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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

24/11/2016 06:05

Ninguém sabe explicar neura, mas Tupperware não se empresta e até vira relíquia

Paula Maciulevicius
No armário de Margarida, Tupperware é o que não falta. (Foto: Alcides Neto) No armário de Margarida, Tupperware é o que não falta. (Foto: Alcides Neto)

Um dia alguém vai estudar a neurótica relação entre mãe e Tupperware. Na verdade, nem precisa ser mãe para criar aquele apego às vasilhas. Quem empresta, nunca esquece. Já quem levou, nunca se lembra de trazer de volta. 

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Se houvesse uma campanha "devolve a Tupperware" minha mãe seria uma das primeiras a erguer bandeira. No meio do expediente, já teve ligação "importante" dela para me lembrar de trazer a vasilhinha. Depois de anos me esquecendo, ela desistiu e agora de casa só sai pote de sorvete. 

Mas tem peça que vira até relíquia. No armário de Margarida, a primeira Tupperware tem um valor simbólico, mesmo depois de 39 anos. Hoje líder e consultora da marca, a paixão dela pelos utensílios de cozinha já vem de anos, desde que era recém casada e não tinha dinheiro para comprar. 

A paixão dela pelos utensílios de cozinha já vem de anos. (Foto: Alcides Neto) A paixão dela pelos utensílios de cozinha já vem de anos. (Foto: Alcides Neto)

"Eu sempre gostei dos produtos e quando não podia comprar, às vezes eu era anfitriã, fazia reunião na minha casa para ganhar o brinde. Queria ter, mas era muito longe das minhas possibilidades", lembra Margarida Sandim, de 55 anos.

Cantineira de escola, depois de uma troca de direção no colégio é que ela aceitou a proposta da empresa de entrar no negócio e desde então já se passaram 21 anos. Como líder, Margarida tem mimos, linhas específicas da marca e viagens. Com as vendas, já foi premiada e conhece até a Europa.

Na hora de vender, o que vale é a demonstração do produto. "A gente ajuda a cliente a usar e ela vê que é verdade a durabilidade, tem 10 anos de garantia e a gente também organiza os armários, que é uma coisa que falta, principalmente com a vida corrida de hoje", exemplifica Margarida. 

O ciúme das vasilhas é explicado, por quem vende, pelo custo. Mas a paixão mesmo, nem Margarida consegue explicar. "Para falar a verdade, eu não sei dizer. Eu vendo há 21 anos, meu primeiro produto eu ganhei há 39 e não me desfaço dele por nada, mesmo tendo outros mais novos", conta.

Em casa, Margarida tem estratégias para ninguém querer levar os seus. "Como eu sou consultora, o povo acha que eu apanho da árvore, sabe? Não gente. Em casa, lavo os potes de sorvete para as pessoas levarem. Só minha filha que leva, porque ela traz e sabe o quanto eu prezo por eles". 

A filha, Fernanda, cai na risada quando vai falar das Tupperware da mãe. "Ai de mim senão levar de volta. Ela é muito ciumenta", conta a professora Fernanda Gomes Sandim, de 35 anos. Todos os dias, os filhos almoçam na casa da avó, de onde vem e voltam as vasilhas. "Eu sempre devolvi porque sabia dessa neura. Acho que é porque era muito cara e sabe que quando eu ia lavar, ela ficava: 'pelo amor de Deus, não usa bombril'", recorda.

Vasilhas e acessórios são o destaque na cozinha branca. (Foto: Alcides Neto)Vasilhas e acessórios são o destaque na cozinha branca. (Foto: Alcides Neto)

Só que a "neura" passou de mãe para filha e hoje Fernanda é quem morre, mas não empresta. "Nem pensar, eu junto pote de sorvete. Acho que isso eu peguei da minha mãe", resume. 

Recém casada, Renata Ortiz só passou a dar valor às Tupperware depois que comprou as primeiras de casa. "Eu não entendia até casar e ter as minhas. Eu achava que era frescura, bobeira, mas agora só empresto potes de sorvete", ri. E para aumentar a coleção, a publicitária até entrou num moai.

No armário de Valéria, são pelo menos 130 peças e todas com suas devidas tampas. "Você tem certeza que quer saber quantas eu tenho?", brinca Valéria Lucimar Valéria Estigarrivio, de 51 anos.

Há 13 anos a aposentada compra e neste tempo, aprendeu da pior maneira possível, que Tupperware não se empresta. "Quando fui pedir de volta, veio toda estragada. Já perdi muita peça, eu tenho essa quantidade, mas tinha muito mais e agora, só levam comida de casa em saquinho descartável", se justifica. 

O mais engraçado é o que Valéria nota no comportamento de quem não devolve. "É um produto bom e caro. A pessoa não tem coragem de comprar, mas quando pega emprestado, não te devolve. Se eu gostei, eu dou R$ 150, compro sim, porque sei que tem durabilidade", resume.

E a trama das Tupperware já virou até composição do sertanejo Marco Aurélio: "Devolve os tapoer da minha mãe". No vídeo, a dupla que está junto há dois meses, Victor Gregório e Marco Aurélio, conta a história de um rapaz que depois da separação, precisa reaver as Tupperware da mãe.  

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