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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

25/03/2016 07:23

O que a escola deve fazer quando a briga política chega ao jardim de infância?

Thailla Torres
Crianças na manifestação do dia 13 de março. (Foto: Marcos Ermínio)Crianças na manifestação do dia 13 de março. (Foto: Marcos Ermínio)

Diante da briga política que se instalou no Brasil nos últimos dias, com a onda de protestos contra e a favor da presidente, escolas enfrentam um novo desafio, debater o assunto com crianças que levam para a sala de aula dúvidas e discursos que ouvem em casa.

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Em Campo Grande, já teve caso de colégio tomando partido, com crianças vestindo luto em dia de aula. Mas os equilibrados consideram que é a chance de transformar todo o ódio que domina o Brasil em lições de tolerância e democracia.

Aos 46 anos, Lilian Loeschner, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Adventista, explica que a maioria dos alunos entre 5 a 8 anos chegam com um pouco do que ouvem dos pais. Para abordar o assunto de maneira clara, a direção diz que faz atividades para levar os alunos à reflexão e evitar conflitos diante de ideias opostas.

“A gente pediu que eles trouxessem uma reportagem de casa, onde é feito a leitura e debate de conhecimento sobre o assunto”. Com atenção e cuidado para que a escola não defenda partidos políticos, a educadora ressalta que ao inserir o assunto ajuda as crianças a saberem desde cedo os reais deveres e conceitos sobre o que é cidadania.

"É importante, porque é um assunto que todo mundo está vivendo e está trazendo consequências ruins para todos nós. Se a gente conseguisse ensinar as crianças a lidar com os conflitos dentro de uma reflexão, com certeza teríamos um mundo político melhor, com pessoas que saibam realmente lutar pelo querem”, defende Lilian.

Trabalhando com educação há seis anos, Talita Martins, de 31 anos, professora e diretora na Escola Harmonia, explica que dentro de sala de aula professores buscam mostrar os dois lados, mas com respaldo para que o ensinamento não interfira na opinião de cada aluno.

“Apresentamos a situação e acho importante quando a criança traz esse assunto, mas não podemos influenciar. O que buscamos é mediar, pois existem opiniões contrárias e a favor. Com isso objetivo é disseminar o respeito entre os grupos”, diz Talita.

Amanda costuma fazer perguntas sobre política ao pai Rafael. Amanda costuma fazer perguntas sobre política ao pai Rafael.

Inserir a situação política brasileira na rotina da Educação Infantil divide opiniões na porta das escolas. Há mães e pais que dizem tratar do assunto abertamente dentro de casa ou os que acreditam que não é o momento para que o debate dentro de sala de aula.

Aos 9 anos, Amanda Duarte Sartori questiona a família sobre o motivo das manifestações. O pai Rafael Sartori, de 35 anos, diz que fala sobre corrupção de uma maneira que ela compreenda que o maior desejo é ter um País melhor. “Acredito que ela ainda não tem idade e nem cabeça pra analisar isso, ela vai pela nossa opinião, mas é importante ela saber o que está acontecendo”, defende.

Quando o assunto é na escola, para Rafael não resta dúvidas de que ali a inserção é fundamental. "Acho importante a escola falar sobre o assunto, mas com cuidado. Embora eu tenha a minha definição, acredito que a minha pode não ser a dela, mas acho que vai chegar um tempo em que ela vai saber definir isso melhor", diz o pai. 

Já para Michele Fernandes Sigorini, de 38 anos, esse não é o momento ideal para que as crianças tenham esse tipo de conversa tensa. "Talvez para séries maiores, os nossos ainda são pequenos", avalia sobre os alunos de até 5 anos. "O mais velho sim, ele nos questiona e disse que o Brasil está passando por um momento difícil, que é uma crise no governo, que há corrupção e que houve roubo de dinheiro. Mas orientamos que a gente torce pelo Brasil", garante. 

A empresária Ana Carolina Ávilla, de 40 anos, levou a filha Anelise Franceline, de 8 anos, na passeata realizada no último dia 13 de março. "É muito importante falar do assunto porque é uma coisa que está totalmente viva dentro da gente, as crianças estão bem cientes do que está acontecendo no País", comenta. Ela enfatiza que a luta é por um país mais justo, independente de partidos. "Por enquanto ela tem os comentários dela, mas explico que independente de qualquer coisa e de partido, a gente tem que lutar para ter um Brasil melhor", finaliza. 

Michele discorda com política debatida em sala (Foto: Fernando Antunes)Michele discorda com política debatida em sala (Foto: Fernando Antunes)
Anelise e a mãe foram juntas na passeata do dia 13 de março. (Foto: Fernando Antunes)Anelise e a mãe foram juntas na passeata do dia 13 de março. (Foto: Fernando Antunes)



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