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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

16/10/2013 06:12

Sem atrasos ou adiantamentos, relojoeiro mais antigo da cidade completa 86 anos

Paula Maciulevicius
Sem óculos, aos 86 anos, ele monta e desmonta os relógios enxergando as peças com o coração. (Fotos: Cleber Gellio)Sem óculos, aos 86 anos, ele monta e desmonta os relógios enxergando as peças com o coração. (Fotos: Cleber Gellio)

Tic tac. Tic tac. Tic Tac. Nas paredes amarelas para onde leva a portinha da esquina das ruas Antônio Maria Coelho e José Antônio, estão os instrumentos que orquestram a sinfonia do ambiente. De parede, pulso, corda, cuco, ou automático. É pelo tictaquear dos ponteiros a paixão do relojoeiro mais antigo da cidade. Tanto de idade, como de profissão. Sem atrasos ou adiantamentos, Jorge Fraiha completa 86 anos nesta semana e 67 deles dedicados a consertar minutos e segundos.

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“Quando você começa a namorar, não fica apaixonado? Não quer ver toda hora? Não fica lembrando? Minha paixão são os relógios e olha lá embaixo pra você ver”. Pela janela dá para ver o outro amor, o Fusca vermelho ano 75, todo reformado.

“Para tocar pilha é meia dúzia. “Tem lugar que é R$ 10, mas se quiser eu indico um de R$ 15 pra você”. É assim que ele recebe cliente no pequeno comércio de consertos que tem a mesma cara há quase 20 anos. “Ué reportagem? Eu pensei era que você fosse trazer um monte de relógio para eu consertar” e cai na risada.

De corda, parede, pulso e cuco. É por essa portinha na Antônio Maria Coelho que se adentra ao mundo dos relógios. De corda, parede, pulso e cuco. É por essa portinha na Antônio Maria Coelho que se adentra ao mundo dos relógios.

‘Seo’ Jorge é figura que o tempo construiu. A parede repleta de horas e segundos tem de tudo quanto é tipo de marcador de horas. Volta e meia ele ensina como funcionam. “Isso aí é um relógio simples, de pouca peça, são os dois pesos da corrente que regulam o relógio. Tem que descer para adiantar”, explica.

Corumbaense só mesmo na certidão de nascimento. Filho de libaneses, ele se considera campo-grandense. “Ninguém me tira isso. Sou daqui de coração”. O ponto de trabalho sempre foi ali. Quando não na lojinha da esquina, na casa ao lado, onde mora até hoje.

O espaço é relativamente pequeno, entre tantos ponteiros. O ofício é desenvolvido numa mesa de madeira já gasta pelo tempo. A iluminação é fraca e precisa da mãozinha de uma luminária. O impressionante é ver que aos 86 anos ele dispensa óculos. Enxerga as peças com o coração.

“Uso essa lente só, mas tem que ser de perto, bem de pertinho”, demonstra. O ‘cabelo’, por exemplo, a menor e mais importante peça do maquinário de um relógio é um círculo que a olho leigo passaria despercebido. Eu mesma pensei que fosse sujeira.

“Só não coloca a mão menina. Se derrubar isso, eu te dou um pito”, alertou. Só olhei de longe.

O tic tac não para um segundo no comércio de quem passou 60 anos da vida atrás dos relógios.O tic tac não para um segundo no comércio de quem passou 60 anos da vida atrás dos relógios.

Ele diz que não gosta de aparecer, mas a paixão pelos relógios é dividida com o mesmo gosto que tem pelos 90 minutos de uma partida. Na década de 70 foi juiz e chegou a ser técnico do Comercial.

“Hoje jogador não joga bola não. Eu sou ruim, sou bravo. É que antigamente, senão jogasse bola, ia embora. Eu rasgava filha de jogador no vestiário. Você é moleque e no meu time não joga”, recorda.

Pela idade ele bem que já podia ter se aposentado. Mas responde de supetão quando questionada essa possibilidade. “Só hoje de manhã eu ganhei R$ 30. Aonde eu vou arrumar isso? E outra, vou ficar em casa lavando roupa? Chão?” Nem precisa responder que a gente já entendeu que não.

O aprendizado veio com o relojoeiro Eros Fachini, um italiano que lhe ensinou a magia das horas quando Jorge tinha então 19 anos. Trabalho que dura até hoje, das 7h da manhã às 5h da tarde.

