A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

30/04/2013 06:23

O que o Pão de Açúcar tem guardado sobre o Mato Grosso do Sul?

Ângela Kempfer
Um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil e do mundo. (Foto: Prefeitura do RJ)Um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil e do mundo. (Foto: Prefeitura do RJ)
Antônio João, na pose que eternizou o tenente. (Fotos: Ângela Kempfer)Antônio João, na "pose" que eternizou o tenente. (Fotos: Ângela Kempfer)

De longe, a pose da estatua no pé do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, remete à imagem bem conhecida. É o mesmo homenzinho uniformizado, em um movimento estranho, como naquela praça de Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul.

Veja Mais
Aos 56 anos, Márcia é parceira do filho do tênis de LED ao Pokémon Go
Papai é a estrela, mas Mamãe Noel pode fazer toda diferença no Natal

Um colega jornalista sempre repetia a informação e desta vez resolvi verificar. Ali, em um dos principias pontos turísticos do Brasil, há sim uma homenagem ao “Tenente Antônio João” e aos “heróis” do hino sul-mato-grossense.

É automático, na hora dá vontade de cantarolar: “Vespasiano, Camisão e o tenente Antônio Joãaaaaaaaaaaao...”

É claro que a homenagem em praça pública não existe por causa da música, muito menos pela existência de Mato Grosso do Sul. É um reconhecimento à coragem dos combatentes da Guerra do Paraguai. No monumento, estão as imagens do Coronel Camisão, de Guia Lopes, do tenente Antônio João e de episódios como o “Salvamento dos Canhões”.

Todos também não estão ali por conta do Pão de Açúcar e sim pela localização da Escola Superior de Guerra, bem ao lado do embarque e desembarque de turistas no teleférico carioca, no bairro da Urca.

Mas o que importa é que alguns dos “nossos” estão em evidência, o que para uma sul-mato-grossense é no mínimo curioso e de uma importância incrível quando se está sozinha em uma cidade cheia de gente que não te dá a mínima para quem não é carioca ou estrangeiro.

A satisfação só perde a força quando resolvo avançar no passeio e procurar o mausoléu que guarda os restos mortais dos nossos “heróis” e que, segundo o Google, também fica ali, na mesma praça, aos pés do Pão de Açúcar.

“Moça, nunca nem ouvi falar disso. Trabalho aqui há 22 anos e nunca vi esse Guia Lopes que você está falando”, diz o segurança, a cerca de 50 metros da estátua.

Visão a partir do mausoléu para o ponto de embarque do teleférico, bem pertinho.Visão a partir do mausoléu para o ponto de embarque do teleférico, "bem pertinho".
O esquecido Guia Lopes.O esquecido Guia Lopes.

Com tempo de sobra para uma conversa, ainda tirei algumas risadas do homem, lembrando que o Guia Lopes tem uma história e tanto.

“Ele entrou na guerra por vingança, porque os paraguaios sequestraram a esposa e os quatro filhos dele em Jardim, onde a família morava. Amigo, ele guiou os soldados durante uma das fugas do Paraguai. Talvez todo mundo tivesse morrido sem o Guia Lopes”, conto do meu jeito.

Não perguntei o nome do dito cujo, mas duvido que alguém consiga arrancar de algum funcionário, policial ou militar das redondezas a localização do monumento em homenagem à Guerra do Paraguai, muito menos a localização do mausoléu.

O soldado na portaria do quartel também jura que não existe nada desse “tipo” ali. “A senhora deve ter errado de lugar. Não é lá em Niterói?”, pergunta o militar.

Insisto e vou até a bilheteria do teleférico, pela segunda vez na manhã de uma quinta-feira. “Agora que você falou, um dia eu vi umas pessoas descendo ali naquela casinha. Será que é lá?”, responde uma atendente do Pão de Açúcar, apontando para a tal “casinha”.

