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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

30/04/2014 06:50

Universitárias dispensam cantadas de pedreiros e criam polêmica na UFMS

Elverson Cardozo
Cartaz está em um dos corredores da UFMS. (Foto: Pedro Peralta)Cartaz está em um dos corredores da UFMS. (Foto: Pedro Peralta)

Um cartaz elaborado por acadêmicas do curso de Letras, para a 1º Semana de Combate à Cultura do Estupro, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, gerou desconforto e polêmica e serviu para mostrar, também que, como diz o ditado popular, “o feitiço às vezes vira contra o feiticeiro”.

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Fixado em um mural, que fica em um dos corredores da universidade, no bloco do CCHS (Centro de Ciências Humanas e Sociais), o aviso, escrito em letras vermelhas, em cima de uma cartolina amarela, traz o seguinte texto: “Caro pedreiro, não precisamos das suas cantadas para nos sentirmos gostosas”.

A mensagem, diante das outras, não chamaria tanto a atenção se o recado não tivesse um destinatário específico: os pedreiros.

Pedreiros que trabalham no canteiro de obras da universidade não gostaram do aviso. (Foto: Pedro Peralta)Pedreiros que trabalham no canteiro de obras da universidade não gostaram do "aviso". (Foto: Pedro Peralta)

Em uma obra ao lado da Biblioteca da UFMS, perto do monumento “Paliteiro”, trabalhadores dizem que não gostaram do aviso exibido no corredor.

Na profissão há aproximadamente 20 anos, Leandro Gonçalves, de 35, diz, na simplicidade do discurso, que “quem vê cara não vê coração”: “Tem umas que gostam e outras que não. Umas se sentem poderosas e outras não se sentem bem ‘adequadas’”.

Ele não esconde que, entre os colegas de profissão, há os mais “equivocados”, que mexem mesmo, chamam as mulheres de gostosa e “um monte de coisa”. “Mas aqui, na nossa equipe, não fazemos isso. A gente só olha, admira, diz bom dia, boa tarde. É o nosso modo de tratar as pessoas com um pouco mais de educação”, garante. O cartaz fixado no mural avalia, “é um modo de dizer que elas não querem saber dos pedreiros”.

Sem papas na língua, o colega, Jânio Antonio Ribeiro, de 37 anos, pedreiro há duas décadas, é mais incisivo. “Isso é preconceito. Se fosse um cara de carrão e dinheiro mexendo elas iriam se achar as gostosonas”, afirma.

Na função há 3 anos, Marcos Pereira de Jesus, 31, gosta da observação de Jânio e, no calor da discussão, acrescenta: “Se eu voltar para casa, tomar um banho e passar aqui com meu carro, passar aqui e dizer ‘oi’, ‘boa tarde’, elas vão me cumprimentar de um jeito diferente. Garanto que se fizer isso e oferecer carona, alguma vai aceitar. Mas estamos sujos, trabalhando e elas pensam que a gente é Zé Ninguém”.

Para ele, muitas acadêmicas, inclusive aquelas que levantam bandeiras como essa, “são uma coisa dentro e outra fora” da universidade. Leandro Gonçalves concorda. “A maioria que está na faculdade quer se mostrar importante, mas, às vezes, são inferiores a nós e que dependem de um padrinho para se manter”, alfineta.

Victória Scheinson achou o recado preconceituoso. (Foto: Pedro Peralta)Victória Scheinson achou o recado preconceituoso. (Foto: Pedro Peralta)

Na visão de alguns estudantes, os responsáveis pela ação agiram com preconceito de classe. Por outro lado, há quem diga que não existe motivo para polêmicas, já que esses profissionais sempre foram alvos de “brincadeiras” e o texto, de alguma forma, cita a classe apenas para falar de todos os homens que agem de forma desrespeitosa com as mulheres.

É o que pensa o acadêmico de Letras Wederson Matoso, de 23 anos: “Eu acho que está certo porque não concordo com a visão sexualizada da mulher, que não anda por aí para ser cantada”.

O pedreiro, prossegue o jovem, foi só um estereótipo usado de maneira jocosa e que, talvez, não tenha sido bem interpretado pelo “lado mais moralista e politicamente correto” da sociedade. Apesar do discurso, Wanderson comenta que “se o cara for bonito é claro que a mulher vai dar moral”.

É essa contradição que incomoda as estudantes Victória Scheinson, de 19 anos, e Izabeli Carvalho, 21, ambas do curso de Economia. Elas acham que o cartaz tem, sim, tom preconceituoso porque, do jeito que está, dá a entender que só os pedreiros passam cantadas. “É uma coisa que eu não faria”, diz Victória. “É invasivo para os dois lados”, completa a amiga.

