como se deu todo o processo que me levou a ficar com muitos quilos a mais e com obesidade mórbida, me deixando em uma situação complicadíssima, não em relação a minha saúde, mas sim ao meu futuro. E quando a gente enfrenta, a gente não quer que as pessoas sofram o mesmo.

Expliquei a menina, de forma mais carinhosa, que se um dia ela tiver que passar por uma cirurgia, ela pode sofrer muito mais, já que não come legumes e verduras (coisa que eu adoro e hoje não consigo comer quase nada), e que a alimentação é praticamente a base disso no começo.

Sei que ela ficou pensativa e pode rever os conceitos. Quisera eu que alguém tivesse tido esse carinho comigo, lá atrás, antes de eu ultrapassar os três dígitos.

E sobre ter mudado tanto, confesso que no começo eu tinha medo de fazer algo errado e colocar tudo a perder e isso foi me deixando alguém meio “neurótica” sim. Me preocupo com a saúde dos que eu amo, mas acredito que está na hora de me policiar mais nessa cobrança do mundo.

Em especial, porque vejo tanta gente que emagreceu se tornar “gordofóbica” e apontar o dedo para a alimentação alheia, despejando regras, como se fosse a pessoa mais saudável e correta do mundo. Isso, inclusive nos grupos de redução de estomago que participo, e que hoje estou mais distante, porque não quero mais viver policiando a vida de ninguém, e ter a minha policiada pela minha consciência e pela equipe profissional que me auxilia.

E isso, graças ao encaminhamento da minha nutricionista Mariana Corradi Gouvêa e da minha psicóloga Eliane Nichikuma, estou conseguindo me equilibrar em uma balança que não é o peso que conta, e sim o equilíbrio mental.

Já comi chocolate, chupo bala, já me deliciei com ¼ de um sanduíche do MC Donalds e me aventuro em algumas coisas tipo sair pra tomar cerveja, como fiz há um mês e foi muito divertido. A diferença hoje é que tenho meus limites e sofro por não conseguir comer sobá e ainda não comer camarão.

No entanto, preciso deixar claro para mim, e peço isso aos fitness de plantão que pensem nisso também, que não, nem todo mundo quer viver de dieta, e ninguém é obrigado. Amém?




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