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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

15/04/2013 07:50

Regras engraçadas de quem é casado há 50 anos, mas vive como cão e gato

Elverson Cardozo
Aluna do 9º ano, Célia Rondon afirma que voltou para escola porque não suporta o marido. (Foto: Marcos Ermínio)Aluna do 9º ano, Célia Rondon afirma que voltou para escola porque não suporta o marido. (Foto: Marcos Ermínio)

Nas andanças por Campo Grande, o Lado B encontrou uma história de amor, mas de um amor às avessas, daqueles que parece ter sido retirado de um roteiro de cinema, de uma comédia romântica. Um simples encontro, uma conversa descontraída, informal, e o relato de vidas comuns, de gente como a gente. Impossível segurar o riso e sufocar a gargalhada.

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A entrevistada de hoje é com uma senhora de 71 anos, bom personagem para matérias sobre superação e determinação aos estudos na chamada “melhor idade”. Exemplo para novos e velhos, Célia Rondon da Costa é mais uma aluna que integra a turma do período noturno do 9º ano na Escola Estadual Maestro Frederico Lieberman, no bairro Monte Castelo, em Campo Grande.

Ela resolveu voltar para a sala de aula há 3 anos. De lá para cá, nada mudou. A mulher continua dedicada, firme e forte. A vontade de aprender é invejável, digna de elogios, mas o motivo que a fez se debruçar, novamente, sobre os livros, passa bem longe do desejo de se formar e conquistar uma posição no mercado.

É claro que, com o tempo, isso se tornou mais um objetivo a ser alcançado. Quando terminar o ensino médio, a senhora pensa em prestar vestibular para algum curso que permita atuação na área de saúde ou, quem sabe, tentar uma graduação que a qualifique para dar aulas a crianças.

Espontânea, dona Célia arranca gargalhada de qualquer um. (Foto: Marcos Ermínio)Espontânea, dona Célia arranca gargalhada de qualquer um. (Foto: Marcos Ermínio)

Tudo isso, porém, são planos para o futuro arquitetados agora. A curto e médio prazo, dona Célia quer mesmo é ser ver livre do marido, o garapeiro Sebastião Alves da Costa, de 75 anos, com quem está casada há meio século.

Foi de tanto reclamar do companheiro e tentar “enfiar” o coitado em tudo quanto é resposta sobre os estudos, rotina turbulenta e perseverança, que o Lado B resolveu contar essa história.

Em casa, a situação estava ficando feia com tanta briga. Como já é tarde para se livrar da “encrenca” que entrou há 50 anos, a aposentada não viu saída senão voltar à escola na intenção de “refrescar a cabeça”. Quando mais tempo fica fora, melhor. Pelo menos é isso o que ela prega como teoria. A prática é outro assunto.

“Se você é ruim para sua mulher, acha que ela vai te gavar, moço?”, perguntou ela, logo que começou a reclamar. “Antes eu estar estudando do que meu marido ficar aqui, brigando comigo”, disse.

O casal vive em pé de guerra. Ela jura que casou forçada pelo pai e que nunca gostou do esposo, mas se enrola toda na hora de explicar porque resolveu comemorar as bodas de ouro com ele em dezembro do ano passado.

O clima de “gato e rato” é tanto que dentro de casa há regras definidas, engraçadas por sinal. Ela só toma leite da marca “Garotão”. Ele só consome a bebida se o saquinho, da mesma empresa, estampar a palavra “Mais”. Aí dela se ousar trocar os pacotes. “Nossa guerra começa por aí. Se eu beber o dele é a mesma coisa de sentar uma pedrada nele”, disse.

Aposentada e os saquinhos de leite. Ela só bebe se for Garotão. Ele só toma o Mais. (Foto: Marcos Ermínio)Aposentada e os saquinhos de leite. Ela só bebe se for "Garotão". Ele só toma o "Mais". (Foto: Marcos Ermínio)

Os pratos são separados. Os dela, de porcelana. Os dele, de vidro. Talhares também são divididos. Inexplicavelmente, o casal ainda divide a mesma cama, mas nem tudo são flores.

“O dia que ele fica me perturbando eu venho dormir no sofá. Tem dia que é ele que pula fora, está com a cachorra no coro e vai dormir lá. É assim. Essa cachorrada”, revelou.

As brigas, explicou, ocorrem há anos, desde o início do casamento porque o esposo, seo Sebastião, é “bruto”, e quer tratá-la a “rédeas curtas”. “Quem anda nos freios é égua. Não sou égua”, comentou, enfurecida.

Aparecida Rondon da Costa, de 46 anos, é uma das filhas do casal que fica no fogo cruzado. Desde criança, relembrou, o casal troca farpas, mas as discussões, na maioria das vezes, sempre foram provocadas pela mãe, que não aceita ser contrariada e, além disso, é ciumenta.

Filha, Aparecida Rondon, vive no fogo cruzado. (Foto: Marcos Ermínio)Filha, Aparecida Rondon, vive no fogo cruzado. (Foto: Marcos Ermínio)

Para a dona de casa, Sebastião e Célia se amam, mas são durões e fazem de tudo para não demonstrar o que sentam. Ela, ao invés de se acertar com o marido, parece que fica procurando motivos para brigar. Ele, diante da situação, acaba se retraindo e fica ainda mais distante. “Pelo jeito que a gente se vê eles se amam, mas não querem dar demonstração”, disse.

Aparecida e os outros filhos vivem tentando reaproximar o casal, mas a birra dos dois não deixa. “Depende deles”, sentenciou.

