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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

31/01/2014 07:00

No Centro, prédio que abrigou famílias tradicionais hoje é condomínio de viúvas

Elverson Cardozo
Edifício São Miguel, na esquina das Ruas 14 de Julho e Antônio Maria Coelho. (Foto: Marcos Ermínio)Edifício São Miguel, na esquina das Ruas 14 de Julho e Antônio Maria Coelho. (Foto: Marcos Ermínio)

A esquina das ruas Antônio Maria Coelho e 14 de Julho, no Centro, guarda um pedaço da história de Campo Grande. O relato vem de cima, do edifico São Miguel, um dos mais antigos da cidade. O local que, no passado, abrigou famílias tradicionais, hoje é, nas palavras dos próprios moradores, o “refúgio das viúvas”. 

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São pelo menos oito espalhadas em três andares, segundo a conta rápida de dona Délia Nunes, de 65 anos. Ela perdeu o marido, há 20 anos, mas continua no prédio, junto com as amigas, que também cultivam essa solidão. “Somos uma família. Ainda nos chamamos de comadre”, contou, ao comentar que vive tranquila, junto com Luqui, um poodle de estimação que está na casa há 14 anos.

Memórias - A idosa tem saudade do passado, confessa, mas só do companheiro, Porfírio Nelson Paulo Correa, fundador da "A Primorosa", loja de instrumentos musicais. Apesar disso, Délia lembra-se bem das décadas anteriores, quando ainda era possível assistir o desfile de Carnaval, na 14 de julho, da sacada do apartamento.

Recorda-se, também, da 1º loja da Riachuelo da cidade, inaugurada no salão embaixo do edifício, e da camisaria que substituiu a empresa até a chegada da empresa de colchões.

Délia na sacada do apartamento. Viúva viu a cidade crescer. (Foto: Marcos Ermínio)Délia na sacada do apartamento. Viúva viu a cidade crescer. (Foto: Marcos Ermínio)
Hoje ela divide a casa com Luqui, o poodle de estimação. (Foto: Marcos Ermínio)Hoje ela divide a casa com Luqui, o poodle de estimação. (Foto: Marcos Ermínio)

Olhando para a outra janela, que dá para a Rua Antônio Maria Coelho, a senhora consegue relembrar da vila de casas que existia onde funciona, hoje, um estacionamento; do Hotel Tupi e de um bar de mesmo nome que, aliás, ainda está em pé. Apesar das mudanças, a visão é fiel porque o edifício onde há 32 anos nunca passou por alterações em sua estrutura.

Até a cor é a mesma. Só que o amarelo pintado nos anos 70 agora parece um bege encardido. Síndico há 7 anos, o advogado Silvio Cantero, de 57 anos, explica que a revitalização ainda não aconteceu porque o tombamento histórico, concedido há pouco tempo, inviabilizou esse processo, mas a ideia é reformar, deixar tudo bonito, como era antes, na época em que o edifício abrigava um hotel, o Presidente, afirmou.

Ele chegou ali aos 15 anos e, como garoto, pode acompanhar a evolução da cidade, do alto de um dos seus primeiros prédios. Viu “nascer” as novas construções, notou a modificação do comércio e até o comportamento das pessoas. “Os vizinhos eram mais próximos”.

Silvio é síndico há 7 anos, mas mora no prédio desde os 15. (Foto: Marcos Ermínio)Silvio é síndico há 7 anos, mas mora no prédio desde os 15. (Foto: Marcos Ermínio)

Do lado de fora, os olhos de adolescente captaram o que hoje está apenas na memória: as lojas dos libaneses, que tomava conta do quarteirão, os carros sendo lavados na calçada, o Cine Rialto e até do ponto de carroça que funcionava em frente ao prédio, na Antônio Maria Coelho.

O edifício São Miguel é um espaço de boas lembranças, tanto é que, depois de adulto, formado, Silvio montou seu escritório no terceiro andar. Vive com a mãe em um apartamento ao lado e não pretende mudar. “Já se ofereceram para comprar, mas não aceitamos. É um privilégio sair, abrir a porta e ver que você está no Centro”, disse.

