22/02/2012 14h34
Ex-garçom de trem refaz viagem 30 anos depois em moto, de Bauru a Corumbá
Ângela Kempfer
Daiton, no museu ferroviário, a partida de Bauru.
Com 15 anos ele era garçom no trem que trazia passageiros de Bauru (SP) até Corumbá, uma viagem de cerca de 30 horas, que sempre rendia algo para contar.
Passados 30 anos, Daiton Nascimento hoje é advogado, mas o apego afetivo às histórias que viveu sobre o trilhos continua forte. Para matar um pouco as saudades daquele tempo, ele tomou coragem e com uma moto resolveu viver o percurso de novo, agora aos 45 anos.
Ao lado de um amigo, policial militar aposentado, ele saiu de São Paulo em janeiro e durante 15 dias percorreu as estações desde a divisa com Mato Grosso do Sul. No caminho de 2 mil quilômetros, foi confirmando o que já suspeitava. “Vi muita coisa destruída, abandonada. É de dar dó”, resume.
Muitas das estações que Daiton lembrava pelo colorido e movimentação constante, agora são escombros.
Cada imagem registrada pela câmera fotográfica ajuda na comparação entre passado e presente. Sem cuidado com a lembrança, o tempo fez nascer árvores dentre as ruínas de boa parte do roteiro desenhado pelo ex-garçom.
Mas também há boas exceções. Na região de Campo Grande, a volta do trem de passageiros até Miranda garantiu a recuperação de várias estações. “A estação de Três Lagoas também está bem cuidada e a de Água Clara é interessante”, confirma Daiton.
Nas últimas viagens feitas ainda como funcionário do restaurante do trem, Daiton lembra que percebia a freguesia minguar. “Mas continuamos firmes até o último dia, com o serviço padrão”.
Três meses antes do transporte ser suspenso, a notícia foi confirmada e não chegou a surpreender. “Avisaram que o trem ia parar, mas a gente já pressentia. Já não tinha muita gente, nem constância”, diz.
Com o fim, o neto de ferroviário foi procurar o que fazer, até concluir a faculdade de Direito. “Mas a gente nunca esquece da ferrovia”, comenta.
De volta ao trecho em 2012, Daiton e o amigo Valdemir de Andrade, de 52 anos, enfrentaram tempestade, tiveram de pegar carona com barco para sair de área inundada no Pantanal e voltar à rodovia, mas também cruzaram com muita gente interessante.
Padaria de arquitetura rústica, ao lado da estação ferroviária.
Wilson mostra equipamento que media nível do rio.
Ex-funcionário da ferrovia, Wilson mostra aparelho que media nível do Rio Paraguai, Estados Unidos que bancaram.
“Encontramos, por exemplo, um senhor que tem fotos da construção da ponte em Porto Esperança, para que o trem chegasse até Corumbá”, uma história de cem anos, de 1912.
O aposentado Wilson recebeu os viajantes com muitas histórias para contar, como a maior enchente que já viu no Pantanal, em 1982, ou o aparelho que media o nível do rio, equipamento pago pelo governo dos Estados Unidos.
No caminho, também se depararam com cenas inusitadas no meio do nada. “Paramos para comer com um casal que estava fazendo churrasco no Pantanal. Engraçado”, lembra.
A viagem também divulga imagens curiosas, como da padaria de arquitetura pra lá de rústica, ao lado da estação ferroviária de Bauru, onde é difícil distinguir onde começa um produto e termina o outro.
Apesar da alegria da aventura sobre uma moto Kawasaki preta 650, o que mais marcou foi a falta de preservação histórica.
“Tem de tudo nas estações abandonadas, famílias morando e até criação de porco. É triste, porque é história largada. As estações sempre foram muito importantes para essas cidades”, avalia.
Moto parada em frente a estação de Corumbá.