Tem intervalo no almoço e exceção em dia de jogo da seleção. Mas cliente que bater na casa ao lado, tira ‘seo’ Jorge do almoço para o relógio fácil fácil. A televisão que antes ficava no quarto teve de vir para a sala. Por vezes a mulher de relojoeiro pegou cliente acomodado na cama, assistindo televisão.

Na casa, ele já perdeu as contas de quantos relógios guarda. “Deve ter uns 30, 40, 50... Tem relógio de mais de 15 anos que o dono não vem pegar. Quando vem eu entrego, não interessa o ano”.
Os ponteiros que não lhe saem da mente são justamente os primeiros que usou no pulso. Um modelo Tissot 47 comprado no final da década de 60. “Quando comecei a trabalhar, tinha que ter um relógio. Paguei 100 cruzeiros na época, ia pagando 10 por mês. Hoje eu estava pegando nele, é niquelado, usei por muitos e muitos anos ele”.

Os fregueses, ele garante, são bem selecionados. Não tem estúpido, bravo e nem mal educado. Depois do que ele acredita ser propaganda dos consertos, ele já antecipa a responsabilidade. “Se amanhã minha loja formar fila, você é a culpada”, brinca.

Os 86 anos chegaram e muito bem. Para fechar pergunto a quem sempre viveu do tempo, se os ponteiros foram generosos a ele. “Não falo que vou chegar aos 100 porque não acredito. Acho que até uns 92, 94 eu chego. Eu não faço a vontade de ninguém, eu faço a minha”.




Parabéns Tio querido, que Deus te abençoe e te guarde sempre!
Elias Fraiha e Cristiane Fraiha
 
Elias Fraiha em 23/10/2013 23:10:49
Esse é o Fraiha. Grande homem, grande pessoa humana.
É meu tio-avô. Irmão de outro grande homem, Demétrio Fraiha, meu avô materno. Hoje, distante de Campo Grande (moro em Campinas-SP), lembro com saudade desse tio querido.
Parabéns Campo Grande News pela belíssima homenagem.
 
Wanderlei Fraiha Paré em 20/10/2013 20:06:05
Parabéns meu pai pela homenagem muito bonita e merecida, que você recebeu ao completar seus 86 anos, fiquei feliz e emocionada. Agradeço a Deus, por você alcançar esta idade com vitalidade e transmitindo toda essa alegria. Continue assim, pois a vida é bela e merece ser vivida intensamente, aí está a receita da longevidade.

Deus te abençoe.

Te amo.
 
Ana Luiza Fraiha Machado em 18/10/2013 23:03:55
Parabens tio Jorge que Deus abençõe hoje e sempre um abraço carinhoso.
 
Dulcel Léa de Almeida Ronchetti em 18/10/2013 17:38:42
Parabéns tio Jorge que Deus abencõe hoje e sempre um abraço carinhoso.
 
Dulce Ronchetti em 18/10/2013 17:31:49
Parabéns Paula pela excelente matéria, meu pai tem muita saúde e sabedoria, sempre disposto a nos ajudar ,não tem preguiça p nada, sempre caminha, joga baralho, faz palavra-cruzada, ao lado da minha mãe levam uma vida saudável e feliz, os admiro pelo carinho e respeito que um tem pelo outro, criando eu e meu irmão Daniel, com muita educação e suas netas Emanuelly e Isabelle com todo mimo e estragando como um avô faz, não peço dinheiro a Deus, peço que dê saúde aos meus pais, amor e muita sabedoria como eles tem. Obrigada Paula por valorizar uma das pessoas que mais amo nessa vida, amo hoje e para todo sempre, meu pai Jorge.
 
ana otávia em 17/10/2013 11:50:05
Parabéns tio Jorge Fraiha, muitas bênçãos de Deus!!!
 
Gisele Fraiha em 17/10/2013 10:55:42
Este é o meu avô... homem simples e cheio de história. Amo você, Vô Fraiha!
 
