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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

16/11/2015 06:45

Paraguaia doida por onça se veste dos pés à cabeça e até buzina de jipe é rugido

Paula Maciulevicius
Lidia no volante se transforma na mulher-onça. (Foto: Gerson Walber)Lidia no volante se transforma na mulher-onça. (Foto: Gerson Walber)

Não seria nem perua o adjetivo mais próximo para traduzir Lidia. Escolho a alegria que ela esbanja para explicar quem é a figura que anda de jipe na cidade com uma onça em cima. Paraguaia, ela trouxe a paixão descoberta pela estampa na infância para a vida adulta. O recado no vidro avisa que a motorista ainda é criança e só mudou de brinquedo.

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LidiaSoria Vieira tem 51 anos, se veste de onça dos pés à cabeça e até o jipe ganhou a sua cara. O sotaque paraguaio persiste mesmo ela tendo mais de 30 anos de vida do lado de cá da fronteira. "Está aparecendo meu brinco? Ele tem que aparecer, eu sou muito vaidosa", se apresenta para a foto. 

Quando menina, a mãe de Lidia tinha um bar e na época da ditadura, volta e meia o governo paraguaio fechava as estradas, obrigando passageiros a pararem e até posarem por ali. "Um dia um casal chegou, a mulher tomou banho e saiu com um vestido longo, de onça. Meu olho brilhou, eu me apaixonei e ela me disse: - se você tivesse o meu tamanho, eu te dava de presente. Quando eu crescer, hei de ter tudo de onça", profetizou a criança no alto dos 9 anos de idade. 

Desde criança a paixão pela estampa lhe acompanha. (Foto: Gerson Walber)Desde criança a paixão pela estampa lhe acompanha. (Foto: Gerson Walber)

Se a palavra é uma oração, o exemplo está por todo lado. Onde se olha em Lidia, no casa e no carro, tem onça. "Tigre e onça são as minhas paixões, eu achava que era a mesma coisa, sabe? Até que me explicaram: - Lídia, tigre é listra e onça é bolinha. Tá, então vou gostar só de onça", diz.

Ela é tão figura e de um bom humor contagiante que minha vontade foi de assumir, só por uma foto, o volante do jipe, ao lado dela. O 4x4 veio de presente do marido em outubro do ano passado. "Ele queria porque queria me dar um carro novo. Eu disse que queria um triciclo e virar motoqueira, mas os filhos me falaram 'agora? Depois dessa idade?'", reproduz o que ouviu.

Foram meses sem ter nenhum veículo como sonho de consumo até que numa volta pela Afonso Pena, ela "encontrou" o que seria seu número. "A gente não sabia que marca que era, fomos perto de um Jimmy e anotamos", conta. Na concessionária Suzuki, Lidia comprou e junto do jipe veio a missão. Campo Grande estava formando um clube de jipes Jimmy e ela foi convidada a ser madrinha no Estado. Hoje, é ela quem puxa as trilhas.

Estofados deram ao carro um ar selvagem. (Foto: Gerson Walber)Estofados deram ao carro um ar selvagem. (Foto: Gerson Walber)

O presente comprado em outubro foi completado em fevereiro, quando o marido resolveu dar a ideia de personalizá-lo. "Foi ideia minha, ela gosta e eu queria ver ela feliz", conta o policial aposentado Júlio César Vieira, de 61 anos. E assim começou: os bancos ganharam estofados de onça, assim como o câmbio, o console. A cor já facilitava na brincadeira, alaranjado, o tom preferido de Lidia.

As patinhas foram colocadas de modo a descrever o caminho que a onça de pelúcia perseguiu até o teto do jipe. O bichinho foi comprado no Paraguai e faz companhia ao rugido da buzina de Lidia. "99% das pessoas me elogiam, só 1% que me olham meio assim", descreve a dona.

A pelúcia tem até nome "Juma Marruá" e quem não a vê em cima do jipe, cobra. "Às vezes eu não saio com ela, no trânsito as pessoas me perguntam: - cadê a onça que estava aí?", brinca. É este o espírito que Lidia leva pelas ruas da cidade. "Sabe Paulinha, eu gosto disso, de levar alegria para as pessoas, para a criançada. Eu vou na Afonso Pena final de semana, todo mundo vem", conta.

Vaidosa que só ela, Lidia retoca o batom laranja para  a foto. (Foto: Gerson Walber)Vaidosa que só ela, Lidia retoca o batom laranja para a foto. (Foto: Gerson Walber)

No trânsito ela é parada para ser fotografada e até filmada, na estrada, idem. O que faz de "Juma Marruá" conhecida na cidade. "As pessoas me dizem: 'parabéns, você tem personalidade forte e coragem, porque não é para qualquer um essa atitude", relata.

Para a customização, foram mais de R$ 2 mil investidos na onça. A buzina varia de acordo com quem dirige. Se for a vez do marido, é do Tarzan, ao invés do rugido. "Com os filhos crescidos, a gente pegou estrada, caiu no mundo", resume. Agora de filhote mesmo, só a Juma.

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Essa foi uma sugestão de pauta dos leitores Juliana Rezende e Abrãao Júnior. 

 

O casal com a filhote Juma Marruá. (Foto: Gerson Walber)O casal com a filhote Juma Marruá. (Foto: Gerson Walber)
Paraguaia doida por onça se veste dos pés à cabeça e até buzina de jipe é rugido



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