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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

29/02/2012 16:31

Coisas da vida: o filho mal saiu da adolescência e já voou para longe

Ângela Kempfer
Suyanne agora vive em São Paulo.Suyanne agora vive em São Paulo.

Durante a vida, a gente descobre algumas vezes como dói amar um filho. Primeiro é quando o bebê fica doente, depois quando surgem as brigas na adolescência, mas a prova derradeira mesmo vem quando o dito cujo resolve crescer e sair de casa e, pior, escolhe uma cidade dez vezes maior para morar.

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Neste ano, muitos experimentaram a sensação pela primeira vez. Os filhos deixaram Campo Grande para estudar fora e agora enfrentam com os pais a difícil tarefa da readaptação.

Marlene Trindade já definiu regras. A filha Suyanne, de 17 anos, tem de mandar mensagens toda vez que sai de casa. A menina faz cursinho em São Paulo, a terceira maior metrópole do mundo. A mudança foi decidida para aumentar as chances de ser aprovada no vestibular de Medicina.

“Chorei muito quando a gente decidiu, fiquei até doente, mas não tem jeito, é melhor para ela”, diz a mãe professora, que ainda lacrimeja quando lembra da distância.

Primeiro o marido viajou até São Paulo para escolher apartamento para a filha. Depois, Marlene acompanhou Suyanne para instalar a jovem na nova casa. Ficou quatro dias por lá e a passagem para visitar a família em Campo Grande já foi comprada para 9 de março. “Ela vem agora e em abril eu vou”.

Suyanne divide o apartamento com outra estudante, na casa de uma ex-professora, dona Carmem, que há anos recebe filhas e conforta mães. "Não é fácil para nenhum dos lados. Mas é uma etapa que os pais têm de enfrentar com tranquilidade, porque tudo sempre dá certo", ensina.

Jô e Isadora.Jô e Isadora.

De novo - Saudade parece não calejar coração de mãe. Apesar de “experiente”, Jô Simão posta dia sim dia não no Facebook a dor de ficar longe da filha.

O mais velho, Felipe, saiu de casa já há 8 anos, depois de formado foi trabalhar em São Paulo. Neste ano foi a vez de Isadora, que aprovada no curso de Medicina, trocou Campo Grande por São Paulo.

A insegurança na maior capital do País é algo que Jô prefere nem pensar. “Senão a gente pira”. No primeiro semestre de Felipe fora, a mãe diz que ficou com febre praticamente todos os dias. Mas depois veio a lição que pode servir de alento para quem enfrenta a situação. “Com o tempo, percebi que a dor dá lugar à felicidade, pelas realizações deles por lá”, explica.

Mesmo assim, enquanto a dor pela falta de Isadora não se transforma, na quinta-feira Jô vai de novo visitar a filha. “Morava só eu e ela, é muito complicado. A gente almoçava junto todos os dias. Fico triste porque estou me separando, mas fico feliz porque lá está o futuro dela”.

No Sudeste, Isadora ri ao lembrar da mãe e fala que, além da saudade, o mais difícil é aceitar que a independência traz tarefas do tipo cozinhar, lavar e passar. “Isso é chato, mas a gente aprende”, diz aos 19 anos.

Pois é, a gente descobre algumas vezes como dói amar um filho. Eu também entendi isso na semana que passou. Assim como Jô e Marlene, “perdi” minha filha de 17 anos para o futuro em São Paulo. A feliz coincidência é que no mesmo dia minha sobrinha Luiza resolveu andar pela primeira vez. É a vida...

A liberdade chegou também para minha filha.A liberdade chegou também para minha filha.



Nós sabemos que quando os filhos crescem eles voam, mas é muito difícil essa separação, ficamos muito felizes pelas suas conquistas, sejam em algum curso distante, trabalho, mas mesmo assim dói dentro da alma.
 
Creusa Costa em 28/01/2014 12:28:43
É... filhos são como passarinho: nascem, crescem e quando as asas estão quase firmes voam para distante, seja ela qual for.
 
Francisca Bezerra em 01/03/2012 10:54:24
Lindo texto...a minha tem três anos e com certeza vai trilhar os próprios caminhos...Mas, Ângela, você ainda tem a Alice para te ocupar...Parabéns...
 