Daiton vc merece todos elogios, pq sei o quanto planejou esta viagem, além das lembranças que nos retornam ao passado, aff saudades, as historias de vida que encontrou pelas estradas, a beleza q a natureza nos proporciona, fatos. triste como o abandono da nossa história q deveria ser preservada...Parabéns .... Bjim
Fiz um vídeo documentário intitulado "Benção e Castigo, Sorte e Azar" em que conta como a ferrovia foi importante para a construção da nossa própria identidade sulmatogrossense. A chegada da ferrovia em CG (1914) aconteceu na estação de Ligação (nome que se deu por ligar a linha que vinha de Bauru para a cidade). Dêem uma olhada nela hoje, fica a menos de 30 km da cidade. Vejam que tristeza...
Parabenizo a jornalista pela matéria que mexe tanto com os sentimentos e as lembranças do povo de MS. Falar da ferrovia é um misto de dor e saudade. Eu sou jornalista também e meu trabalho de conclusão de curso foi contar um pouco da história da NOB, de Três Lagoas a Corumbá.
Bom dia a todos!
Pois é Sr. Valdomiro, eu era um dos que andava pelos vagões vendendo aquela garrafa enorme de café, bolachas, bebidas, e doces. No restaurante, era uma alegria quando chegava a hora do almoço para deliciar aqueles bifes enormes de filé mignon. Quantas saudades. Sem falar nas pessoas que ao chegar nas estações vendidam de tudo. Obrigado a todos pelas lindas lembranças.
Viajei diversas vezes de Campo Grande ate Porto Esperança nos anos de 1985 a 1996 . Era maravilhoso atravessar o Pantanal , apreciando a natureza ,com o conforto das cabines e restaurante. Seria interessante convocar a repórter da Globo , Gloria Maria ( que fez o documentário do famoso Trem Da Morte ), para que ela constate a Falência e morte da ferrovia . O povo esta perdendo sua história.
Domingo , dia 19/02, estive no Porto Esperança , encontrei o Sr.Wilson ex funcionário da Noroeste do Brasil( RFFSA),meu amigo desde 1.985. Ele e o aposentado que fazia a leitura das enchentes. Com muita tristeza ,constato mais um vez o estado de abandono de toda a estrutura ferroviária construída com sacrifício de vida dos abnegados trabalhadores .Registro aqui o meu protesto !!!
Muito bom Dailton, parabéns. Faz bem para a alma rever lugares que fazem parte da nossa história. A propósito, aquela padaria rústica mostrada na foto continua sendo do Salvador (foto), em Piraputanga, MS. Hoje é um bar, um pouco mais bagunçado...e engraçado. Um abraço.
Eh Dailton, estão era vc que carregava aquele bule de café enorme e gritando café....café.....café. kkkkkk deveria ter uns cinco litros aquele bule não? e o jantar, era um PF com bife de fígado acebolado, que delícia ou um bifão tbem acebolado, cara que saudades deste roteiro T. Lagoas a Campo Grande passando por Arapuá, Garcia, Agua Clara etc. parabens e felicidades a vc.
Parabéns pela iniciativa. Mas fica uma ressalva: mesmo destruindo todo o bem material da nossa ferrovia, pelos depoimentos acima podemos ver que a memória daqueles que amam a ferrovia e tiveram suas vidas a ela ligadas, nada ou ninguém pode destruir.Nós que amamos a história da NOB temos uma obrigação moral de continuarmos transmitindo estas vivencias as outras gerações. Abraços.
oi amigos brasileiros sou argentino estou de paseio aqui em campo grande adorei a ex estaçao de trem e queria recorrer o entorno para olhar as casa antigas porque na epoca todo o comercio ficaba entorno a estaçao e lindo de mais desculpe meu portugues!!! um abrazo.
Já viajei muito de Ponta Porã a Campo Grande de trem, a moto e uma versys 650.
Bom dia a todos!
Agradeço a este períódico eletronico e minha prima Leninha pelo contato e publicação de minha aventura.
As histórias vividas nestes dias, são um uma mistura de alegria e tristeza. A Ferrovia acabou!!! Restaram somente as lembranças. O Brasil é campeão em jogar no lixo seu passado.
No meu face tem muitas fotos (daiton nascimento), vejam lá tudo o que vimos.
abços!
Bom dia a todos!
Diria a vcs que minha expedição foi um misto de alegria e tristeza!