Erick Fraiha em 17/10/2013 06:44:28
Parabéns avozão!!!!
Ser de fibra, coragem e guerreiro! Lembro-me dos velhos tempos quando nós (netos), ainda criança, disputávamos quem ia no "chiqueirinho" do carro do vovô... o mini porta malas do velho fusca!!!! Kkkkkk!!!! Eita, tempo bom!!!!
Vô, que a graça de Deus permaneça sobre você e que sua história se perpetue nas próximas gerações.
Amo você!!!
Rafaelle Fraiha
 
Rafaelle Fraiha Bonfim em 16/10/2013 23:16:50
Parabéns, meu velho!
Cresci com essa sinfonia: dim-dom, dim-dom, dim-dom.... e, a nós, nunca faltou o pão. E assim se foram netos e bisnetos embalados na mesma sinfonia: dim-dom, dim-dom. Um exemplo de dedicação e persistência no seu ganha pão e assim criou seus cinco filhos: Ana Luiza, Carlos Roberto, Jorge Luiz, Helena Lucia e Ivana Catarina.
Em mim eternizados estão os momentos ¨dim-dom¨ de um grande homem, um grande pai, exemplo de disciplina, persistência e determinação.
A você, meu pai, meu terno amor e admiração.
Parabéns!!!
Helena Lucia Fraiha Bonfim
 
Helena Lucia Fraiha Bonfim em 16/10/2013 23:05:42
Linda homenagem a uma das pessoas mais honestas que eu conheci em toda minha vida!!exemplo de vida parabéns pelo orgulho que sinto do senhor.bjs Aninha
 
ana otávia em 16/10/2013 21:31:13
Trabalhei com ele, na decada de 80, numa auto-peças. Gente muito boa. Só exagerava um pouco nas historias. Mentia que doía. (rsrsrs) E o fuscão vermelho? Se batesse a porta com força ele já dizia:''rapaz, isto é igual à geladeira, de leve....."
 
alberto rodrigues em 16/10/2013 17:56:16
esse é o meu tio Fraiha , pessoa incrível e sempre bem humorada , que Deus permita mais muitos anos de vida para podermos desfrutar da sua companhia.
 
Lincoln Fraiha em 16/10/2013 17:48:21
esse e meu querido tio jorge amo esse homem como se fosse meu pai desejo tudo de bom para ele uma grande figura parabens felicidade em td. o sr, merece essa homenagem ate chorei de emoção te amo muito velhinho querido
 
ieda ferreira de almeida pereira em 16/10/2013 17:30:33
Seu Frahia ... esse velhinho ai é exemplo!


 
DALILA SOARES em 16/10/2013 13:25:52
muito bonita a atitude do senhor... meus parabens fiquei
adimirado com a materia...
 
matheus dantas em 16/10/2013 13:21:59
Belissima!!! matéria Paula Malciulevicius, como sempre arrebentando no seu trabalho.
Essa matéria, foi merecida ao nosso querido Jorge, que esta há anos no ramos.
Muito sucesso e principalmente SAÚDE, ao nobre relojoeiro.
 
Neyde de Oliveira em 16/10/2013 12:41:56
Brilhante a reportagem sobre o "tio Fraiha" como é conhecido pelos amigos e familiares. Ele sempre foi uma pessoa brilhante para conversar e dedicado ao seu trabalho, fico feliz em vê-lo em forma e contente que ainda tem o seu Fuca vermelho, companheiro inseparável.
 
Amilton Pereira Dantas em 16/10/2013 12:12:46
Meu querido amigo Frahia, voce merece essa reportagem. A cidade cresceu muito e perdemos contato com os amigos de velhos tempos! Deus te abençoe amigo velho. Douglas
 
Douglas Silva de Deus em 16/10/2013 12:05:11
SEM COMENTARIO SENHOR MUITO HONESTO E DEDICADO AO TRABALHO ATÉ NA VESPERA DE NATAL TRABALHA MUITO BOM PROFISSIONAL PARABENS
 
RODRIGO VASSAN em 16/10/2013 11:13:59
Depois de ler esta brilhante matéria, fiquei impressionado com a disposição do Sr. Jorge, mostrando que idade está só no papel, pois fazer o que ama, faz com que ele se sinta sempre forte e feliz! Tenho relógio, agora ficou fácil saber aonde vou levá-lo para trocar a pilha ou consertá-lo. Parabéns ao Sr. Jorge, como também, a Paula Maciulevicius, pela brilhante matéria!
 
Rodrigo Rossi Maiorchini em 16/10/2013 11:04:34
é um exemplo de vida
 
angelica miranda em 16/10/2013 08:20:08
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