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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

02/11/2015 07:12

Pai morreu, mas há 3 anos aniversário dele é comemorado no restaurante preferido

Paula Maciulevicius
Jantar de comemoração pelo aniversário de Gilson, na Cantina Romana, no último dia 29.Jantar de comemoração pelo aniversário de Gilson, na Cantina Romana, no último dia 29.

Há 3 anos a saudade é posta à mesa para celebrar a vida no restaurante preferido do pai. Gilson Torres, tio "Gordinho" ou Gordo, como era conhecido, faria 53 anos no último dia 29. Como de costume, a família e os amigos mais próximos saíram para jantar. Telefonemas e mensagens entre si decidiram que a Cantina Romana, um dos restaurantes preferidos dele, seria o local para juntos comemorarem o aniversário. Da mesma forma que Gilson teria passado, se ainda estivesse aqui.

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Gilson passou 10 anos em tratamento de uma doença cardíaca, chegou a usar e até trocar o marca-passo. Foram muitos sustos e internações ao longo de uma década. Internado no Proncor, ele morreu dia 21 de outubro de 2013, na fila, à espera de um transplante. No dia seguinte o hospital de São Paulo ligou, tinha chegado a vez dele, para o procedimento. Mas era tarde. 

Fazendo churrasco, uma das coisas que mais gostava. (Foto: Arquivo Pessoal)Fazendo churrasco, uma das coisas que mais gostava. (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde 2013 a família pôs em prática a comemoração de forma tão natural que ninguém se dá conta. "Esse é o terceiro ano que a gente faz isso. O primeiro foi difícil, mas era como se ele tivesse lá", relata a filha, Carolina Sawada Torres, publicitária de formação e nômade de alma, de 27 anos.

Naquela semana, Gilson tinha sido questionado pela esposa, certa de que ele não faria qualquer comemoração de aniversário. A resposta foi bem ao contrário. "Ele falou 'está louca? É claro que eu vou fazer'. Era isso que ele gostava, de comer, de reunir amigos, a família era tudo para ele", conta Carol.

E o legado que "Gordo" deixou, apelido de infância devido ao peso de Gilson, foi continuado por quem ficou. "Não foi uma ideia sabe, a gente se falou: onde vamos sair hoje? É um meio de celebrar a vida, a gente pensa nele sempre com muito carinho", explica a filha.

Claro que a saudade ficou e materializada numa mesa com comida e rodeada de amigos. Gilson não gostava de ficar sozinho, sempre que a esposa viajava a trabalho, ele saía com as filhas para todas as refeições. Em casa, era de receber amigos e sair também para vê-los, em especial o cunhado, considerado o melhor amigo.

O que ficou? Para Carolina são as comemorações de aniversário no dia 29 de outubro, com tagliarini à bolonhesa e filé à pizzaiolo da Cantina e o que é engraçado na vida. "Ele era assim, mesmo doente, sempre estava fazendo uma piada. Fica a alegria. O valor à vida. Como ele ficou 10 anos doente ele aproveitava bem mais cada momento".

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Gilson com a família, duas filhas e a esposa. (Foto: Arquivo Pessoal)Gilson com a família, duas filhas e a esposa. (Foto: Arquivo Pessoal)



Que bonito, isso com certeza fará de vcs irmãos mais unidos. Muitas famílias se distanciam após a morte dos pais mas vcs estão tendo a oportunidade de fazer diferente. Seu pai de onde estiver deve estar feliz e orgulhoso de vcs.
 
LAURA PATRÍCIA DANIEL em 02/11/2015 13:14:45
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