Agradeço este jornal eletronico e minha prima Leninha pela oportunidade de publicar minha aventura.
No meu facebook tem muitas fotos e todos poderão ter uma noção do que restou da ferrovia.
face: Daiton Nascimento.
abços a todos!
Parabens pela iniciativa, muito interessante não conhecia esse lado aventureiro.
Um grande abraço !
Trabalhei na ferrovia de 1984 a 1996. Na época em que trabalhei os patrimônios eram conservados pelos padrões da época, veio o abandono após a privatização trabalhei de Água Clara até Indubrasil, em 1988 assumi a chefia da estação de Atoladeira até meu desligamento em 1996. COM ESSA AVENTURA DO DAILTON passa um filme na minha cabeça, saudade dos amigos ferroviários.
Parabens Daiton, pela aventura de rever e recordando tantas belezas da querida e extinta ferrovia A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Quantas saudades hem meu camarada.Percorrer o trecho Bauru a Corumbá. Tudo hoje destruido pelas próprias maos do homem. Tudo começou com a ganancia do homem político nos anos 1975 trasendo para o estado a multinacionais para a implantaçao de estrada de rodagens
Também sinto imensa tristeza com o descaso com a ferrovia e o trem. Tenho saudades do apito do trem chegando na estação ferroviária.
No começo dos anos 80, morava próximo à Estação e era muito bom ouvir o barulho do trem nas suas infindaveis manobras, principalmente nas noites de inverno, numa Campo Grande ainda com poucos carros e sem muito barulho. Nos resta o som do sino da igreja S Francisc
Pois é, cansei de viajar de Três Lagoas a Aquidauana, de Bauru a Campo Grande pelo trem de passageiro da NOB, antes carros de madeira,depois, carro metálicos que começaram sendo feitos nas Oficinas de Bauru na gestão do Eng.Pedro Pedrossian. É lámentálve que o nosso país com essa extenção continental e nosso Estado não tenha trem de passageiro ligando São Paulo a Corumbá.
pelos previlegiados com parte dessa história.
Mais uma vez, PARABÉNS....a grande reporter Ângela Kempfer, com mais uma matéria lindíssima(sou tua fã).
Parabéns!!!Que história linda Daito, fiquei emocionada com tudo que foi relatado.
É uma grande tristeza, vermos todas essas relíquias deixadas para trás, sem o minímo de preocupação com o que foi no passado.
O estado não deveria enterrar parte de sua história, sim preservá-la para que outras gerações veja e viaje ao passado.
Pena, que não conheci nada dessas viagens de trem, tão comentada e
vc fez um passeio maravilhoso e ao mesmo tempo triste por ver e sentir na pele, como nao evoluiu nada aquela região, eu sou Mirandense e viajei muito de trem... como era bom... parece me que as cidades do interior estão esquecidas... mas o importante foi que vc nao esqueceu... como muitos esquecem... parabéns..
Caro Daiton, também fiz parte desta época, me lembro como se fosse hoje!! Juntavamos uma galera aos finais de semana para ir de Campo Grande a Cachoeirão tomar banho de rio, era só festa!!! Também fiz varias viagens para Bauru e Araçatuba, era muito legal.. Mais infelizmente os governantes não cuidaram desta riqueza, fico triste quanto vejo as estações a beira das rodovias totalmente esquecidas..
Olá Dailton
Há uns 15 anos atrás fiz esta mesma viagem, tambem de motocicleta, com uma yamaha teneré 600, e ja vi muita destruição, faço ideia agora. Tambem sou um saudosista daquela epoca, decadas 50/60 , viajava sempre para Lins onde estudava, anos a fio, ainda no tempo das maquinas a lenha. A ferrovia me conduziu a minha profissão, engenheiro ferroviario; é triste ver o passado desaparecer.
