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Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

25/09/2016 07:25

Uma música dedicada ao político infiel e pagamento vem em nota de cinquentão

Lenilde Ramos
Uma música dedicada ao político infiel e pagamento vem em nota de cinquentão

Aproveitando a pauta política, me lembro de quando tocava em um restaurante fino e, lá pelas tantas, aparece um político com uma loiraça a tiracolo, todo faceiro, como se fosse invisível.

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A dita cuja eu não conhecia, mas o dito cujo, sim. Eu estava ali cantando pra ganhar meu cachezinho suado e o excelência, meio de lado, ainda não tinha me visto.

Mas também, olhar pro músico pra quê, quando a maioria nos vê como acessórios?

No começo, fiquei na minha e pensei: "Não vou enfiar a mão em cumbuca", mas a cabeça de moleca não se aguentava, querendo aprontar.

Eu conhecia as origens do excelentíssimo e resolvi cutucá-lo cantando uma música de sua terra natal. Batata! O nobre representante do povo girou o pescoço devagar e nossos olhares se bateram de frente.

Eu cantava com gosto e ele me dirigia o sorriso amarelo mais profissional que era capaz, enquanto as entrelinhas da cena dançavam ao som daquela música que durou um século.

Pensei comigo: "Ok, tá de bom tamanho... ele entendeu o recado e vou seguir com o repertório". Minutos depois, um garçom vem em minha direção com uma bandeja e diz: "O nobre cliente quer agradecer a música".

Lá estava uma nota de cinquenta, com a qual tenho afinidade por causa da onça no verso. Peguei a pintada na unha, olhei pro do dito cujo e agradeci com um aceno, que ele respondeu mais amarelo ainda.

Meses depois, estava eu cantando em outro restaurante quando aparece o tal homem público, dessa vez acompanhado da patroa original, que eu também conhecia.

Abri um sorriso e pensei: "hoje faturo dobrado". O excelência nem me olhou. Cantei música da terra dele e outras coisas que imaginei que ia gostar... e, nadica de nada. Nem uma onça pintada, mico-leão dourado, arara, muito menos tartaruga. O cara me botou no bolso direitinho.




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