Quando chego perto, finalmente a “revelação”: no centro de um gramadinho sem graça está o mausoléu. No topo, uma placa de 1940 confirma: “...mausoléu para perpetuar a memória dos militares mortos na Guerra do Paraguai”.

O lugar foi aberto à visitação há um ano, no centenário do Pão de Açúcar, mas pelo nível de esquecimento, ninguém deu muita importância. Também, quem quer ver restos mortais se pode pagar R$ 53,00 e “sobrevoar” a Baía da Guanabara?

Sem entender o meu propósito, o segurança, atencioso desde o início, tenta justificar a desinformação. “Moça, você veio lá do Mato Grosso para ver isso”, pergunta com sorrisão no rosto.

Antes da resposta, penso que pelo menos vou poder praticar a boa e velha reação sul-mato-grossense e não voltar para o hotel sem tirar um sarrinho do carioca. “É Mato Grosso do Sul!”.

Praça (à esquerda) com homenagens aos militares da Guerra do Paraguai.Praça (à esquerda) com homenagens aos militares da Guerra do Paraguai.
O que o Pão de Açúcar tem guardado sobre o Mato Grosso do Sul?



Olá pessoal, eu sou de Dourados, e lá todos reclamam da estátua feia que tem na praça principal, agora já sei de sua importância histórica. Devemos ter mais conhecimento e cultura. Abraços!!!
 
Keren Satie Matsui Pereira em 01/05/2013 02:16:58
Parabéns pela matéria! Excelente!!
Conhecer o passado para trilhar o futuro!
País sem memória......País sem cultura!!
E vamos levantar a bandeira de MATO GROSSO DO SUL por este Brasil, afinal nós existimos e sim fazemos parte da história deste continental país!
 
Tasso Trindade Medeiros em 01/05/2013 00:11:11
Ângela! Ainda quero ter o prazer de um dia ler um livro com seus melhores artigos e reportagens. Sou fã do que você escreve. Como jornalista, você está entre os raros que dignificam nossa profissão. Abraços, parabéns por mais este texto e sucesso!
 
Paulo Renato Coelho Netto em 30/04/2013 22:16:41
Adorei, Ângela. Muito sacado.
 
Fernanda Mathias em 30/04/2013 17:44:46
A todos que querem saber um pouco mais da historia da Guerra do Paraguay, principalmente a nós "SUL MATO-GROSSENSE" , no perímetro que liga Ponta Porã a Antonio João, existe o museu com a Homenagem aos Dourados, museu este, onde se encontra os restos mortais de Antonio João Ribeiro e toda sua artilharia que foi usada contra os paraguaios. Obs. entrada franca.
Prestigiem.
 
Thiago Salmazo em 30/04/2013 17:08:14
valeu Angela, grande reportagem. parabens
 
rachid waqued em 30/04/2013 15:54:41
Nossa querida Presidente Dilma, todas as vezes que veio ao MS, cometeu a irritante gafe, de chamar o nosso MS de MT. Se até a nossa ilustre Presidenta se confunde, ao se referir ao nome do Estado, imagina o restante da população em geral, principalmente com o baixo nível cultural de nossa população.
É hora de mostrarmos nossa inteligencia, vamos facilitar as coisas para todos, ou mudamos o nome deste Estado ou aceitamos que ainda somos um Distrito do Estado de Mato Grosso, que existimos na periferia de MT e que a Divisão do Estado ainda não se concretizou de fato que ainda hoje estamos interligados pelo mais importante, o nome.
 
Jean Cardoso em 30/04/2013 15:52:30
Uauuuuuu, adorei a matéria.

Poderia acontecer com mais frequência matérias assim.
 
Janaina Benevides em 30/04/2013 15:39:04
Exelente matéria, e mostra a falta de patriotismo do povo Brasileiro em desconhecer fatos importantes na história de nossa nação, Eu moro na cidade de Jardim -MS e me entristece olhar os restos de um cemitério praticamente abandonado, nossos filhos estudam superficialmente os fatos de nossa história, espero que algumas das autoridades Federais tomem providencia e coloque a "Guerra do Paraguay" nos livros de história com o destaque merecido.
 