Acadêmica de Ciências da Computação, Kelly Sandim, 19, também critica a atitude dos estudantes: “Não vejo a necessidade de escrever um cartaz como esse, porque as mulheres não precisam ficar se abrindo assim para se sentirem bem. Elas são fortes por natureza. O que precisa, mesmo, é uma remodelagem dentro das famílias para que haja igualdade entre os sexos”, argumenta, ao dizer que frases do tipo ‘eu não mereço ser estuprada’ não lhe representam.

Wesley disse que interpretação depende do ponto de vista de cada um. (Foto: Pedro Peralta)Wesley disse que interpretação depende do ponto de vista de cada um. (Foto: Pedro Peralta)

Mestre em Educação Matemática, Wesley da Silva, de 24 anos, comenta que a interpretação depende do ponto de vista. A palavra pedreiro, no julgamento dele, não soa tão forte. O problema é que, quem lê, logo relaciona o recado à classe social. “Eu mesmo já falei tantas vezes e não sou um pedreiro”, disse, referindo-se ao hábito da cantada. “Isso deve ter sido escrito por uma mulher, porque relaciona o homem a um ser ignorante e burro”, critica.

Wesley acertou. Uma mulher, acadêmica de letras, é a responsável pelo “recado” que acabou dividindo opiniões. Bruna Camargo, 20, do mesmo curso, está do lado daqueles que acreditam que não há motivos para polêmicas. A estudante foi enfática ao dizer que não achou a mensagem preconceituosa porque, nas palavras dela, o pedreiro da frase representa todos os outros homens que agem de maneira nada agradável.

“Essa referência foi um estereótipo, porque, geralmente, quem fala de cantada lembra das cantadas de pedreiros que, geralmente, são de baixo nível. Foi uma forma de dizer que nós não precisamos disso para nos sentirmos mulher e bem. Que não precisamos de um rapaz assoviando para nos acharmos bonitas e nem de um cara me parando na rua, me assediando na esquina. Eu acho isso muito injusto porque não acontece com os homens”, declara.

Erro de comunicação - A amiga, Raíssa Brittes, de 20 anos, pensa de maneira semelhante, mas faz questão de dizer que o texto, para ela, revela, sim, o preconceito de classe, embora a intenção da autora não tenha sido essa.

“Na verdade ocorreu todo um problema de comunicação. O próprio grupo reclamou na hora que foi feito. A gente tinha decidido que nem iria colocar só que na hora de pregar acabamos pregando, mas decidimos, ontem (28) mesmo, que vamos tirar”, garante, mesmo com o cartaz ainda no corredor no fim da tarde de terça-feira. 




E isso é curso de letras... Deveriam saber que palavras machucam mais do que paus e pedras. No caso em tela, jogaram a palavra pra cima e tomaram uma "palavrada" na cabeça.
Alguns acadêmicos do curso de letras entendem que a profissão de pedreiro representa "todos os outros homens que agem de maneira nada agradável" e quem reclama é a parte moralista da sociedade.
Primeiramente, já afirmam seu posicionamento contrário à moral.
Segundo, pela lógica deles, por causa de alguns pedreiros (aqueles que agem de maneira nada agradável), é possível rotular toda uma classe profissional. Então será que, baseado nos cartazes elaborados e nas opiniões mostradas, a sociedade pode utilizar os acadêmicos do curso de letras como símbolo de pessoas elitistas, que perpetuam o sistema de castas?
 
Guilherme Arakaki em 01/05/2014 01:22:10
se fosse qualquer vadio, tinham dado moral, acredito que as pessoas tem respeitar. pq logo os pedreiros?
pois tem mts de terno e gravata ai que fazem pior, achei ridículo isso, deve ser uma garota mimada, que na verdade um homem não pode nem olhar pra ela, que ela ja se acha que vai ter algo ou fazer algo, as vezes o homem te olha não para te achar bonita,mas rir da sua cara, por ser tal ignorante e ridícula.

ISSO É PRECONCEITO.
 
Erika da Silva Santos em 30/04/2014 16:24:32
Se fosse de Funkeiros elas aceitavam .
 
Paulo R R Cezar em 30/04/2014 14:26:59
Nossa Mariana, Quer respeito? Fala sério.
O seu desrespeito não é pretexto para permitir desrespeitar ninguém, ou toda uma classe.
Mas você, com seu comentário, só acabou concordando que se fosse de uma outra pessoa, com bom poder aquisitivo, não teria problema.
É cada uma sem noção!
Falar no vazio é fácil e vazio.
 
