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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

01/06/2015 16:01

O que um carro atolado, repórteres na lama e um taxista ensinam sobre jornalismo

Liana Feitosa e Luana Rodrigues
Tinha chovido o dia todo e, depois de vencermos três lagos, o carro em que estávamos também atolou. Tinha chovido o dia todo e, depois de vencermos três lagos, o carro em que estávamos também atolou.

Esse texto é para quem costuma criticar e menosprezar jornalista "porque só servem pra inventar história". Ou para quem costuma dizer (nos comentários de Facebook, por exemplo), que tal matéria foi feita pelo estagiário ou por um jornalista incompetente.

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Bom, preciso lhe contar algumas coisinhas sobre a rotina de um jornalista que você, provavelmente, não conhece. Primeiro: jornalista não sabe de tudo, na maioria das vezes não sabe é de nada. Mas procura saber...

Dia a dia - As fontes sim, sabem de tudo, mas nem sempre contam tudo. E é por isso que jornalista deixa de contar algumas informações do fato, porque a fonte relata apenas o que quer.

Só que jornalista tem a crença, a fé, a desconfiança, de que tudo – até as coisas mais banais – tem uma história oculta e interessante. É por isso que ele não tem medo de arregaçar as mangas e é "entrão", "pescoção" mesmo.

Com facilidade, a gente se mete em confusão porque, na verdade, dentro de qualquer confusão tem história, e jornalista gosta disso, de ter história.

Aos 45 do segundo tempo - Como descobrimos tudo isso? Na última meia hora do plantão do domingo fomos atrás de uma família que estava presa em uma cratera, inundada no meio do nada, em uma estrada de terra. Passava das 17h.

Fomos de táxi para o local da reportagem, mas ficamos pelo caminho.Fomos de táxi para o local da reportagem, mas ficamos pelo caminho.

Fomos de táxi para o local, mas ficamos pelo caminho. Tinha chovido o dia todo e, depois de vencermos três lagos, o carro em que estávamos também atolou. Era tanta água sobre o atoleiro que o carro começou a inundar.

Na tentativa de sair da situação, arremangamos a calça e enfiamos o pé no barro, que já passava do joelho. É lógico que o carro não saiu do lugar, mas estávamos impressionadas com a coragem e parceria do motorista. Em nenhum momento ele ficou aborrecido com a situação que o fizemos passar, mas, sim, foi solidário e prestativo.

Até o fim - Gerson Gil trabalha há 17 anos como taxista e conta que essa não foi a primeira vez que precisou decidir entre continuar um percurso arriscado ou parar no meio do caminho. "Com medo de atolar, já aconteceu de não continuar. Mas já aconteceu de sentir que daria certo e eu enfrentar o atoleiro", relata.

Neste domingo, ficamos pelo caminho. "A gente estava muito perto do local da reportagem, quis ajudar vocês, senti vontade de tentar", lembra. Enquanto Gerson ligava para o guincho, fomos atrás da história que nos fez passar pela aventura, como você pode ler aqui. A família já estava bem.

Já nós, ao invés de ficarmos bravas e xingarmos a profissão, só sabíamos rir, já que teríamos uma matéria legal e ainda uma baita história pra contar pro resto da vida!

Só sabíamos rir, já que teríamos uma matéria legal e ainda uma baita história pra contar pro resto da vida! Só sabíamos rir, já que teríamos uma matéria legal e ainda uma baita história pra contar pro resto da vida!



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