Eduardo Grubert em 30/04/2013 15:32:05
Em Jardim-MS há o Cemitério da Retirada da Laguna. Os restos mortais deveriam ficar onde o fato aconteceu. É o mínimo que o Poder Público poderia fazer p/ preservar a memória dos que lutaram e que isso não se repita,pois o que fizeram com o povo paraguaio na "Guerra do Paraguai" foi um genocídio.
 
Darlan B. Mougenot em 30/04/2013 14:26:22
Na época que eu estudava as escolas ensinavam a amar a Pátria,os alunos éram cobrados ,tinham que cantar o Hino Nacional,e em posição de respeito, hoje isso é considerado careta,saber a história do Estado,só quando as escolas recomeçarem a praticar.
 
Teresa Moura em 30/04/2013 14:16:10
Que matéria,muito interessante para nós,aqui do Mato grosso do sul.Parabéns..
 
Ezequiel Pereira de Araujo em 30/04/2013 12:07:23
Parabéns, Ângela Kempfer! Excelente matéria!
 
Katia Beatriz Guilherme em 30/04/2013 12:00:13
Na primeira vez que estive na praça Gal. Tiburcio notei o monumento, e por 2 anos nunca deixei de explicar para quem me acompanhava o significado dele para o Brasil. Toda a revisão parcial que se fez da história da Guerra, como se nós, que defendemos nosso território, fôssemos os malvados, fez com que esse monumento, como a nossa história heróica de sul-matogrossenses, fosse relegado ao quase esquecimento.
 
bruna pinheiro em 30/04/2013 11:04:10
excelente matéria !
Pena eu não ter esse conhecimento na época que fui ao Rio de Janeiro...
Parabens a editor(a) !
 
cleo de moraes em 30/04/2013 11:01:59
TEM Q FALAR SUUUUUUUUL.rsss,Como diz meu tio de Sao Paulo, Campo Grande do Sul, tem q falar suuuul, senao apanha.rss
 
Ruth Antunes em 30/04/2013 11:00:32
Para os interessados, existem livros escritos por nosso saudoso historiador, meu pai, Acyr Vaz Guimarães sobre os relatos das histórias e acontecimentos em nosso querido MS, antigo MT. São eles: História de Mato Grosso do Sul & Guerra do Paraguai - Verdades e Mentiras (editora UCDB).
 
Acyr Vaz Guimarães Junior em 30/04/2013 10:59:34
Prazer em relê-la, Ângela! Parabéns pela matéria: curiosa, inédita, instrutiva e muito bem escrita! Raridade na imprensa de hoje.
 
Moacyr Castro em 30/04/2013 10:52:51
O Mausoléu desses guerreiros deveria ser trazido para nosso estado para ser concedido o devido respeito. Na questão de mudança de nome do Estado, acho que não deveria ocorrer, mas sim uma educação de qualidade para todo o Brasil com aulas de geografia!
 
Emerson Gonçalves em 30/04/2013 10:14:57
Dário, acredito que a presidente não se confundiu, possivelmente ela não sabia onde estava, pois presidente no Brasil não vê, não ouve e não sabe de nada.
 
Alcenair Nobre Costa em 30/04/2013 09:48:16
Infelizmente quando fui lá não notei isso. O problema é que quando fui lá, este monumento estava rodeado de marginais então passei bem longe dele!
 
Helio Gomes em 30/04/2013 09:32:43
Gostei de ler a reportagem, é importante termos mais conhecimento da nossa história.
 
marilene de almeida fernandes em 30/04/2013 09:13:20
Ângela Kempfer sempre sensacional com suas matérias!! Um dia chego lá! Parabéns!!
 