O advogado Klaus Soler, de 35 anos, outro vizinho de prédio, destaca a mesma coisa: “O ponto é bom porque está perto de tudo”. Ele vive com a esposa e com a mãe, Evney Costa Soler, de 64 anos, mais uma viúva do São Miguel. “Moro aqui há quase 50 anos. Casei aqui nesse prédio”, disse a mulher.

Sacada oferece visão privilegiada da cidade. (Foto: Marcos Ermínio)Sacada oferece visão privilegiada da cidade. (Foto: Marcos Ermínio)



É de se admirar a mediocridade de uns leitores da mídia, tanto escrita quanto a digital;
ao invés de mandarem comentários elogiando a iniciativa desse canal para o incentivo a história e cultura, perdem tempo e ideias para achincalhar o próximo.

Os moradores do EDIFÍCIO SÃO MIGUEL, agradecem a excelente reportagem e repelem os comentários maldosos contra e excelente e honesta pessoa do síndico e deixam bem claro que aqui ninguém pediu ou quer dinheiro público, e mesmo se tivéssemos, somos cidadãos e pagamos devidamente nossos impostos; A restauração é para o prédio e ñ para suas unidades particulares que são os apartamentos; Portanto caro leitor, que escreve sem conhecimento jurídico, o prédio se tornará patrimônio histórico e ñ se confunde com suas unidades individuais e particulares.
 
KLAUS SOLER em 03/02/2014 13:03:08
Para as pessoas desinformadas, uma restauração desse porte não depende de um síndico ativo ou não, ele sem dinheiro não pode fazer nada, para isso, depende da colaboração de todos os moradores, que na maioria são proprietários com exceção de 02 apartamentos, sendo que um é de minha propriedade e alugo para mais uma viúva.

Esperamos pelo fim do processo de tombamento, para podermos partir para a ação concreta de restauração, e para deixar bem claro, aqui só mora gente honesta e de famílias tradicionais, e antigas na sua maioria; Aqui ninguém está pedindo dinheiro público para fins particulares; O que esperamos é ajuda, pois acima de tudo, é um patrimônio histórico cultural e a administração pública indireta ou direta, possuem verbas necessárias, destinadas e específicas para esse fim.
 
KLAUS SOLER em 03/02/2014 12:48:03
observando esta foto so lembrancas nao vivo mais lembro do meu pai mauricio cantero olhando pela janela do predio a selaria cantero foi uma vida lembrancas e saudades fico triste alguns comentarios maldosos por o sindico nao faz nada lembrando vc nao faz nada sem dinheiro e custa muito caro as pessoas que vivem ja falam sao viuvas nao tem condicoes de pagar pois se tivesse dinheiro com certeza meu irmao ia fazer uma linda reforma mas dinheiro nao cae do ceu e quem vive neste predios e tantos predios que fou tombado nao tem dinheiro e vc ve o nosso passado nossa historia so na lembrancas e os predios tombados todos pichados sujos e sem pinturas igual este predio onde vivi miotos anos hoje ja nao moro mais minha flia mora e amigos inclusive o sindico que e meu irmao que gostaria de reforma.
 
jussara cantero em 01/02/2014 16:56:53
Conheço muito e acho lindo o solar em questão que em muitos anos me obrigou no conj. 101 e 102 com Dr. Benedito Celso Rodrigues Dias que era síndico e morto na fazenda por estar no lugar errado e na hora errada. O prédio é lindo mas desde a minha época está necessitando de uma reforma geral não só na fachada, o Município poderia tombá-lo como outros que sei na mesma rua e travessas.
 
sergio marinho marques cavalcanti em 31/01/2014 20:41:32
Linda matéria, lindas fotos. Parabéns.
 
Elânio Rodrigues em 31/01/2014 20:02:09
Adoro arquitetura antiga, acho esse prédio lindo, toda vez que fico parada no sinal fico reparando nos detalhes. Admiro-o muito e espero que consigam executar a restauração, assim como outros prédios do centro da cidade.
 
