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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

25/04/2012 12:44

A vida de quem teve o privilégio de ver o filho envelhecer

Ângela Kempfer
Lucilia e dona Maria Elenor, no portão de casa. (Foto: Simão Nogueira)Lucilia e dona Maria Elenor, no portão de casa. (Foto: Simão Nogueira)

Para mim, o maior desejo hoje é chegar ao aniversário de 100 anos, lúcida, com minha filha de 82 ao lado. Penso nisso com mais vontade depois de conhecer dona Maria Leonor e a filha Lucilia.

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No bairro Mata do Jacinto, as duas parecem amigas que se conheceram melhor depois da velhice. Uma com 87 anos e a mais nova com 64, elas têm apenas uma foto de quando as funções ainda eram as tradicionais e bem divididas, de mãe e filha.

Depois disso, os registros mostram sempre as companheiras carinhosas em festas e viagens. “Quando ela era pequena eu pensei algumas vezes sobre como seria envelhecer junto, mas parecia tão estranho pensar nela, tão pequena, ficando velha”, comenta a mãe Maria Eleonor.

A menina cresceu e hoje um dos assuntos mais presentes no bate-papo diário é sobre as dores. “Chegamos na idade do Condor, né”, explica Lucilia. Mas só é assunto a dor física. As coisas do coração ficam para ela, admite. “Não falo de sofrimento com a minha mãe para poupá-la.”

A vida não foi fácil para a família, mas hoje a rotina na casa simples combina com tranquilidade do endereço, em frente a uma grande área com eucaliptos e pássaros.

Maria Leonor conhece os dois lados extremos que a história de uma mãe pode render. Há 30 anos, perdeu o filho em um acidente de trânsito. “Ele tinha só 27 anos, foi uma tragédia”, lembra.

Muito tempo depois, o marido também morreu por complicações do diabetes. Restou o amparo da filha Lucilia. Super dispostas, as duas passaram a frequentar o Centro de Convivência do Idoso. “Ela que me levou”, conta Lucilia que primeiro levava a mãe para as atividades e após a aposentadoria também entrou para o “clube”.

As duas envelhecem juntas, sob o mesmo teto, mas as gerações diferentes impõem também uma forma distinta de ver o tempo passar. À noite, uma envelhece em frente à TV e a outra de olho no computador. “Tem dias que ela dorme depois de mim, porque fica vendo até a última novela”, diz Lucilia.

A foto de 1956, quando Lucilia ainda era criança.A foto de 1956, quando Lucilia ainda era criança.

A mãe confirma e garante não ter nenhuma curiosidade sobre o que a filha tanto mexe na internet.

Lucilia não casou. Morou fora apenas uma vez, durante 6 anos, quando saiu de Camapuã para estudar em Campo Grande. Uma tristeza, comenta a mãe. “Quando ela viajou quase morri. Semana sim , semana não, tinha de vir para cá para ver se ela estava bem”.

A relação das duas poderia ser outra, caso o filha tivesse escolhido formar a própria família. Lucilia diz que não. “Sempre fui muito próxima da minha mãe, amiga mesmo”, justifica.

Maria Elenor não parece incomodada com a opção da filha. Os netos de sangue, que não vieram, são substituídos pelos “netos tortos”, filhos de amigos de Lucilia, que são muitos. “E já tenho até bisnetos tortos. Encontro em todo lugar”, brinca.

Primeiro Lucilia ficou para cuidar do pai diabético, ex-taxista que teve de abandonar a profissão por conta da doença. Depois, ficou pela mãe, com quase 70 anos na época. “Não me arrependo porque sou feliz do meu jeito”, conclui.

Aposentada há 10 anos (era servidora pública), ela hoje produz artesanato. Duas vezes por semana, as duas seguem para o Centro de Convivência e aos sábados e domingos vão para casa de amigos e assim vão vivendo, tentando não pensar em nada de ruim.

O maior medo de Maria é ver Lucilia adoecer, “porque não tem ninguém para cuidar dela”. Já o da filha é a “hora da partida”, “vai ser um vazio ficar sem a minha mãe”, diz.

No final de uma manhã de terça, prestes a servir o almoço, a dupla muda de assunto porque nem há motivo para preocupação. “A gente tá bem nova ainda”, lembra dona Maria Eleonor.

A vida de quem teve o privilégio de ver o filho envelhecer



Muito bacana essa matéria. MInha tia e minha prima. Sempre as visito em Campo Grande, e gosto muito de estar com elas, pois admiro ver a tia com 86 anos, ainda firme, muito lúcida, muito carinhosa; a prima Lú, um exemplo de filha. Nunca abandonou a mãe, sempre ali, avida a todos os assuntos da família. Eu fico preocupado com a tia, pois ela torce para o corintians ... kkk isso é danoso kkk
 
jose edson em 03/05/2012 08:34:16
Tenho o privilegio de conviver,com essa maravilhosa familia.Obrigada muito obrigada. Deus protega Leonora- Lucilia;;;
 
Neuza Maria da Silva. em 03/05/2012 01:38:13
Parabéns Angela pela matéria, são pessoas maravilhosas que tive o privilegio de conhecer e de conviver, exemplos de vida, de amor e fraternidade. Que Deus ilumine sempre dona Maria Leonor e Lucilia.
 
