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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

06/03/2016 07:56

No novo MS, a placa: "Não leve nada daqui, se não quiser passar vergonha"

Lenilde Ramos
Lenilde na fronteira do Brasil com o Paraguai, assim como Antônio João.Lenilde na fronteira do Brasil com o Paraguai, assim como Antônio João.

Quando o antigo Mato Grosso foi dividido, a Fundação de Cultura me deu oportunidade de conhecer meu novo Estado inteiro, viajando com o Projeto Seriema, que depois ganhou o nome de Cantando para Mato Grosso do Sul. O motivo da viagem era mapear a música do interior, fortalecendo as expressões de raiz e promovendo o intercâmbio com a nova capital.

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O percurso era todo de Kombi, geralmente em estradas sem asfalto. Uma aventura! Certa vez, cheguei em Antônio João com Bete e Betinha e Romance e Romeirinho.

A esposa do prefeito nos esperava na entrada da pequena cidade e levou para o hotel, que era dela. Estávamos em casa. Quer dizer, nem tanto, porque nos quartos havia uma placa: "Não leve nada daqui, se não quiser passar vergonha na portaria".

Dona Nilce, que Deus a tenha, era uma primeira dama arrojada e cheia de iniciativa e, praticamente governava com o marido. Não podíamos perder tempo e ela me colocou no seu Chevete para circularmos a redondeza convidando o povo para o show. O filho dela, na época um guri, montou o som no bagageiro. Fiquei impressionada com a habilidade do menino.

A quase prefeita dirigia e falava ao microfone, chamando as pessoas pelo nome. Saímos do centro e fomos para a zona rural, passando por alguns sítios e fazendas pra um café e dois dedos de prosa. Na volta, ela parou em frente a uma casa, de onde saíram umas moças. Falei: "Puxa vida, dona Nilce, quantas filhas tem esse homem?". Ela respondeu: "Aqui é a zona sabe, mas elas também são filhas de Deus né. Vamos convidar!".

À noite estavam todos na praça para ver o show e, claro, todas as moças da casa suspeita. Dona Nilce fez a produção do palco e apresentou os artistas.

Pensei comigo: "Caraca... só falta cantar". Juro que ela leu meu pensamento, pegou o microfone e mandou ver na Mercedita, junto com Bete e Betinha. Ah... o prefeito estava lá... quase ia me esquecendo!...

Dali fomos para o baile no salão paroquial e o grand monde da pequena cidade estava todo lá. Dona Nilce reinou. De vez em quando circulava com o marido pelas mesas, cumprimentando uns e outros e também o fazia dançar.

A uma certa hora ela chegou pra mim e disse: "Minha filha, aproveite a festa que já estou de saída. O prefeito bebeu um pouco e não quero que ele dê vexame. Tenho que cuidar da imagem dele né?" E nos despedimos!

Dona Nilce foi pra casa e, no primeiro claro do dia, pusemos a Kombi na estrada para viver outras histórias em outros lugares do nosso Mato Grosso do Sul, novinho em folha !




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