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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

27/01/2014 06:25

Mercadinho do tempo do "êpa" não faz mais compras para estoque esgotar e fechar

Paula Maciulevicius
Depois de fazer compras no Paraná e em São Paulo, dono espera o fim das mercadorias para fechar de vez as portas. (Fotos: Cleber Gellio)Depois de fazer compras no Paraná e em São Paulo, dono espera o fim das mercadorias para fechar de vez as portas. (Fotos: Cleber Gellio)

O Mercado Popular, na avenida Euler de Azevedo já teve açougue, dois caixas na ativa, quatro funcionários e uma fila de clientes. Aberto há 15 anos pelo libanês Nassif Khouri, hoje o dono não faz compras há três meses, no aguardo dos produtos nas prateleiras se esgotarem e ele poder, enfim, fechar as portas.

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O local parece já desgasto com o tempo e revela também o cansaço do dono. ‘Seo’ Nassif diz que é “importado” ao contar que veio do Líbano em 1956 e manda que eu faça as contas ao duvidar que ele tem 74 anos. “Nasci em 1939, faça as contas se quiser”. É que de fato, ele não parece em nada a idade que diz ter.

O mercadinho era grande no movimento e nas vendas antes de as grandes redes chegarem tomando espaço. São cinco corredores e quatro gôndolas que hoje estão completamente vazios e em parte, empoeirados.

Nassif diz que fechamento é em parte pela concorrência e também pelo cansaço de 74 anos.Nassif diz que fechamento é em parte pela concorrência e também pelo cansaço de 74 anos.

O libanês veio para Campo Grande, onde uma das irmãs já morava em busca de oportunidade. Diz ter a encontrado, além de achar o país maravilhoso. “Pelo menos é calmo, não tem guerras e nem revoluções”, completa.

O primeiro estabelecimento que abriu foi uma firma de doces na Rui Barbosa, região do bairro Monte Líbano. Depois, quando achou o salão que ocupa vago, abriu o mercado que hoje vende de flash de câmera até jogo de bisturi, sem faltar, claro, a Coca-Cola de garrafa.

“Esse flash eu tenho há dois anos, ele vale muito mais, mas eu vendo por R$ 75”, anuncia.

Os motivos do fechamento são dois, a concorrência e o cansaço. “Abriu um mercado aqui e outro lá embaixo, daí ficou muito difícil. Caiu bastante o movimento e depois, eu já cansei um pouco”, justifica Nassif.

Local demonstra que já teve dias melhores. Ao fundo do mercado funcionava o açougue. Local demonstra que já teve dias melhores. Ao fundo do mercado funcionava o açougue.
Par de sapatos é o último à venda, tamanho 42, por R$ 49,90.Par de sapatos é o último à venda, tamanho 42, por R$ 49,90.

As prateleiras têm de tudo um pouco. Os alimentos e produtos de higiene carregam o preço em si, nas etiquetas que são coladas uma por uma. Já os brinquedos, utensílios domésticos e até um sapato, que restou de todos que foram colocados à venda, tiveram os valores apagados com o tempo.

O par é do tamanho 42 e vendido por R$ 49,90, mas o dono fala que deste modelo é difícil sair, que é o amarrar cadarço, porque hoje todo mundo prefere de fechar e pronto. O sabão em pó Omo é vendido de um outro jeito, leva pra casa a quantidade que quiser. Um quilo sai por R$ 4. “Para facilitar a saída”, argumenta.

O caixa não aceita cartões de débito e nem crédito e não é de hoje. Ele até tentou por um tempo implantar o sistema, mas não compensava. “O cliente vinha pra comprar um cigarro ou um refrigerante e passava cartão. Falar não, a gente não podia”, afirma.

A calculadora é aquela das antigas, que sai o comprovante da conta na folhinha branca. O valor do produto, quanto foi dado pelo cliente e o troco.

Nos tempos de ouro, as compras eram feitas em São Paulo e no Paraná, além do Atacadãoe Makro. Hoje, ‘seo’ Nassif não vai às compras há três meses e espera fechar as portas até o meio do ano.

Pergunto se ele foi feliz ali e ouço um sim saudosista. “Você acostuma, tantos e tantos anos, mas se é para melhor, não tem problema”. Ele e a família ainda estão estudando o que fazer depois que o mercado fechar mesmo. Parado, ele diz que “infelizmente” não consegue ficar.