Laís Latta em 30/04/2013 08:59:58
Excelente matéria Angela...tb fiquei emocionado ao ver esse lindo monumento...mas estamos no Brasil querida, um povo que ainda nem sabe o que é HISTÓRIA!!! Pergunta se algum francês ou alemão não conhece seus heróis????
 
Marcos Santos em 30/04/2013 08:59:41
Já falei um trilhão de vezes: temos que mudar o nome de Mato Grosso do Sul. Urgente. Só assim poderemos resgatar e trazer para o novo estado a tradição sul-mato-grossense.
 
Marco Aurélio Gonçalves Chavs em 30/04/2013 08:46:37
O que há de Sul-Mato-Grossense mal informado sobre o próprio estado, não é de se surpreender em encontrar pessoas de outros estados sem noções históricas do Mato Grosso do Sul. É uma pena que as histórias de lutas, sofrimentos e vitórias do no estado se perca na falta de interesse e ignorância das novas gerações (claro que sempre há as exceções).
 
Khesia Martins em 30/04/2013 08:35:15
É, enquanto nossos políticos não se atentarem para colocar o nome de nosso ESTADO em evidencia, nunca deixaremos de ser "Mato Grosso", nós sul-matogrossense temos que tomar providencias e mostrar para o resto do Brasil que aqui é "MATO GROSSO DO SUL"... temos que mudar o nome do nosso Estado senão continuaremos sendo o outro.
 
Jorge Luiz em 30/04/2013 08:13:33
Angela voce esta mais uma vez de parabens por esta reportagem pois no BRASIL parece que mão existe o nosso querido MATO GROSSO DO SUL so falam do outro estado e parabens por toda esta reportagem pois fica em evidencia como os brasileiros não se importam muito com a nossas conquistas com as batalhas vencidas nem com a hitoria do nosso brasil so se importam com passeios e belezas que lhes interessam.
mais uma vez parabens Angela Kempfer por esta reportagem que fala da historia do nosso estado em um lugar tão inusitado
 
silvana baroni em 30/04/2013 07:50:27
É lamentável, a falta de consciência e de comhecimento da nossa gente ! Fruto de uma escola ineficaz, de faz de conta. Uma fraude. Que país é este ? onde estão os valores, princípios, a ponto de serem ignorados pela maioria, exemplos de amor à pátria, desprendimento chegando a extrema imolação, morrendo por um ideal. Enquanto isso, a sociedade se deleita com os "nossos heróis" do big-brother. "Isto é uma vergonha"..
 
walmir dos santos em 30/04/2013 07:45:46
Parabéns a Jornalista, belíssima reportagem, infelizmente nosso pessoal são mal preparados e na maioria das vezes é exatamente assim que acontece, as coisas estão ali do lado deles e não sabem. Uma pena, muita coisa se perde por falta de preparo adequado.
Essa reportagem deveria ser levada para as escolas, para que nossas crianças saibam e possam lembrar quem forão essas pessoas, é a nossa história.
 
Norma Alves da Silva em 30/04/2013 07:42:08
Bela matéria! Inteligente, com humor e muito informativa.
Parabéns!
Eu tbm não conhecia essa história e da próxima vez que eu for no RJ terei o prazer de colocar esse passeio no meu roteiro.
Ah, e amei a parte do "MATO GROSSO DO SUL". Tenho um amigo carioca que de tanto ele se confundir no nome e eu corrigir, finalmente no mês passado ele aprendeu a falar o nome do estado certo! :) rs

 
Aline Lira em 30/04/2013 07:23:44
Boa, Angela!
 
Fabio Pellegrini em 30/04/2013 07:09:35
Se esta semana até a presidente da República Federativa do Brasil confundiu o nome do Estado, o segurança é fichinha, e pelo que vi na internet ela (a presidente) recebeu o título de cidadã sul-matogrossense.
 
Dário Bispo da Silva em 30/04/2013 06:41:41
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.