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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

16/09/2011 11:25

Com aula em contêiner, escola rural faz pouco das dificuldades e vira modelo

Aline dos Santos

Filhos e filhas de trabalhadores rurais ganham oportunidade de futuro

Além da grade curricular tradicional do ensino fundamental, os estudantes têm aulas diversificadas. (Foto: João Garrigó)Além da grade curricular tradicional do ensino fundamental, os estudantes têm aulas diversificadas. (Foto: João Garrigó)

Ter aulas em um contêiner abrasador no Verão, gelado no frio e onde entra água nos dias de chuva seria uma barreira intransponível em qualquer escola. Mas a 30 km de Campo Grande, um colégio municipal fez pouco das dificuldades e virou modelo, oferecendo aos filhos e filhas de trabalhadores rurais uma oportunidade de futuro.

No distrito de Rochedinho, a escola Barão do Rio Branco faz pulsar a pequena vila de 67 famílias, quatro bares e quatro igrejas. Vindos de fazendas, chácaras e assentamentos, os cem alunos começam o dia com pão, leite ou suco. Enquanto o refeitório não é construído, o desjejum é servido no centro comunitário. As aulas vão das 8h às 15h, com intervalos para lanche e almoço.

Além da grade curricular tradicional do ensino fundamental, os estudantes têm aulas sobre cultivo de horta, jardinagem, oficina de rádio, aulas de informática, produzem o jornal da escola, participam de um projeto de coleta seletiva e reciclagem. E ainda sobra fôlego para aula de violão, leitura, exibição de filme e atividades na quadra.

A receita de como tirar o máximo do mínimo vem do diretor Ernestino Antônio de Oliveira, há quatro anos à frente da escola. “Nada é feito sem a participação do aluno. Tudo é pensado para o aluno. Ele é o mais importante”, ensina.

Num campo cada vez mais hightech, a sala de informática, com acesso a internet, é o xodó dos adolescentes. No local também está o equipamento de rádio, que faz a diversão na hora do intervalo.

No comando do microfone, estava Ivonice Rodrigues dos Santos, de 11 anos. “A gente escolhe as musicas, dá recados”, explica a aluna do sexto ano, que mora em uma das fazendas da região.

Última a descer do ônibus que sai do colégio em direção à Capital, Gislaine Garcetes, de 16 anos, conta com uma vantagem em relação aos colegas. Mais próximo de Campo Gande, ela tem internet na chácara. “Uso o notebook do meu padrasto. Faço pesquisa sobre as matérias”, afirma. Na escola, a atividade preferida é o trato com a terra. “Gosto de plantar, cuidar da horta”.

Duas salas de aula são de estrutura metálica e temperatura varia conforme condições climáticas. (Foto: João Garrigó)Duas salas de aula são de estrutura metálica e temperatura varia conforme condições climáticas. (Foto: João Garrigó)

Encaixotados - Na escola modelo, a reclamação fica para as estruturas metálicas transformadas em duas salas de aula e uma sala de professores. Nesta última, alem dos ventiladores de teto e climatizadores, foi instalado um ar-condicionado cedido pela direção. A estrutura tem um ano.

As salas de aulas são mais antigas e já completam três anos. É aguardada uma reforma, com troca de porta, substituição das janelas que não fecham e permitem a passagem da chuva, além da colocação de potentes ares-condicionados de 30 mil Btus.

Por hora, o refresco vem dos ventiladores e climatizadores. Também será construída uma biblioteca e instalado um telecentro, para que a comunidade tenha acesso gratuito à internet.

Escola de sonhadores - Ao chegar à escola Barão do Rio Branco – fundada em 1937 a pedido do fazendeiro Alceu Tavares - o diretor não se deixou abater pelo estado do imóvel, cuja última pintura datava da década de 60. Como quem sabe faz a hora e não espera acontecer, formou uma grande equipe , apostando em parcerias e dedicacão

Enquanto a merendeira Dorinha comanda as panelas, garantindo o cardápio predileto da meninada, com arroz carreteiro, salada e feijão; o professor Francisley Galdino da Silva tenta diversificar as fontes de conhecimento, com destaque para a produção do informativo Barão, que tem circulação bimestral.

