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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

20/01/2014 06:40

Na Mato Grosso, morador de rua tem coleção de equipamentos eletrônicos

Ângela Kempfer
Na Mato Grosso, morador de rua tem coleção de equipamentos eletrônicos

A foto vale interpretações poéticas variadas. Um homem com roupas surradas, de cor escondida pela sujeira, cabelos sem corte e idade confusa - graças ao descuido. São detalhes como em tantas descrições sobre quem vive na rua, mas a imagem tem o notebook e faz da cena algo inusitado no cotidiano de Campo Grande, o que serve para algumas reflexões.

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Mesmo que alguns estejam só na carcaça, a quantidade de aparelhos é de chamar a atenção. Sandro, como é conhecido, não fala e há mais de 15 anos dorme ao relento, em um dos canteiros da cidade. O que o faz diferente de tantas pessoas na mesma condição é o contraste com a tecnologia. Ele garante que todos os equipamentos funcionam bem, assegura que não pegou de ninguém e que comprou os aparelhos usados. Nunca esconde o que tem e até faz questão de aparecer nas fotos. 

Apesar de uma aparência tão desgastada pela rua, Sandro é um homem cordial, que aceita responder perguntas com a caneta no caderno. As frases comprovam que ele foi alfabetizado. Todos os acentos surgem no lugar correto, mas as palavras já não têm conexão algum. Pouco se entende sobre o passado ou presente. É a conversa típica de quem perdeu todas as referências lógicas, a sanidade.

Para desvendar quem é aquele homem, que também carrega consigo joguinhos eletrônicos - tão surrados quanto a roupa, temos de recorrer aos amigos.

Munir Saad diz que conhece Sandro há, pelo menos, 15 anos. “Ele gosta muito de jogos. Esses aparelhos são dele, ele compra. Quando tinha uma lan house ali na esquina, ele ia sempre jogar”, conta.

Não é todo dia que Sandro exibe os aparelhos por aí. Ele diz ter um “esconderijo”, onde guarda os pertences, no bairro São Bento. Para conseguir dinheiro, cuida de carros, pede doações e cata latinhas para vender.

É um dos personagens da região da avenida Mato Grosso. “Dia de domingo, tem carro que já reduz a velocidade para entregar coisas para ele, como roupas e comida”, lembra Munir.

Sandro não se interessa em mudar o modelito, apesar das doações. A bota nos pés parece que em seguida vai se desintegrar. Comida também não é o forte. “Ele come todo dia um ovo cozido, que a gente prepara”, diz o amigo, cardápio confirmado por Sandro, que justifica com gestos de que não pretende engordar.

Também não consome bebida alcoólica, “só Fanta e suco de laranja”. O problema durante a vida foi a droga, dizem os companheiros das antigas. Mas há várias versões sobre seus dramas pessoais. “Temos um amigo italiano que conta que o Sandro é órfão, que tinha um irmão que morreu e ficou mudo de tanto usar drogas. Outros falam que ele veio de São Paulo”, diz Munir.

Ele mesmo não confirma ou desmente nada, só concorda que os jogos com armas são os mais divertidos.

Sandro e um tablet com jogos.Sandro e um tablet com jogos.



:O é o morador de rua que fica atras da minha escola!!
 
Lucas Nunes em 21/01/2014 14:07:57
bom, uns 8 anos atras frequentava uma lan house na mato grosso e tava começando a aprender a jogar, lembro q eu pedi ajuda para a pessoa q tava do meu lado para me ensinar, era ele, ele me ajudou e ensinou sem cobrar nada =D, jogava cmg quase todas as vezes, cansamos de jogar FoC, CS, entre outros, uma das melhores pessoas q eu já conheci :D
 
Breno Garcia em 21/01/2014 12:49:52
Conheço ele! Eu morava perto da Santa Casa e sempre o via cuidando carros em frente de um restaurante na Av. Mato Grosso. Realmente, sempre muito tranquilo e educado. Que pena que está nesse estado e não tem visão de evolução. O dinheiro que gasta com esses eletrônicos daria pra ele ter uma vida melhor, uma aparência melhor, um trabalho melhor.
 
Armando lima em 21/01/2014 08:21:27
Era sócio de uma lan house (Speeder) na Antonio Maria Coelho em 2005, ele era um dos mais assíduos frequentadores. Era bem tranquilo e não incomodava os outros clientes, só as vezes que chegava meio sujo e pedíamos pra tomar um banho ele ficava contrariado mas voltava de banho tomado, roupas um pouco mais limpas e um sorriso no rosto. Encarava games mais avançados e jogava bem pra quem aparentemente era, no caso, um "excluído digital". E é complicado ver que ele ainda se encontra na mesma situação que de 9 anos atrás, mas creio que ele já encontrou o que lhe faz feliz e está satisfeito com isso e que o gosto pela tecnologia ainda não se perdeu. VAI CACAVA!
 