Lucila de Araujo Pereira em 29/04/2012 08:15:59
Linda matéria, parabéns pelo incentivo de mostrar uma relação linda como essas, que bom ver que existem lindas almas assim como as duas, Maria Leonor e a Lucilia.
Pessoas puras de grande coração, que Deus conserve vocês sempre assim.
Um beijo enorme!!
 
Adriane Marise Paz em 29/04/2012 04:30:36
Nossos agradeicmento, pela matéria Angela, e a todos que deixaram sua mensagens de carinho. Deus ilumine cada um deles em todos os momento de sua vida.
Casildinho, que saudades........apareça.
 
Lucilia Augusta e Maria Leonor em 28/04/2012 09:00:52
Linda reportagem!! Parabens!!
 
daniela dias em 26/04/2012 12:58:53
Um convio desse só existe por existir o amor, essas duas são abençoadas por Deus e um convivio passifico e duradouro dessa forma só mesmo com muita fé em deus e pureza de alma.Que Deus os abençoe e que sejam exemplo para que as familias reflitam o que verdadeiramente é ser familia.
 
porfirio vilela em 26/04/2012 06:42:54
Olha, estou aqui, com os olhos marejados, pois, as conheci ainda criança lá em camapua, hoje tenho 54 anos, o filho da dona Eleonor, o zito, saudoso zito, era meu amigo, um gente boa, parceiro mesmo, o finado seu zé preto, como era conhecido, lembro-me, era uma pessoa super bondosa, amigo de todos na pacata camapua de outrora quantas saudades..... Parabéns pela matéria nota 1000.....
 
Cacildo manoel inacio em 25/04/2012 06:42:39
EXEMPLO DE VIDA MARAVILHOSO, MARAVILHOSO, MARAVILHOSO ! ! ! !
 
Lincoln Cortezrustico4@hotmail.com em 25/04/2012 06:16:28
Angela Kempfer, o jornalismo ´´e feito principalmente de emoçoes (tinta nas veias) e esta sua materia e examente isto: EMOÇAO pura e simples. VC e os personagens sao iluminados. PARABENS.
 
Antonio Francischini em 25/04/2012 05:48:25
Que Deus esteja sempre presente protegendo e abençoando essas pessoas especiais.
.Ótima Matéria!
 
Edilce Galindo de O. Ovelar em 25/04/2012 04:46:36
Parabéns pela reportagem Ângela.
 
Victor Antunes em 25/04/2012 04:06:44
O Companheirismo delas é coisa linda... meus pais residem proximo a casa delas... quando criança sempre observei as duas... juntas em quase todo lugar... Mercado, Padaria... o lugar onde moram é uma paz só.... Parabéns pela dedicação uma pela outra. Gostaria de viver assim, juntinho, com minha mãe Maria Petronilia... Abraços
 
Adrianna Ceres em 25/04/2012 03:51:04
Que Deus,de muitos anos de vida e saude para as duas!emocionante a história de respeito e amor,coisa que hj não se muito entre muitas familias.Parabéns pela matéria.
 
GLÓRIA BENEDITO em 25/04/2012 03:33:46
Linda reportagem...
Parabens!!!
 
adriana silva santos em 25/04/2012 03:09:10
que história linda,isso mesmo viver e não falar de coisas ruins e agradeçer todos os dias ppara Deus o tempo juntas que ele permitiu
Eu tenho 34 anos e esperava viver todo esse tempo junta da minha mãe,mais no dia 27 de fevereiro ela foi ficar junto ao nosso pai ......
Felicidades para duas,e quando uma das duas for,chorar de saudades mas não ficar em janela a vida inteira,ser feliz
 
marines ferreira da silva em 25/04/2012 02:56:00
Outra matéria sensível e muito bacana.
Parabéns.
 
Mirian Costa em 25/04/2012 02:16:10
EMOCIONANTE MESMO PARABÉNS PELA MATÉRIA É MUITO BONITO UMA VELHICE COM DIGNIDADE ATÉ EMOCIONA ...QUEM DERA QUE TODOS FOSSEM ASSIM .E A SENHORA DA MATÉRIA VAI CHEGAR SIM AOS 100 E MUITO MAIS AINDA DEUS ABENÇOE VOCÊS MUITO LEGAL MESMO ISSO É RESPEITO..
 
VINICIUS MARQUES em 25/04/2012 01:36:12
Que delícia ler esta reportagem...qual mãe não sonha em ver os filhos envelhecerem, tendo-os por perto?!
 
LUCI FERREIRA em 25/04/2012 01:34:35
que deus as tenha por um longo periodo ainda juntas e que essa historia de amor sirva de exemplo para muitos..... e filhas que zelam pelos seus pais deus sempre lhes dá muitas alegrias e realizaçoes tenham certeza....sua coroa não é aquí e sim no andar de cima....
 
ARTEMIS RODRIGUES DA SILVA em 25/04/2012 01:03:45
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