Adriano Magalhães em 30/04/2014 14:13:42
Na minha opinião houve PRECONCEITO SIM! Concordo com a campanha, mas titular os pedreiros (homens trabalhadores), como principais responsáveis pelos estupros, é um absurdo... os estupradores geralmente são vagabundos e pessoas cruéis, e outra em relação aos homens dar cantadas, eu acho que eles tinham que para com isso mesmo, por que isso é uma situação desconfortável para mulheres, e isso é uma questão cultural e de educação, mas é claro nem todos fazem isso. E pra finalizar, acho que poderíamos ter uma semana de "Combate ao Preconceito Social"
 
Ulisses Boschetti da Silva em 30/04/2014 12:58:42
Tenho pena dessa que escreveu isso aí, além de preconceituosa é uma recalcada, no mínimo ela passou por uma obra e os pedreiros não deram nenhuma assobiada ela está se sentindo uma rejeitada. Arruma os cabelos, veste uma boa roupa e passa por lá de novo quem sabe vai melhorar sua insignificância.
 
Jair Oliveira em 30/04/2014 12:18:20
Nossa, concordo plenamente! e fiquei muito indignada com os comentários na reportagem, as pessoas simplesmente ignoram a realidade. Porque essa é a realidade que vivi os 4 anos da graduação e vivo até hoje quando tenho que ir a universidade, me sinto constrangida e intimidada com esse tipo de atitude que parte sim dos pedreiros que trabalham nessas obras. Admiro a atitude dessa pessoa que escreveu o cartaz. porque é realmente é o que gostaria de falar a muito tempo. E não só as cantadas me incomodam, mas muito pior é o olhar nojento para nosso corpo, não importando a roupa ou a idade da mulher que passa no corredor. Quanto as acusações de preconceito, fala sério, só nos sentimos desrespeitadas se isso parte deles o que podemos fazer? Tudo o que precisamos é de um pouco mais de respeito!
 
Mariana Bessa Sanches em 30/04/2014 11:53:42
Estas meninas estão na faculdade mesmo? Ficou terrível, primeiro tá dando para interpretar como preconceito com os pedreiros, segundo que o problema dos estupros e abusos não é da classe dos trabalhadores em obra, os pedreiros são, na maioria esmagadora das vezes, inofensivos, tinha que colocar um pessoal com mais tutano pra fazer a campanha, pessoas inteligentes teriam feito completamente diferente. Se o sindicato dos pedreiros quiser eles processam.
 
maximiliano rodrigo antonio nahas em 30/04/2014 09:56:18
Isso é preconceito sim. A palavra pedreiro poderia muito bem ser substituída por HOMENS. Qualquer cabeça pensante sabe que independente da profissão HOMEM É HOMEM em qualquer lugar, ocasião e área de atuação. Ou por acaso só os pedreiros mexem com as mulheres, só eles lançam cantadas??? Eu estudo na UFMS e a verdade é a seguinte: Não vou generalizar pois nem todas são assim, mas um grande número de universitárias SÃO! Passe na frente delas de carro ou bem arrumado e lance qualquer gracejo pra cima delas e elas já estão sentadas no banco carona!
 
Diego Sebastian em 30/04/2014 09:46:24
O engraçado é que as mesmas que são cantadas por "pedreiros" e se acham gostosas quando chegam em boates, bares, festas nem são reparadas e ficam no cantinho tristes... Mulheres, agradeçam quando alguém mandar uma cantada, mas não se iludam, muitas vezes quem te chama de delicia pode pensar igual quem vê filhote de onça, até acha bonitinho, mas não quer ter em casa nem amarrado!
 
Willian Padilha Barreto em 30/04/2014 09:40:35
"Caro pedreiro"... então o problema são as cantadas de pedreiro? Tipo aquelas "Ôôô lá em casa!", "Caba não mundão!" e todas as do tipo, vindas ou não de pedreiro. É isso, né?
Eu entendi o recado, mas precisava colocar dessa forma? Cantada de médico então pode? E cantada de advogado?
Infeliz a colocação das acadêmicas; ainda mais por elas serem acadêmicas! Uma educação em nível superior já não quer dizer nada.
Pensem um pouco mais na próxima! ;)
 
Guaraci Mendes em 30/04/2014 08:33:02
Só dos pedreiros? É preconceito sim.
Tá escolhendo cantada? Ou só pedreiro que estupra? Muito infeliz o cartaz ... Não depende do ponto de vista não.
Será que tem cantada infeliz e que não é de pedreiro?
E de executivo, pode?
Não precisa de cantadas para se sentir gostosa, mas depende da classe que dá a cantada...
E ainda tem gente que não viu nada demais.
Preconceito e atitude incompatível do mesmo tamanho que aquela que querem supostamente combater, o do esteriótipo.
Estudante de letras que não sabe se expressar é dose.
 
Adriano Magalhães em 30/04/2014 07:04:05
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