O jornal de quatro páginas surgiu de um problema. A escola quer melhorar os índices de leitura e interpretação de texto. “Poderia mandar fazer redação, mas aí, só o professor lê. Para fazer o jornal, os alunos precisam estudar e aprender sobre os temas, com responsabilidade de escrever algo que todos vão ler”, enfatiza. O informativo é distribuído nas reuniões de pais.

Os textos informam sobre projetos das escolas, comportamento, práticas no campo, além de entrevista com profissionais que passaram pela colégio e moradores da região.

Primeiros passos - Lecionando para o primeiro e segundo ano, Luciane Souza afirma que o começo da alfabetização exige mais dos alunos que vivem no campo. “Por não terem tido muito contato com gibis, revistas, livros”, conta a professora, interrompida a todo instante pelos pequenos estudantes, ávidos em saber se estavam acertando a lição.

Na sala decorada com alfabeto e calendários coloridos, Miguel, de 6 anos, conta que já sabe escrever o nome e que o recreio é a hora preferida. A explicação é justa. “Porque é a hora de brincar”.

Ezequiel aprendeu a tocar violão e já compôs cinco músicas. (Foto: João Garrigó)Ezequiel aprendeu a tocar violão e já compôs cinco músicas. (Foto: João Garrigó)

Frutos da boa vontade – As parcerias também permitiram que uma horta brotasse nos fundos da escola. Nos canteiros, crescem rabanetes, alfaces, cebolinhas que vão dar cores e nutrição à merenda dos estudantes.

As mudas e orientação vieram da Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), já o alambrado em torno da plantação é uma parceria com o Rotary Clube de Campo Grande. Em breve, os viveiros também terão plantas medicinais.

Os alunos também são responsáveis por projeto de coleta seletiva. O lixo orgânico vira adubo por meio da compostagem. Enquanto papéis, vidros e latas são vendidos e o dinheiro revertido para confraternização de fim de ano.

Nascida da boa vontade, a oficina de violão também dá frutos. “Quando fiquei sabendo da aula de violão , pensei, vou ser o primeiro a fazer”, conta Ezequiel Hortencia Vieira dos Santos, de 14 anos.

O instrumento musical agora é o parceiro para compor músicas. O desacerto de uma paixão adolescente virou “Cansei de ser bobo”, uma das cinco musicas composta por Ezequiel.




Me encantei com a reportagem. É contagiante e maravilhoso esse esforço conjunto, com ideias simples, práticas e absolutamente úteis. Parabéns a todos os profissionais que ali atuam! Professor Ernestino, meu colega da faculdade de Biologia, parabéns! Conheço seu trabalho, sua seriedade, seu caráter e o amor pelas coisas que faz. Que bom ver profissional como vc à frente desse belo trabalho. A comuniadde só terá a ganhar. Abraços
 
Lourdes Braga Fracalossi em 29/11/2012 21:28:26
eu adooorey kellll
 
mariana alves em 18/10/2012 10:45:01
Parabens, com pouco se faz muito, e com muito quase não faz nada.
 
Rosangela Estevo em 22/09/2011 09:03:00
É emocionante ler a reportagem e perceber que todos nossos esforços não tem sido em vão... É possível sim sonhar e concretizar... Parabéns à todos nós da equipe Barão e principalmete aos nossos queridos alunos e alunas que nos estimulam a continuar lutando por dias melhores.
 
