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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

27/10/2015 06:12

Procura-se 7 irmãos, deixados para trás há 64 anos por causa de pai violento

Paula Maciulevicius
A mãe já se foi e ficou ao filho Luiz a missão de encontrar os irmãos. (Foto: Marcos Ermínio)A mãe já se foi e ficou ao filho Luiz a missão de encontrar os irmãos. (Foto: Marcos Ermínio)

Ele conta como um conto a história da própria vida. Na verdade, justamente aquela parte que não viveu. Seu Luiz Carlos Pinto tem 64 anos e sete irmãos que nunca conheceu. A violência sofrida pela mãe 65 anos atrás fez com que ele fosse criado como único filho. Dona Emília, já se foi e ao filho ficou a missão que ele considera "espiritual" de encontrar os irmãos.

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"Vou pegar do começo. Minha mãe é natural de São José do Rio Preto, São Paulo, se casou em José Bonifácio, a data eu não posso dizer, mas foi com o senhor Joaquim Ananias Gomes. A época? Eu também não sei dizer. Mas é uma história que reconta mais de 40 anos atrás..."

Na hora de fazer as contas a história para no meio do caminho e Luiz corrige. "Se eu tenho 64, não não, foi antes. Eu nasci em 51, acho que é dos anos 49, até 50..." E retoma o pensamento. A família veio para Dourados trazendo alguns dos filhos nascidos no interior de São Paulo. Mas a violência do marido, que num palavreado ameno começa a ser descrita como "ignorâncias" por Luiz, fez com que ela largasse tudo.

Cabisbaixo, carpinteiro conta própria história sob a ótica do que não viveu: os irmãos. (Foto: Marcos Ermínio)Cabisbaixo, carpinteiro conta própria história sob a ótica do que não viveu: os irmãos. (Foto: Marcos Ermínio)

"Ela fugiu. Não aguentou. Ele bateu nela, era muito violento e ela jurou ele em vingança: de matá-lo ou fugir. Deus abençoou que ela só fugiu e veio para cá". O cá é a casa de uma amiga, no bairro Amambaí, em Campo Grande.

Seu Luiz continua a narração de uma história que ele sabe de cor e salteado. Na Capital, Emília Antônia da Paixão conheceu o marido: Eduardo Pinto, pai de seu Luiz. Do namoro, ele nasceu, dia 16 de julho de 1951. Desde então, sempre ouviu falar dos irmãos, os sete que ficaram num capítulo anterior.

"Se eu sei o nome? Gravei todos. É uma vida inteira de ansiedade e ouvindo o nome deles que não sai da mente: Sebastião Ananias Gomes, Antônio Ananias Gomes, José Ananias Gomes, Diolino Ananias Gomes e as mulheres: Benedita, Mariane e Gabriele, todas também Ananias Gomes", repete Luiz.

Ele, assim como a mãe, nunca teve oportunidade de se encontrar com eles. Por medo de vingança ou retaliação da parte do primeiro marido, dona Emília morreu em 1979, com mais de 70 anos, sem nunca saber o paradeiro dos filhos. A única pista que tem é a região de Dourados, onde a família tinha propriedades.

"Eu fui crescendo e me caiu esse remorso, de morrer sem ver eles. Desde que me entendo por gente ouço dos irmãos", completa Luiz.

Ciente de que ele é o único que pode correr atrás da família, Luiz chegou a procurar a imprensa em 2005, mas sem muitos resultados, largou mão. O que ele sabe? Imagina que o irmão mais velho tenha por volta de 84 anos. "É que minha mãe dizia que ele estava servindo o Exército em 64, ou já tinha dado baixa", era pelas contas da mãe que seu Luiz se baseava.

Fora isso, diz que dona Emília dizia que os filhos de lá tinham o "dom de serem músicos". Enquanto Luiz foi criado no Pantanal da Nhecolândia. Carpinteiro rural, ele viaja o Estado, trabalha em sítio e fazenda e onde para: conta a mesma história, repete os mesmos sete nomes, tudo na esperança de encontrar qualquer informação válida.

"Se isso era um peso para minha mãe? Com certeza... Ela não comentava muito, era uma jovem muito geniosa, paulista da Velha Guarda", descreve o filho.

O que falaria aos irmãos hoje? O silêncio domina. E ele diz que só de pensar, lhe faltam palavras. "Só de saber, de encontrar um irmão, meu sangue? É uma emoção muito forte. Essa é minha missão espiritual. Faço por mim e por ela [a mãe]".

Sobre si, seu Luiz diz que por coincidência, assim como tem sete irmãos, ele é pai de sete filhos, avô de 12 netos e nem calcula quantos sobrinhos possa ter. À reportagem ele pede para que um telefone seja deixado, de contato, por quem souber de notícias: 9650-7390.

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Essa sugestão de pauta veio da leitora e jornalista Juliana Rezende.

Por coincidência, assim como tem sete irmãos, Luiz é pai de sete filhos, avô de 12 netos e nem calcula quantos sobrinhos possa ter... (Foto: Marcos Ermínio)Por coincidência, assim como tem sete irmãos, Luiz é pai de sete filhos, avô de 12 netos e nem calcula quantos sobrinhos possa ter... (Foto: Marcos Ermínio)



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