Carlos Hugo em 20/01/2014 19:12:47
Será que esse cidadão teria auxilio do INSS de alguma forma? LOAS
 
DENISE VARGAS em 20/01/2014 18:59:08
Conheço esse fera. Gente boa! Fiz uma entrevista com ele um vez juntamente com uma amiga. Depois disso, sempre que o encontro ele me reconhece e faz questão de cumprimentar. Porém não sabia dessa história dele. Muito boa a matéria, parabéns!
 
Italo Vaz em 20/01/2014 16:17:32
No ano de 1986, 87, eu trabalhava em loja de caça e pesca na 14, e um homem entrou e quis ver uns revólveres, escolheu um, quis pagar e levar na hora, tinha o dinheiro em mãos, mas não é assim que se compra uma arma, levava-se uns 10 dias pra liberar toda a documentação. E então o homem ao perceber que não podia levar a arma, explicou o motivo, estava bem nervoso e emotivo, explicou que tinha que vingar o que tinham feito a filha ou irmã, não me lembro bem e dizia que estava internada e em estado catatônico... É claro que a arma não foi vendida. Isso já faz muito tempo, mas me levo a creditar que o homem da reportagem era o mesmo que entrou na loja. Me lembro de alguns anos seguintes após o acontecido de tê-lo visto pelas ruas mendigando, por isso acredito ser ele.
 
REINALDO DE OLIVEIRA em 20/01/2014 11:57:17
lembro dele!! morei muito tempo na avenida mato grosso em frente à onde se encontra o Sandro. Lembro também do gosto dele por jogos eletrônicos, ele frequentava uma lan house próxima, tomava fanta ou suco de laranja e não gostava que pagassem o almoço dele! kkkkk uma figura
 
Vitor Gomes em 20/01/2014 11:23:19
O povo tem coração bom, quer ajudar, quer colaborar com os necessitados.
No caso do Sandro, com certeza já lhe ofereceram corte de cabelo e barba, já lhe ofereceram roupas e calçado novo, já lhe ofereceram um lugar para tomar seus banhos.
Mas na realidade ele acha que tem tudo que precisa, e não tem nenhuma expectativa em mudar de vida.
Mas ainda acho que um dia ele aceitará uma boa ajuda, um bom aconchego, e quem sabe resolva mudar para uma vida melhor.
 
VALDIR VILLA NOVA em 20/01/2014 11:00:57
eu me lembro dele quando eu trabalhava em uma padaria perto da santa casa e ele sempre gostou mesmo de fanta e nunca maltratou ninguem...sempre com muita educação!!!!
 
valquiria duarte em 20/01/2014 10:56:38
Na verdade ele é Surdo.
Tomara que ele continue recebendo ajudas, mas não só de alimentos e roupas...
 
eudalia gonçalves em 20/01/2014 10:25:53
Ele é o "mudinho" muito gente boa, se tornou amigo dos meus irmãos ando um colega nosso tinha um cyber na mato grosso... Um dia encontramos com ele, e um dos meus irmãos conversou muito com ele, ai ele tirou do bolso algumas moedas e entrou na farmácia, e trouxe duas latinhas de refrigerante, ficamos constrangidos... mesmo ele morando na rua, e não sabendo se teria algum dinheiro no dia seguinte, ele dividiu o que ele tinha. As pessoas q estão nas ruas não devem ser ignoradas!
 
Sâmela Lima em 20/01/2014 10:07:38
me lembro dele quando frequentava um fliperama que tinha Rui Barbosa nos jogávamos The King of Fighters ele era bom jogador dava trabalho na maquina todos respeitavam ele porque era um dos melhores!
 
cesar benites em 20/01/2014 09:59:43
Se o governo não roubasse tanto dinheiro do povo,quem sabe esse morador de rua hoje pelo fato de gostar de tecnologia, não se tornaria um técnico em informática... mais eles preferem roubar o povo do que ajudar ...
 
Junior Araújo em 20/01/2014 08:52:34
Por maior que seja o desafio em nossa vida, jamais deveremos deixar de buscar a felicidade! Talvez a simplicidade seja o caminho certo, pois a complexidade esta na dificuldade que impomos em nós mesmos! Carpe dien!
 
Johnny M. Larroque em 20/01/2014 08:14:47
ja pensou se cada brasileiro o ajudar com qualquer migalha que seja,tipo uma roupa ,um,calçado,uma, camisa, um corte de cabelo,ou ate mesmo com um barraquinho,nao eles prefere roubar do povo do que ajudar alguem. imagina quantos bilhoes sao desviados do cofres publicos, vcs tem ideia deste valor, quantos miseraveis poderia estar usufruindo destas verbas.
 
fernando cesar de almeida em 20/01/2014 08:05:50
imagem transparente

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