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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

06/09/2016 06:44

Post simples inspirou amigos de Facebook a revelarem dores que unem muita gente

Paula Maciulevicius
Postagem de Júlia teve mais de 200 afirmações, onde a resposta vinha de cada curtida. Postagem de Júlia teve mais de 200 afirmações, onde a resposta vinha de cada curtida.

"IBGE rapidinho pra eu conhecer melhor vocês. É só curtir o comentário quem se identifica". Bastou a fotógrafa Júlia Palandi Gayoso começar a brincadeira de enquete no Facebook, para inspirar amigos a falarem de coisa séria. A ideia já tinha sido vista, rolando pelas redes sociais, mas sempre com perguntas superficiais. Desta vez, ela abriu caminho para temas profundos e os amigos só precisavam curtir para mostrar uns aos outros que ninguém está sozinho nessa. 

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Das 4 mil pessoas que Júlia mantém amizade no Facebook, 70% ela tem um contato direto. "Só que nunca tem como saber tudo o que está lá, entende? E teve gente que foi pedindo para eu colocar assuntos sérios, como distúrbios alimentarem e as pessoas gostaram de se identificar ali", explica Júlia, de 17 anos.

A medida em que as curtidas iam surgindo, Júlia conta que se surpreendeu. "Às vezes você imagina que só a gente está passando por isso, um exemplo: aquela que fala 'sou socialmente ativo, mas me sinto triste e para baixo' e teve muita gente curtindo que está sempre feliz", exemplifica.

Levantamento trouxe política, gênero e orientação sexual para as redes. Levantamento trouxe política, gênero e orientação sexual para as redes.

O levantamento começou com perguntas gerais, como homem, mulher e das diferentes religiões.

O comentário não vinha com um ponto de interrogação, mas estava explícito que se tratava de uma pergunta e que a resposta poderia vir num "like". Dos signos, Júlia parte para saber quem é a galera de humanas, exatas e biológicas e depois adentra em política "Fora Temer" ou "Bolsonaro 2018", questões sobre o feminismo - quem se enquadra, quem é contra e, frases que veem carregadas de discurso de ódio, por exemplo: "Bandido bom é bandido morto".

Depois de deixar aberto as opções quanto à orientação sexual, a fotógrafa também joga na roda para saber quem sofre por ter família conservadora, por sentir preconceito dentro dela e se tem medo de apresentar o companheiro à família.

Entre os comentários mais curtidos, estão as afirmações "já teve em um relacionamento abusivo" ou está em um? "Sofre de algum transtorno psicológico" e se "já pensou em suicídio só por um instante". Só este último, foram 282 pessoas curtindo.

"Me mostrou várias coisas, primeiro que a gente não está sozinho, tem sempre alguém que entende o que a gente está passando. A ansiedade, por exemplo, as pessoas se autoidentificaram numa situação. O número de curtidas sobre o assédio, meninas que foram assediadas até por professores e têm medo de denunciar", descreve Júlia.

E em pleno "Setembro Amarelo", mês destinado a discutir a prevenção do suicídio, saber que (até o fechamento desta edição) 282 pessoas pensaram em se matar apenas por um instante, foi assustador. "A gente não pensa nessas coisas, não é? Parece algo tão distante".

A ideia foi bem recebida e tiveram amigos que fizeram questão de observar isso publicamente. Estudante de Arquitetura, Isadora Conciani, de 20 anos, publicou: "Achei esse post lindo demais! deu coragem pra muitas pessoas dizerem, mesmo que de maneira tímida, coisas pesadas que passam. Deu pra ver que a sociedade anda pirando a maioria mas que talvez podemos estar juntos nessa. Amei muito, obrigada por ter feito isso".

Para a jovem, as afirmações e as curtidas que vieram nelas, foram um alerta, em especial quando foi especificado o tipo de transtorno psicológico, como a depressão.

"Pensei, poxa tem muita gente curtindo. Tem algo errado acontecendo com a maneira que estamos levando nossas vidas.... Vi pessoas que conheço, que já saí várias vezes e nunca pude imaginar que elas sofriam com isso, assim como eu também não acho que quem me conhece por aí imagina. Foi bom ver que não estou sozinha com isso mas também me fez pensar, por que escondemos tanto uma doença, infelizmente, tão comum?", questiona.

Também estudante, Érica Pereira Felício, de 21 anos, tenta puxar da memória uma vez que tenha visto um questionário assim nas redes sociais. No Facebook, ela encara que são poucas as pessoas que pedem opinião em postagens.

"Acredito que ela conseguiu abranger a maioria nas opções que ela colocou. Falou sobre a questão de bullying, problemas psicológicos e sobre autoestima. Eu já sofri na época que era gorda e, como comentei, só parou quando eu emagreci. Também falou sobre família, sobre como a gente se vê e sobre que tipo de violências já sofremos. A cada marcação eu percebi que não sou a única, que na verdade entre os amigos dela me encontro junto com a maioria, principalmente sobre questão de depressão", diz.

Estudante de Publicidade, Bruna Bruce, de 24 anos, foi uma das que engrossou o coro das curtidas sobre já ter pensado em suicídio. "Eu imaginava já que fossem tantas pessoas, muitas pessoas sofrem com isso, mas não imaginei que tanta gente teria 'coragem' de expor assim, acho que no momento que alguém dá o primeiro passo e desconstrói esse tabu, todas as outras pessoas criam coragem para fazer o mesmo".

Abaixo estão algumas das afirmações que a fotógrafa lançou no post:

Post simples inspirou amigos de Facebook a revelarem dores que unem muita gente
Post simples inspirou amigos de Facebook a revelarem dores que unem muita gente
Post simples inspirou amigos de Facebook a revelarem dores que unem muita gente



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