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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

10/10/2015 07:34

Whatsapp e redes sociais acabaram com dedicatórias de amor nas rádios

Lucas Arruda
Ronaldinho Costa afirma que hoje o contato dos ouvintes não é mais humanizado (Foto: Fernando Antunes)Ronaldinho Costa afirma que hoje o contato dos ouvintes não é mais humanizado (Foto: Fernando Antunes)

Você lembra a última vez em que ouviu na rádio alguém pedindo para tocar uma música e terminar a solicitação com frases do tipo: "Essa vai para fulano, o amor da minha vida"? Antigamente, era tradição pedir música para dedicar aos amigos, parentes e, principalmente, aos pretendentes ou namorados. Mas com o passar dos anos, e a popularização das redes sociais, tudo isso acabou, ou quase. 

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Houve tempo em que eram muitos os recados passados pelos locutores, não só dos apaixonados. Era como uma função social e muitas vezes romântica das emissoras.

Há 30 anos como locutor, atualmente na Blink, Paulo Victor lembra de um fato curioso: “Já teve gente ligando para avisar que um bebê havia nascido, porque tinham certeza que o recado seria dado”, afirma.

Hoje, ainda rolam os pedidos de músicas, mas são escassos, diz. “Antes tinha gente pedindo música o dia todo, à noite as ligações não paravam. Começou a diminuir quando mudou o público da rádio e este relacionamento que todos tinham com a mídia mudou junto”.

As ferramentas utilizadas para a participação são outras. Os ouvintes pedem músicas pelo Whatsapp, Facebook e pelos sites das rádios. Assim, não cabem mais aquelas dedicatórias de amor, ou outros recadinhos que já são feitos diretamente pelas pessoas nos seus perfis ou por aplicativos.

Ele comenta que as pessoas também gostavam de conversar com o locutor, os pedidos eram mais humanizados. Agora, todo mundo interagem mesmo é pelas redes sociais.

Por isso, o que antes era clássico, agora tem ar de inusitado na rotina dos programas de rádio. “Outro dia, até chegou um pedido estranho pelo Whatsapp, de um cara pedindo para a namorada perdoá-lo. Ele não contou o que tinha aprontado, mas é raro quando chega um pedido desse pelas redes sociais”, reforça o locutor da rádio Cidade Ronaldinho Costa, que trabalha na função há mais de 15 anos.

O tempo dos pedidos de canções era o mesmo da fita cassete. Quando as pessoas se preparavam para gravar em casa o hit da parada de sucessos. Depois veio o CD, a possibilidade de baixar as músicas na internet...

Agora só pedem músicas aqueles que não têm como escutá-las pelas plataformas de streaming, Youtube ou internet. “Tem também as que querem saber qual é o hit do momento, aí vão ouvir para saber o que está fazendo sucesso ou pedir a música da moda”, explica Paulo.

“O que acontece é que antigamente as pessoas tinham um relacionamento conosco e com o rádio também. Gostavam de pedir e fazer dedicatórias para a pessoa amada. Hoje elas pedem música só para elas mesmas ouvirem, quase não dedicam mais”, pontua Ronaldinho.

Paulo é mais enfático. Para ele, o papel do rádio e do locutor foi alterado com o passar dos anos e agora é esperar o que mais vai mudar. “Antes fazíamos o papel de porta voz da comunidade, precisavam da gente para tornar uma informação pública, mas a comunicação mudou, hoje somos geradores de entretenimento”, avalia.




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