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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

30/01/2015 06:56

Quase um dia inteiro sem filhos, angustia de pais e liberdade para as crianças

Carol Alencar
Miguel, de 3 anos, e Ravi, de 9 meses, na casa da vovóMiguel, de 3 anos, e Ravi, de 9 meses, na casa da vovó

Logo cedo foi aquela mesma coisa de todas as manhãs. Como na música, todo dia ela faz tudo sempre igual... e já, às seis da manhã estávamos acordados. Brinquei, mimei, mordi com carinho, acariciei, vimos os vídeos prediletos, dei banho nos dois, fiz o suco natural dos dois e tchammm, fomos almoçar na casa da vovó.

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Miguel, de 3 anos, e Ravi, de 9 meses, amam ir para a casa da vovó. Ufa! Dias assim são bons, porque sobra tempo para ficar mais com eles, não preciso ficar pensando no almoço, na louça, na cozinha, enfim...fomos.

Voltei sozinha. Passei aquela tarde inteirinha sem os filhos. Foi um vazio, mas um vazio tão grande que fiquei igual barata tonta pela casa. Sim, tinha um monte de afazeres, tanto de casa quanto profissionais. E pensa se eu consegui completar algum?! É, quando se tem uma rotina fixa, com horários certinhos e até com o cronômetro interno organizado, e vem um dia destes, sem filhos, tudo vai por água a baixo, ou quase.

Parei, me organizei, comecei a escrever um artigo para uma revista. Dai, parava, pensava no silêncio da casa. Aquela loucura, de brinquedos esparramados, risadas de crianças e chororô deles estavam nos meus pensamentos, cravados. Pelo amor de Deus, nem com umas horinhas sem eles você não consegue relaxar? Não. Snif. Vida de mãe é em tempo integral, até mesmo na hora que estamos dormindo, sonhamos com eles. O que eu posso fazer?

Fiz o artigo, por um milagre eu consegui escrever. Depois, coloquei um som na casa e deitei no sofá, para enfim, relaxar. Quem disse? Celular, iPad, notebook. Tudo nas mãos. Recebo uma mensagem da minha mãe, com fotinhas deles. Fico namorando as fotos. Mesmo deitada, mas sem estar completamente relaxada. Mas vamos lá. Desconecta do mundo Caro! Você consegue. Quando tento, ao menos dois minutos, o marido liga para ir buscá-lo. Lá vou eu.

Voltamos para a casa. Ainda tínhamos um tempo sozinhos, sem as crianças. Podíamos namorar, ficar deitadinhos nos curtindo, podíamos sei lá, ver um filme... Quem disse?

Ficamos no jardim, tomando um tereré, varrendo, cuidando das nossas plantas e esperando dar a hora de ir buscar as crianças. Resumo deste dia tão comum e sem graça.

Temos de libertar os filhos, com momentos deles com os avós, com madrinhas...em momentos sem os pais por perto. Este desapego é fundamental para ambos, pais e filhos. Por mais que a criação com apego seja fundamental, dentro do nosso convívio diário, essa liberdade também soma para as crianças. Cabe a nós pais, apegados, trabalhar isso dentro da gente e deixar as coisas fluírem. 

*Carol Alencar é jornalista, dona de casa, amiga e mãe de dois.

 




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