Para não ser injusto e, claro, para ouvir o outro lado dessa história, o Lado B foi atrás do garapeiro. Sebastião, ao contrário de dona Célia, aparenta ser tranquilo e cai na risada quando descobre as reclamações da mulher ditas à reportagem. “Ela está exagerando demais da conta”.

Taxado de mulherengo sem dó ou piedade, ele se defende como pode e brinca que deveria ter sido “biscateiro” mesmo, já que agora está sendo acusado injustamente. Em 50 anos de casado, garantiu, nunca traiu a mulher.

Sorridente, Sebastião conta que a mulher é ciumenta e barraqueira. (Foto: Marcos Ermínio)Sorridente, Sebastião conta que a mulher é ciumenta e barraqueira. (Foto: Marcos Ermínio)

Mas ele sabe que casou com uma “fera”. Quando noivou, o sogro foi o primeiro a alertar. “Ele falou para mim: ‘vocês vão casar, mas minha filha é birreta e pirracenta’. O pai avisou e ela é assim mesmo. Se você diz que aquilo não é assim, aí que ela quer”, disse, ao desmentir a declaração de que o casamento foi arranjado.

Além da pirraça, a esposa é ciumenta, beira à doença. Faz barracos mesmo. Outro dia, para espantar a clientela feminina, foi a garaparia dele e molhou todos os bancos para que nenhuma “assanhada” pudesse sentar.

“Eu tinha muita freguesia, mas agora não para mais mulher. Ela [a esposa] aparece lá na esquina e vem aqui”, contou.

Mas o problema, a “irritação” da esposa, aumentou de um tempo para cá. Desde que passou por uma cirurgia na próstata, Sebastião “não comparece”.

Garapeiro aguenta a fera há 50 anos, mas diz que a ama. (Foto: Marcos Ermínio)Garapeiro aguenta a "fera" há 50 anos, mas diz que a ama. (Foto: Marcos Ermínio)

Ele não gosta de comentar o assunto, mas a esposa, escandalosa, vive soltando aos quatro ventos a insatisfação. “Eu sei que ela ainda é fogosa, mas ela não quer entender”, lamentou.

Apesar dos problemas, o garapeiro, diferente da mulher que não dá o braço a torcer, declara amor incondicional à Célia e diz que quer estar sempre ao lado dela, especialmente agora, na velhice.

Ela, durona como sempre, não assume a paixão. Prefere dizer que está “meio lá, meio cá”: “Eu, assim... Nem chove, nem molha como diz os antigos”.

“Não sou mais homem para ela e para ninguém, mas temos que terminar agora? Agora que eu preciso dela e ela de mim? Não é como no tempo em que a gente era novo e cada um podia ir para um canto”, finalizou o garapeiro.




Parece a historia do meu sogro e da minha sogra, ela era brava e ciúmenta e ele risonho, ela que brigava com ele o tempo todo já iam fazer 50 anos de casados, mais em fevereiro de 2010 ela faleceu e com 3 meses depois um dia antes do aniversario dela se estivese viva, ele também faleceu, ele dizia que a vida tinha perdido o sentido sem ela, foi a forma mais linda de um amor pra vida toda. Eles se amaram muito, quando ela ficou doente, e foi interna, ele ia la no hospital e pareciam que nunca haviam brigado,kkkk. lindo os pais do meu marido, esperamos chegar a viver uma linda historia de amor assim.
 
Helena saviolli em 16/04/2013 00:48:54
Que fofo gente! muito linda esta história de amor, vcs acreditam que esta história se parece muito com a história de vida da minha sogra com meu sogro? minha sogra jura que foi casamento arranjado pelo pai e que não ama o esposo, mas o casamento ja dura 50 anos e acredito que só vai acabar no fim da vida...
 
Carla Roland em 15/04/2013 20:43:57
Equipe do Campo Grande News, vocês são demaisssssssssss
Por essa eu não esperava, parabénsssssssssssssssss

Essa matéria tem ingredientes pra uma semana de risosssssss
Boa pra não ter mais tanto

Aos pombinhos, toda felicidade do mundo e como diz alguém que conheço: vivo arranhado, mas não largo minha gatinha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
Divina Lemos em 15/04/2013 15:05:22
Estou extasiada de tanto rir!
Matéria fantástica, digna de novela. Parabéns a equipe.
 
Fatima Rezende em 15/04/2013 11:27:41
Que Deus dê ao seu Sebastião e dona Celia,mais cincoenta anos de felicidade e briguinhas que só servem para aquecer mais o amor desse relacionamento,Parabens aos dois.KKKKKK.
 
Teresa Moura em 15/04/2013 10:59:00
Entre tapas e Beijos, aliás, mais tapas que beijos, o casal dá exemplo de convivência aparentemente forçada mas, perceptivelmente, de amor mútuo. Quantas vezes devem ter falado em separação? No entanto o amor sempre falou mais alto. Belo exemplo para casais jovens que não suportam o primeiro conflito no casamento para "chutar o pau da barraca". Não tomar decisões na hora da raiva e esperar o sangue esfriar para perceber o bem maior que é a união conjugal e familiar. Parabéns ao casal e ao Elverson Cardozo pela matéria.
 
Mário Soares em 15/04/2013 09:55:44
Ow dona Celia, o seo Sebastião é bonitão, tem que cuidar mesmo dele,pois a mulherada tao solta por ai....
 
fernanda lemes em 15/04/2013 08:44:21
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