Luciana Rodrigues de Souza em 20/09/2011 08:29:01
Parabéns aos professores, ao Diretor Ernestino, Equipe técnica e aos alunos, pelo excelente trabalho que realizam na E. M. Barão do Rio Branco. Que este exemplo de superação e zelo pela educação e pela escola possa contaminar outros colegas e fazê-los acreditarem que este país tem jeito e depende muito de nós. Continuar reinvindicando é direito, mas cruzar os braços é acomodação.
Angela Brito
 
Angela Maria De Brito em 19/09/2011 01:50:12
Excelente matéria da jornalista Aline, parabens. Reportagens assim, mostra às autoridades públicas (se é que elas leem) como atitudes simples transformam uma comunidade. A dedicação do diretor, professores, funcionários e alunos dessa escola, dá uma a tantas outras escolas de comunidades, que é possivel sonhar e realizar. Não lamente, aproveite as oportunidades. Parabens a todos
 
Jose Pedro de Moura em 17/09/2011 10:46:24
Nesta escola fiz todo meu ensino fundamental, passei por muitas dificuldades,mas tudo valeu a pena, hoje sou fisioterapeuta formada e tudo que aprendi devo a esta escola e aos meus educadores.Obrigada Barão do Rio Branco por tdo que sou e que sei.
 
Juliane Ramos em 17/09/2011 08:36:22
Aline ficamos todos emocionados com a sua sensibilidade. Embora não se trabalhe para aparecer, é extremamente importante o reconhecimento das pessoas. Voce foi muito feliz com esta reportagem, pois os alunos e todos da escola levarão essa lembrança para a eternidade. Parabens, muito obrigado e mil beijos de todos daqui do interior
 
Ernestino Antonio de Oliveira em 16/09/2011 12:44:51
Parabenizo o Diretor da Escola Municipal Barão do Rio Branco , Sr. Ernestino Antônio de Oliveira pela força de vontade inegualável onde tira o máximo do mínimo para enfrentar inumeras dificildades/barreiras e nos mostra que é possível enfrenta-las com êxito! São pessoas como o Sr. (mínimas, mas ainda existem...) que são capazes de tranformar nossa péssima educação, saúde, segurança... Obrigado!
 
Rafael Medina em 16/09/2011 12:24:30
Obrigado pela reportagem gostei muito.
 
Ezequiel Hortência Vieira dos Santos em 16/09/2011 12:11:32
Agradeço a equipe de reportagem pelo excelente trabalho realizado na Escola Barão do Rio Branco, hoje o Estado/MS, conheceu que ainda é possivel sonhar, que a onde a fé a esperança. Aline dos Santos, que Deus a ilumine para que continue mostrando a verdade dos fatos com sensibilidade e justiça.

Conte sempre conosco.
Adriano Pereira Santana
 
Adriano Pereira Santana em 16/09/2011 12:04:19
Belíssima iniciativa dos educadores, diretor e também dos alunos, e que tamanha disposição em aprender faça com que a prefeitura tenha disposição também para melhorar a infra estrutura da escola.
 
Danieli Lopes em 16/09/2011 08:12:36
precisamos muito deste tipo de reportagem, que mostra que quem tem vontande acontece, parabens sr diretor, o teu posicionamento é um exemplo de cidadania e amor pelas crianças que terão um novo futuro....
 
mario antonio roque em 16/09/2011 06:08:35
parabens por esse exemplo de escola e a voce professor Ernestino que eu conheço e admiro muito. voce foi meu professor de matematica e nao conheci outro professor com o seu gabarito. te admiro muito, agora mais ainda.continui assim. bjs saudades
 
ana lucia martins em 16/09/2011 03:41:58
Parabens Professor Ernestino realmente vc é uma pessoa diferenciada e desde que te conheci em 1979 em Bandeirantes-MS que sou seu admirador pela sua capacidade, simplicidade, amizade e pelo amor com que vc realiza as coisas. A EM Barao do Rio Branco e Rochedinho esta muito bem servida com a sua presença. Parabens tbem a jornalista e ao CG News por nos brindar com materias como esta.
 
Carlos Alberto de Assis em 16/09/2011 03:26:00
Trabalhei nesta escola em 2004, e fico feliz pelo seu crescimento e sucesso!
Parabéns ao Diretor e aos Profesores!
 
Nilce Rodrigues em 16/09/2011 02:34:08
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