Parabéns Dailton, não perca a oportunidade de registrar esta viagem em um livro. Como filho de ferroviário, praticamente criado na esplanada da Noroeste em Aquidauana, guardo com muito carinho boas recordações daquela época inesquecível, principalmente o cheiro das comidas oferecidas no Restaurante. O PF com bife acebolado tinha um sabor inigualável. Um forte abraço
PARABENS DAITON NÃO SEI SE VC LEMBRA DO BOLINHA Q ERA CHEFE DO RESTAURANTE CRIA DO CLALDIO AMANTINO DO ENGENHEIRO AREONTHY BARBOSA NO QUAL SOU SEU SOBRINHO E QUANTAS ELE VINHA COM AQLE CARRO RESTAURANTE PARA MANUTENÇÃO DA PONTE SOBRE O RIO PARAGUAI Q NO QUAL ERA AVARIADA PELAS CHATAS DE MINERIO OS FAMOSOS BIFE ACEBOLADOS COM OVOS PELA MANHAN E TRISTE VER UMA MEMORIAS SER ESQUECIDA ABRAÇO JOSSUY
é com os olhos cheio de lagrimas que escrevo essas poucas palavras,sou filha de ferroviario,meu pai ja faleceu,morei em miranda eu vendi muito salgado na estação de miranda,sinto muita saudades daqueles tempo,tenho vontade de levar meus filhos pra dar uma volta de trem,mas é muito caro,DAITON vc esta de parabens, gostaria muito de um dia se aventurar por esses trilhos...saudades
Em 1976 com 18 anos cheguei de Corumbá em Campo Grande para estudar e nesta cidade que me acolheu, me formei, adquiri meu emprego, constituí minha família e hoje com um filho de 20 anos conto meu ir e vir de Campo Grande para a minha terra natal, é triste assistir o definhar daquilo que serviu de apoio ao crescimento da nossa Capital e nenhum governante dar vida a tudo isso. Parabéns Dailton.
Boa noite a todos!
Quanto tempo não e Daiton?
Bom deve ter sido bem legal esta volta ao passado, rever as raízes do lugar de onde veio, porém as vezes nos traz sofrimento por ver o que aconteceu com o nosso passado.
Aí paro eu e penso, será culpa da tecnologia? Ou do homem que se ateve a ela e esqueceu de olhar para o futuro?
Beijos e fique com Deus!
Parabéns amigo é de historias como a sua que nos faz viajar no tempo e relembrar as maravilhas que o trem nos proporcionava pena que tudo isso se acabo, tempo que não volta mais como era divertido sair de Corumbá viajar o dia todo parar em Porto Esperança comer um delicioso peixe frito em Aquidauana o tradicional sorvete, gostaria de proporcionar esta alegria aos meus filhos.
EU IMAGINO COMO FOI VC VER TUDO HOJE DESTRUÍDO, EU ME LEMBRO DE QDO AINDA CRIANÇA MEUS PAIS E MEUS 2 IRMÃOS ÍAMOS DE CPO GDE À 3 LAGOAS VER MEUS AVÓS.HOJE MEUS FILHOS Ñ SABEM O QUE É ISTO. AGORA VEM ESTE TREM DE CPO GDE À MIRANDA COM UM PREÇO ABSURDO DE CARO. FIZEMOS A CONTA PRA FAZER UM PASSEIO EU, MEUS 2 FILHOS E MEU ESPOSO, Ñ SAI POR MENOS DE 500,00. SÓ 2 DIAS VAI NO SÁBADO E VOLTA DOMINGO.
Ver a sua história e reviver a minha também, viajei muito de Aquidauana a Corumbá lembro-me das paradas nas estações e dos produtos comercializados(de pamonha a chipa) é memorável lembrar disso, meu avô era ferroviário e quando se aposentou passou a trabalhar em sua charrete na estação de Aquidauana, eu adorava chegar em Aquidauana e subir na charrete com meus irmãos era uma festa, saudades...
parabéns daiton pela atitude, eu ja viajei de trem em minha infancia, é inesquecivel, morava em aquidauana e ouvia o barulho do trem durante a madrugada,saudades, adorava pescar em cima da ponte de ferro sobre o rio aquidauana, parabéns guerreiro...
Ola Amigo
Parabéns pela iniciativa, por um acaso conheço o senhor da padaria rústica gente boa de mais Sr. Salvador
Também sou motociclista e admiro este tipo de aventura.
Um abraço
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