Natalia Yahn em 01/03/2012 07:46:12
a jô não precisa se preocupar, com esse charme todo ela arruma facilmente alguém pra almoçar com ela .
 
alexandre chaves em 01/03/2012 05:01:56
Fico imaginando guando meu filho terminar o ensino medio, da um aperto no coração, ele quer estudar fora. Como a minha mãe dizia (os filhos precisam estar preparado para voar). Isso ai colocar essa moçada para estudar e representar bem o país de Deus.
 
Aparecida Romeiro em 01/03/2012 03:48:26
Muito legal, Angela! Adoro quando o texto é livre para o jornalista, pois os leitores vivenciam junto a experiência.
 
Débora Pitti em 01/03/2012 03:12:44
nossa como e sofrido como e dificil suporta a distançia
meu filho com 18 anos conseguiu a bolsa p/fazer medicina em campinas
hj ja esta no quinto ano e uma mistura de alegria e preocupaçao
mas esta acabando so mais ano graças a deus

 
elizabeth m duarte em 29/02/2012 10:54:39
Muito bom como sempre é. As coisas são tão passageiras na vida que até os filhos crescem. O segredo é encontrar um sentido a cada estação do ano. Daqui a pouco vem os netinhos.
 
Maria Aparecida Pinhasi em 29/02/2012 09:34:56
As meninas de hoje querem ser melhor são mais lutadora. Admiro a coragem de quem dá duro para dar uma vida melhor para os filhos mesmo que seja para ver a ninhada partir. Quando tinha 16 anos sai de Itaporã e vim estudar aqui na capital. Só por isso consegui minha profissão.
 
Rosa Pedreita em 29/02/2012 09:13:39
Tinha de falar dos pais também. Minha filha foi fazer intercâmbio e até hoje ligo todos os dias antes de ir dormir. E olha que ela só vai ficar até abril.
 
Roberto Cristaldi em 29/02/2012 09:06:48
Já passei pela mesma dor, não aguentei e tive de me mudar com minhas filhas para Campo Grande. Não me arrependo em nadinha.
 
Divina Gonzales em 29/02/2012 09:05:26
A velha e antiquada afirmação da classe social. Discurso da esquerda do passado que trazia a tese da mais valia do Filosofo Karl Marx. O mundo mudou, as pessoas estão mudando de classes social, para melhor.
O que vale mesmo dizer é que os Pais querem o melhor para seus filhos, principal e especialmente a educação. Aí vale dar o seu sangue, seu suor, sua vida e seu dinheiro.
 
Jose Armando Amado em 29/02/2012 08:14:29
Não somos ricos e crescemos vendo a realidade das pessoas, minhas duas irmãs foi pra SP uma pra trabalhar e a outra de apenas 15 anos foi estudar, não é questão financeira, aqui em casa estudo sempre foi prioridade, minha mãe sente falta sim delas, mas a vida é assim, a gente cria os filhos pra depois eles nos criar!
 
carla holsbach em 29/02/2012 08:05:09
Olha Julio!!! Sem dinheiro ninguem vai muito longe não.. Alguns ainda tem um pouco de sorte e até chegam la, porem sem $$$$$$$ É MUITO DIFICIL..
 
carlos lima em 29/02/2012 07:10:47
Quanto preconceito do "comentarista" anterior. Não é pecado ter dinheiro e poder dar um bom futuro para o filho.
 
Julio Teodoro em 29/02/2012 06:18:12
Desconheço o autor. Diz ele:
"Esse é o destino dos pais: solidão. Não a do abandono e nem a de ficar só. É a solidão de ninho que não é mais ninho.
Os ninhos deixam de ser ninhos, porque outros ninhos vão ser construidos".

Esta frase explica tudo. Chega um momento que os filhos irão buscar espaço para, mais tarde, construir seus ninhos..... Triste, mas esta é a realidade da vida.
 
Juvenal Coelho em 29/02/2012 05:00:15
É... o contraste dos cidadãos brasileiros.
Enquanto uns só podem estudar o segundo grau à noite numa escola pública, outros gastam fortunas com filhos fazendo cursinhos caríssimos em São Paulo, morando em bairros nobres como higienópolis.
Quando um aluno pobre passa num vestibular para medicina numa univ. publica ele realmente é um herói!
 
José Carlos de Almeida em 29/02/2012 04:58:02
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