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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

29/03/2012 16:36

Depois de 19 anos ouvindo que foi abandonado por amor, rapaz reencontra a mãe

Ângela Kempfer
Vinícius e as 3 mães: Maria Cristina, Lídia e Márcia. (Fotos: Marlon Ganassim)Vinícius e as 3 mães: Maria Cristina, Lídia e Márcia. (Fotos: Marlon Ganassim)
O abraço do reencontro.O abraço do reencontro.

Um encontro fácil de imaginar depois de anos de distância e um assunto mal resolvido, um caso quase cotidiano: o jovem adotado que reencontra a mãe biológica 19 anos depois. Mas nesta história, a maior lição vem da avó adotiva, dona Lídia Esteves, que aos 62 anos, depois de enfrentar algumas barras por amor ao neto que a vida deu, teve o desprendimento de buscar a mãe biológica do garoto por uma dívida, que parecia alimentar desde que acolheu Marcos Vinícius.

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Na verdade, nunca houve dívida alguma, mas pelos relatos de dona Lídia, na cabeça dela o assunto mal resolvido ainda fazia mal ao neto, um rapaz “caladão demais”, e deveria atormentar a mãe verdadeira que fez questão de mandar um recado à nova família do filho no dia da separação. “A moça que entregou ele para a gente contou que ela tinha mandado dizer que não teve outra escolha, que não podia cuidar e que fez isso por amor”, conta a filha de Lídia, Márcia Esteves, de 38 anos.

A vida deu a Marcos Vinícius três mães, a adotiva, a avó de coração, e a biológica, que ele só conheceu hoje. O menino nervoso, todo arrumado ao estilo hip hop, é a cara de Maria Cristina Lemos Pavon e também de personalidade muita parecida, apesar de nunca ter convivido com a mãe verdadeira.

Aos 24 anos, Maria decidiu entregar o filho recém nascido à outra família, com medo de perder o emprego. “Eu trabalhava em uma casa e a patroa disse que eu ia ter de dar um jeito na criança. Por isso resolvi dar ele”, lembra.

A doméstica diz que abriu mão do menino porque já tinha outro filho, já criado pela avó. “Minha família não aceitava”, justifica. Mas antes de se despedir pediu para que à nova família do menino ficasse claro que ela não tinha outra alternativa e que amava o filho.

A mensagem foi repetida por anos a Vinícius, que garante não ter ressentimento algum. “Sempre entendi que ela me amava, mas não podia ficar comigo. Também sempre fui muito bem tratado, então não tenho do que reclamar”, conta o jovem.

Vinícius e ao fundo a mãe biológica e a irmã.Vinícius e ao fundo a mãe biológica e a irmã.

“Ele cresceu sabendo que a mãe foi obrigada a fazer o que fez”, completa a avó adotiva.

Lídia acabou sendo a terceira e mais importante mãe de Vinícius. A criança foi dada à Márcia, outra jovem casada há 2 anos, mas sem filhos. O casamento acabou, a moça retornou à casa dos pais e o menino se apegou à avó, dona Lídia.

“Quando eu casei de novo e mudei de casa, ele ficava doente e só melhorava quando voltava para casa da avó”, conta Márcia, a segunda mãe na história do garoto.

Aos dois anos, a família descobriu um tumor em Vinícius. O câncer foi diagnosticado e as lembranças de dois anos de tratamento intenso ainda enchem os olhos de dona Lídia de lágrimas. “Foi o pior tempo da nossa vida. Chorava dia e noite”.

O garoto venceu a doença, cresceu, é um orgulho evidente para a família, mas a dificuldade de fazer amizades, o jeito caladão, passou a preocupar a mãe-avó. “Pensei que podia ser o que ficou na cabeça por causa da falta da mãe biológica”.

Dona Lídia chamou o neto e começou a discutir a possibilidade de reencontro. “Primeiro ele não gostou, mas depois disse que sim e pediu para eu sempre ser a mãe dele. Eu disse que isso não ia mudar nada o que eu sou para ele”.

A avó procurou a investigadora Maria Campos, conhecida por fazer esse tipo de reaproximação, e em uma semana o encontro estava marcado. Marcos Vinícius encontrou a mãe na delegacia do bairro Piratininga, com o abraço e um sorriso nervoso.

Maria Cristina, uma índia bonita, teve uma emoção quieta, contida. É a imagem de uma mãe dura, forjada por uma vida difícil. O pai de Vinícius morreu, depois de uma namorico com Maria. Só depois de 4 anos do nascimento do menino, ela conseguiu um relacionamento estável e teve outra filha, Eidi, de 15 anos.

As duas famílias continuaram vivendo em Campo Grande, Vinícius no bairro Silvia Regina e Maria Cristina na Vila Carvalho.

Quando alguém toma uma decisão tão drástica como a de “dar” um filho, os anos que seguem não são fáceis, garante Maria, que faz questão de não demonstrar arrependimento. “Eu não podia fazer nada diferente naquele momento da vida.

Fiz o que tinha de ser feito e pronto. Mas quando isso acontece com a gente, nunca mais acaba aquela sensação de que uma hora ele vai voltar. Eu sabia que ele ia me encontrar, mas nunca procurei por respeito a outra família”, diz.

Vinícius e a mãe trocam poucas palavras, marcam o próximo encontro, na casa da avó adotiva e combinam. “Agora a gente vai se conhecendo, né. Aos poucos”, comenta o rapaz com a nova mãe.

Muito falante, com os olhos vermelhos e um copo d'água na mão, para acalmar o peito, dona Lídia termina a tarde dizendo: "Agora sim, estou muito feliz".




como faço para achar a investigadora Maria Campos??
 
Caio Cesar em 30/03/2012 10:09:39
REALMENTE MUITA LINDA ESSA HISTORIA E TB UMA SORTE ENORME DESSE POVO TER CONSEGUIDO ISSO...PQ EU TENHO UM IRMAO QUE TEM 33 ANOS E NAO ACEITA ME CONHECER DE FORMA ALGUMA.....EU SOU ORFA DE PAI E MAE SOU LOUCA PARA ENCONTRAR ELE PODER ABRACAR E DIZER O QUANTO EU AMO ELE MAS NAO TIVE ESSA SORTE......
 
FERNANDA PORTUGAL em 29/03/2012 11:14:32
Também vivi uma história parecida aqui em Campo Grande. Nasci em Ilha Solteira (SP), fui adotada e criada em Araçatuba (SP) mas vim parar em Campo Grande porque passei na UFMS. Coisas do destino!.Após 34 anos, conheci minha familia biológica que sempre morou aqui. Ou seja, vim ao encontro dessa familia. Minha mãe adotiva faleceu e quando tive um filho resolvi procurar pela avó dele. Sou abençoada!
 
Daniela santos benante em 29/03/2012 07:32:43
Que historia linda, que DEUS abençoe essa família e que esse rapaz seja um grande homem.
 
vania cáceres em 29/03/2012 04:55:08
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