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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

07/08/2015 06:23

Pastor leva aulas de jiu-jitsu para a igreja e alunos ainda têm culto no final

Naiane Mesquita
Aula na igreja evangélica é para iniciantes e tem valor simbólico de R$ 40 (Fotos: Vanessa Tamires)Aula na igreja evangélica é para iniciantes e tem valor simbólico de R$ 40 (Fotos: Vanessa Tamires)

A aula começa pontualmente às 22 horas. O espaço ainda é um pouco apertado, mas os alunos não se importam. Por apenas R$ 40,00 mensais, eles vestem os kimonos azuis e as faixas de iniciante para aprender a arte marcial

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Nas aulas de jiu-jitsu do advogado e faixa-preta Pedro Marzabal, 26 anos, tudo corre como manda o figurino, exceto no final, onde uma oração encerra as atividades do dia.

Thays é uma das poucas meninas que se aventuram no esporte dentro da igrejaThays é uma das poucas meninas que se aventuram no esporte dentro da igreja

O treino faz parte de um projeto que começou há dois meses no prédio da Igreja Evangélica Verbo da Vida, em Campo Grande.

A ideia surgiu do professor ao lado do pastor do grupo de jovens da igreja, Henrique Maia, 26 anos, que se conheciam de longa data e acreditavam que era possível evangelizar por meio do esporte. “Sempre tive paixão pelo jiu jitsu, eu faço desde os 12 anos. Mas, a igreja surgiu depois. Há três anos eu me converti e desde então eu tenho no coração esse desejo de passar o conhecimento do jiu jitsu para os cristãos”, afirma Pedro.

Não há restrições para participar. As meninas treinam junto com os meninos e até não evangélicos podem participar. “A ideia é que todos participem. É uma forma de que as pessoas conheçam a palavra de Deus, mas não é obrigado a se converter”, explica Pedro.

Mesmo assim, a maioria dos participantes é da igreja. O grupo costuma iniciar o treino após os ensinamentos do culto que começa um pouco mais cedo. Uma das religiosas e agora adepta do jiu-jitsu é a estudante Thays Freitas de Abreu, 22 anos.

Vaidosa, com os cabelos arrumados e levemente maquiada, ela conta que nunca foi muito interessada em esportes, mas que se encontrou na arte marcial. “Eu fiz bastquete e vólei quando era criança, mas era mais na brincadeira. Agora eu estou gostando bastante, criei uma disposição física que eu não tinha, ajuda muito”, acredita.

Aulas acontecem três vezes na semana Aulas acontecem três vezes na semana

Ela e outra menina são as únicas representantes do sexo feminino do jiu-jitsu. “Eu acho que estamos quebrando um tabu. Nós somos meninas, da igreja e treinamos junto com eles. Eu não treino diretamente porque sou pequena, eu acho”, ri. Mas, de acordo com ela, a colega encara os outros competidores. “Não tem problema nenhum”, frisa.

Quem vê de fora pode pensar que o esporte é uma espécie de atrativo para encontrar novos fiéis, mas o pastor responsável por toda a história faz questão de afirmar que não.

“Eu fui atleta de tênis durante muitos anos e sempre achei que o esporte tinha um papel importante na disciplina, respeito e educação dos jovens, que traz um equilíbrio natural para a vida. Meu objetivo foi aliar isso à palavra. Nós temos um momento de pregação, que a palavra é dita no final dos treinos, mas mesmo se a pessoa não quiser se converter tudo bem. Nós confiamos no impacto moral do esporte e da palavra”, acredita Henrique.

Um dos não convertidos que participa das aulas, o estudante Nivagner Dauzacker, 19 anos, diz que o convite para vir a igreja existe sempre. “Eles conversam, mas você vem se tiver vontade. Eu não vim ainda pela rotina, que é puxada”, diz.

O estudante Nivagner Dauzacker é católico e frequenta as aulas de jiu-jitsuO estudante Nivagner Dauzacker é católico e frequenta as aulas de jiu-jitsu

Católico de berço, ele afirma que a família não costuma ir tanto à igreja e por isso não adquiriu o costume. “O que eles dizem aqui é bem interessante, querendo ou não toca o coração da gente”, afirma.

As aulas são realizadas nas segundas e quartas-feiras às 22 horas e sábado, às 15 horas. “O que nós cobramos é mais simbólico e também porque não temos muitos materiais. O tatame foi doação e o resto nós estamos conseguindo aos poucos”, explica o professor.

Informações sobre as aulas no telefone: (67) 9120-8551.

 




É muito importante o trabalho social das “religiões e filosofias” com a população, porém corrigindo...(comentários) instituições espíritas, budistas, católicas, hinduísta, candomblé entre outras várias ramificação de outros seguimentos religiosos / filosóficos e até mesmo evangélicos, fazem e devem continuar fazendo esse tipo de trabalho, caridade e trabalho social não é exclusividade de nenhuma e até mesmo quem não acredita em nada pode se sentir à vontade em fazer, pois sempre tem quem precisa.
 
Dalbert em 07/08/2015 11:17:04
Quem dera todas as denominações religiosas adotassem esse tipo de prática. Estariam, de fato, ajudando muitas pessoas não só com palavras. Gente que poderia estar nas ruas, nos bares, nas drogas ou mesmo à toa. Parabéns aos idealizadores desse projeto na Igreja Verbo da Vida; atitude muito Cristã, diga-se de passagem!
 
Guaraci Mendes em 07/08/2015 09:13:58
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