Aline Fuhr em 31/01/2014 16:51:08
O cara é sindico prédio a 7 anos e nunca mandou pintar a fachada? Aff...
 
Patricia Almeida em 31/01/2014 16:17:55
Dinheiro público em prédio privado? Sou contra!
 
rodrigo ferreira em 31/01/2014 14:25:44
Olha aí o porque de não ter sido pintado...Processo de Tombamento demora mesmo...
"Síndico há 7 anos, o advogado Silvio Cantero, de 57 anos, explica que a revitalização ainda não aconteceu porque o tombamento histórico, concedido há pouco tempo, inviabilizou esse processo, mas a ideia é reformar, deixar tudo bonito, como era antes, na época em que o edifício abrigava um hotel, o Presidente, afirmou"
 
Magda Correa em 31/01/2014 13:32:38
Eu acho esse prédio um dos mais bonitos, mais infelizmente falta mais cuidado do Sindico, se desse uma pintura legal, com certeza seria um dos mais bonitos de Campo Grande.
Basta um pouco mais de cuidado, eu passo quase todos os dias e admiro ele..
 
Paulo Sérgio Bazilio da Silva em 31/01/2014 13:04:12
Boa matéria, tomara que no futuro não derrubem esse lindo edíficio histórico, assim como fizeram com o meu Cines Santa Helena, Alhambra, a Igreja Santo Antonio, os paralelepipedos em todo centro de nossa Morena.
 
Carlos Lamarca em 31/01/2014 13:00:40
Adorei a matéria...tomara que façam de outros prédios antigos da cidade, até desses onde trabalhavam os libaneses.. Obrigada.
 
IZABEL CORREA em 31/01/2014 12:58:57
Tenho quase 61 anos e me lembro muito bem da Riachuelo que tinha no térreo. Muito boa a reportagem, só não entendi porque o Síndico não conseguiu pintar este prédio e pelo que entendi desde os anos 70 que não recebe uma tinta.
Assim também está o outro prédio semelhante a este na esquina da Rua 14 com a Candido Mariano, onde foi a antiga Farmácia Raia..
 
Wilson Luiz em 31/01/2014 11:33:52
Olá, estou espantada, o senhor Silvio é síndico já a 7 anos e nunca, mandou pintar a faixada do prédio, feio para um prédio ainda mais que fica de esquina mesmo que seja pequeno, merece cuidados e isso parte do síndico do prédio.
 
Lilian Lima Ross Santos em 31/01/2014 10:54:27
Nossa!!! Também cresci neste local. Foi muito bom morar no Edifício São Miguel.
Que na qual assisti de suas sacadas muitos desfiles, e "paradas" como chamavam os desfiles dos Exércitos, também assistiram-me quando desfilava nas fanfarras pelas Escola: N. Senhora Auxiliadora, e Dom Bosco. Olhava da sacada, e contava nos dedos os edifícios que tinha na cidade, eram apenas alguns. Aos domingos ia para missa na Capela Dom Bosco e á matines No cine Rialto. Também namorei na sacada!! como era bom!!! Agora gostaria que fosse restaurado porque faz parte de umas poucas memórias de nossa Campo Grande-MS.
E poderiam desta maneira estar protegendo as idosas moradoras deste edifício!!!
 
Vilma Ribeiro de Oliveira em 31/01/2014 09:20:53
Que belas reportagens estas que resgatam o passado ainda vivo de nossa cidade! De fato é um privilégio fazer parte dessa história e revivê-la por meio dos depoimentos aqui prestados! Esperemos que a restauração saia o quanto antes!
 
Welington O S Costa em 31/01/2014 08:36:53
ESPERAMOS QUE ESSA MATÉRIA TENHA A REPERCUSSÃO NECESSÁRIA PARA QUE GANHEMOS INCENTIVO DAS AUTARQUIAS COMPETENTES PARA PODERMOS RESTAURAR NOSSO LINDO EDIFÍCIO!
 
KLAUS SOLER em 31/01/2014 07:52:45
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