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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

01/07/2014 07:20

No Orkut, comunidades de Campo Grande guardam histórias e vergonhas alheias

Elverson Cardozo
Comunidade de Campo Grande era uma das mais conhecidas. (Foto: Reprodução/Orkut)Comunidade de Campo Grande era uma das mais conhecidas. (Foto: Reprodução/Orkut)

Quase ninguém lembrava mais do “finado” Orkut, mas a notícia de que ele será encerrado oficialmente no dia 30 de setembro deste ano fez muita gente acessar a rede de novo e escrever um post nostálgico, no Facebook, em homenagem ao “falecido”.

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No Brasil, afinal de contas, ele fez sucesso inegável. Quem não se lembra das comunidades? Algumas, olhando para trás, desperta certa vergonha alheia, mas muitas delas ainda guardam registros do passado e, de certa forma, a história de uma cidade.

A “Orkuteiros de Campo Grande”, com 6.305 membros, é uma delas. A página sempre foi destinada àqueles que moram na “terrinha boa ou tem muito amor por ela”. Tinha a proposta de divulgar o que estava rolando na Capital.

Até serviu para isso, mas virou mesmo foi espaço para trocar MSN, arranjar paquera e fazer brincadeirinhas do tipo: “beijaria gostoso ou gritaria socorro?”, “cara de anjo ou de safado?”. Fóruns como esses batiam recordes de participações, isso sem falar nos concursos que elegiam as musas de cada página.

Mas, na hora do desespero, qualquer lugar era lugar para fazer um apelo que pudesse atingir o maior número possível de pessoas. Esta comunidade, por exemplo, guarda até hoje o texto informando o desparecimento de Luis Eduardo Martins Gonçalves, o Dudu, morto no dia 22 de dezembro de 2007.

Algumas eram, ainda são, bem engraçadas: “Eu moro em Campo Grande e daí”, que tem a foto de uma vovózinha mostrando o dedo do meio, é um exemplo. “Campo Grande podia ter praia” é outra que “pegou” bem fácil.

Campo Grande podia ter praia ainda 4.940 membros. (Foto: Reprodução/Orkut)Campo Grande podia ter praia ainda 4.940 membros. (Foto: Reprodução/Orkut)

A “Campo Grande-MS”, outra do gênero, tem, ainda, um número significativo de participantes: 76.220 mil. No Fórum de discussão, o povo abria perguntas para falar dos assuntos mais variados: política, pregação religiosa, abaixo-assinado, problemas nos bairros, novas formas de renda extra, locais para comer o melhor lanche da cidade, entre outros.

As enquetes generalistas era um caso à parte. Uma delas questiona: “Alcoólatras de CG tem consciência de que são doentes e precisam de tratamento?”. 12% responderam sim, contra 55% do não e 33% de “não sei”.

A jornalista Liziane Berrocal foi uma das administradoras e lembra bem da época. “Era uma briga sem tamanho, mas uma grande festa. […] Estava lembrando esses dias quando fizemos campanha para a Copa ser aqui”.

Post recente, da última quinta-feira (26), sugere o resgate da comunidade: “Cara, hoje me deu uma saudade, dos amigos aqui feito, das brigas, de tudo de bom que aqui vivemos por um grande tempo”, escreveu Ricardo Santullo. Ninguém se manifestou.

O “finado“ Orkut caiu mesmo no esquecimento, mas o passado está guardado, pelo menos até o dia 30 de setembro. Quem acessa a conta, já recebe o aviso. Até o encerramento será possível entrar, jogar e usar o perfil normalmente.

É o tempo disponível para exportar os álbuns de fotos para o Google +, salvar no computador os scraps, depoimentos e postagens. Outras informações estão disponíveis na página da rede.




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