São cinco corredores e quatro gôndolas, parte delas com produtos já empoeirados pelo tempo.São cinco corredores e quatro gôndolas, parte delas com produtos já empoeirados pelo tempo.



Quando era pequena tínhamos uma chácara na saída de Rochedo e passávamos ai para fazer compras, era criança e adorava os pães que eram vendidos neste mercado, era um acontecimento para eu e minhas irmãs, pois como morávamos na chácara e vinhamos uma vez por mês para a cidade era maravilhoso rsss é uma pena fechar.
 
Kátia Rosana em 28/01/2014 08:57:21
sr: Nassif não desista seja paciente e tenha fé em Deus.Não deixe as lembranças do nosso passado irem embora,faça diferente monte uma coisa que o senhor goste de fazer.
 
Ell Dav Oliveira Santos em 27/01/2014 22:25:05
Juliandro, assuma o ponto que é da sua família e toque um negócio próprio.
Vc ė o cara.
 
Gleydson Machado em 27/01/2014 21:55:03
Herley, segundo a mitologia hebraica, quem derrubou o gigante Golias foi Davi!
 
Luciano Bandeira em 27/01/2014 15:19:56
Este mercado existe a muito mais de trinta anos, comprei muita coisa de lá, antigamente chamava-se mercado SILVA, depois do plano Collor o antigo proprietário vendeu. Tinha excelentes preços e se achava de tudo.
 
Peterson Rezende da Rosa em 27/01/2014 11:59:26
Este mercado existe há mais ou menos 30 anos, mas antes se chamava Mercado Silva, conheci os antigos donos, pois morava no bairro atrás dele. Naquela época, os proprietários tinha caminhão próprio, vários funcionários e tinha bons preços... o que derrubou eles foi o famoso "Plano Collor".... Lugar de nostalgia....
 
Gustavo Vicente Rodrigues em 27/01/2014 11:10:26
Sr. HERLEI NÃO FOI SANSÃO QUE DERRUBOU GOLIAS, QUEM DERROTOU O GIGANTE FILISTEU GOLIAS FOI DAVI, MÁS PARABÉNS PELA ATITUDE DE MOTIVAR O SEU NASSIF.
 
Wellyngton Cavalcante em 27/01/2014 10:44:44
Passo na frente deste mercadinho mais ou menos uns 25 anos, ele abriu a 15 anos, ele já tentou vender mas, não conseguiu. As vezes eu penava enquanto passava, ele podia pintar o lugar modernizar, quem sabe as pessoas viriam.Muito dificil, para ele ver o comercio dele ficar assim.ele podia montar um restaurante libanês,quem sabe, né.Abraços seu Nassif.
 
silvia Louzan Ribas. em 27/01/2014 10:29:03
Senhor Nassif! é triste dizer. Feche mesmo seu estabelecimento antes que um nóia lhe faça mal. Os bandidos principalmente os "di menor" que dão as ordens neste país. Não vale a pena correr o risco. Os exemplos estão ai estampados na mídia. Que Deus esteja com o senhor. Sou do tempo que bandido era bandido e gente de bem era gente de bem. Hoje temos que ficar presos e os bandidos soltos.
 
jose maria santos em 27/01/2014 09:06:23
NÃO DESISTA SENHORNASSIF.....EU MESMO FUI DO TEMPO QUE SE COMPRAVA TUDO POR QUILO PESADO NA HORA,TENHO SAUDADES DESSE TEMPO,ERA MUITO MELHOR!
 
Maria Rosana Oliveira do Amaral em 27/01/2014 08:47:36
PARABENS A ELE, INFELIZMENTE A VIDA É ESSA, FICO TRISTE TENHO 33 ANOS E ODEIO IR MERCADOS GRANDES PREFIRO MESMO, ESTES QUE VC CHEGA E CONVERSA COM O DONO RECLAMA DO PREÇO E ALI MESMO ELE DA O DESCONTO SEM CONTAR QUE AS VEZES É MUITO MAIS BARATO... NÃO DESISTA NÃO SENHOR ERGA A CABEÇA E SIGA EM FRENTE ATÉ MESMO SANSÃO DERRUBOU GOLIAS, SEJA O SANSÃO NESTA HISTORIA, NÃO DESISTA...
 
HERLEI CLEBER em 27/01/2014 08:18:51
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