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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

08/05/2012 10:54

Contadora de histórias do “tempo do epa” e do “arco da velha”

Elverson Cardozo
Se é lenda, não prejudica a vida de ninguém”,diz dona Maria sobre as histórias que conta. (Foto: Elverson Cardozo)"Se é lenda, não prejudica a vida de ninguém”,diz dona Maria sobre as histórias que conta. (Foto: Elverson Cardozo)

Prestes a completar 80 anos, Dona Maria dos Anjos diz colecionar histórias “lá do tempo de Dom Corno”, mas, aos desconfiados, vai logo avisando: “Acredite se quiser”. “Pode colocar isso na sua reportagem”, recomenda.

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“Porque a coisa quando é inventada a pessoa fica gaguejando. Quando é real não tem ‘guaguejação’”, completa.

Assombração ela chama de “vizagem”. Diz que já viu de perto e “com o olho aberto”. Quando a ainda era mocinha, relembra, ganhou o tesouro da dona de uma fazenda para quem os pais trabalharam.

A mulher morreu e quem lhe avisou que a fortuna havia ficado para ela foi uma assombração que chegou de madrugada. A “vizagem”, relatou, queria levar ela até o local onde a fazendeira deixou o tesouro enterrado.

“Lá tem 60 quilos de ouro puro”, afirma, acrescentando sabe o lugar do “enterro” até hoje. Conta que não tirou o tesouro porque é muito pesado e o trabalho de escavação deve ser feito sozinho.

Entre as muitas histórias, a aposentada coleciona relatos de lobisomem, saci-pererê, toco preto, bola de fogo, pássaro com asas gigantescas, gorilas que guardam enterros de ouro e até a assombração que fez da casca de milho um chinelo para se arrastar por uma antiga casa de escravos.

Histórias que provocam a curiosidade e são capazes de deixam qualquer um de “cabelo em pé”. Mineira da Barra do Machado, Maria dos Anjos diz gostar de contar causos “porque é uma coisa que não envolve a vida dos outros”.

“Você desabafa, se alegra. Se é lenda, não prejudica a vida de ninguém”, finaliza.

“Porque a coisa quando é inventada a pessoa fica gaguejando. Quando é real não tem ‘guaguejação’, diz a contadora de histórias.“Porque a coisa quando é inventada a pessoa fica gaguejando. Quando é real não tem ‘guaguejação’", diz a contadora de histórias.

Dentre os fatores que me influenciaram a escolher o jornalismo como profissão talvez a possibilidade de contar histórias tenha sido um dos principais. Não nasci em família de jornalistas, nem de escritores, mas passei a infância ouvindo “histórias do arco da velha” e do ”tempo do epa”.

Na ausência de um comunicador, minha avó paterna sempre foi a “jornalista” da família. A única a saber da “notícia” quentinha, em primeira mão, mesmo que o furo de reportagem seja o barraco do vizinho ao lado.

Sem cerimônia, ela chega logo com as perguntas para, em seguida, soltar a manchete: Sabe quem morreu? Já viu quem mudou ali naquela casa da esquina? Mataram o cachorro da vizinha envenenado, ficaram sabendo?

A gente até já tentou conter essa “ânsia por informação”, mas não deu certo. Vovó é eufórica por notícias. Ela também tem versões próprias para lendas urbanas e contos folclóricos, por exemplo.

Relatos exclusivos e assustadores envolvendo assombrações, tragédias de todo tipo e até a dona morte, é o que não faltam.

Minha avó também é uma típica contadora de histórias, como Maria dos Anjos. Gente assim mostra ao Lado B como jogar conversa fora, longe dos computadores e celulares, pode fazer bem à alma.




Lindo....parabéns pela materia.
Eu acredito q existe saci perere e mula sem cabeça,contavam meus avós.
 
vera melo em 09/05/2012 09:11:50
Linda matéria!! mais uma vez o lado B dando um show!!!
Lembro de minha tia contando causos e modas de uma antiga Fazenda chamada "Curupai"!! Mas a coitada se recusa a contar hoje em dia por influencia religiosa, uma pena.
 
Cleber Andrade em 08/05/2012 12:18:41
...muito boa a matéria...parabéns...aqui na repartiçao tem uma contadora de causo...
...cada um cabeludo...kkkkkkkk
 
Ester Menacho em 08/05/2012 03:52:42
Que texto lindo! E emocionante! Eu também gosto de histórias assim, especialmente os causos contados por pessoas com mais experiência de vida!
Parabéns ao repórter responsável pela matéria!
Vicentina Vasques Xavier
 
Vicentina dos Santos Vasques Xavier em 08/05/2012 01:05:35
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