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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

20/01/2016 06:56

Nova Lima guarda um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos da cidade

Ângelo Arruda
Centro Cirúrgico: obra de extrema qualidade do Hospital São Julião. (Foto: Ângelo Arruda)Centro Cirúrgico: obra de extrema qualidade do Hospital São Julião. (Foto: Ângelo Arruda)

Posso estar enganado mas grande parcela da população de Campo Grande desconhece que o Hospital São Julião possui um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos da cidade e grande parte das obras lá existentes é de um único arquiteto: Jurandir Santana Nogueira (1940-2001). A capela – a primeira das obras-, o Centro de Convenções, a Escola e o Centro Cirúrgico – as mais antigas, são edifícios exemplares em termos arquitetônicos.

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O Hospital São Julião está localizado na região urbana do Segredo, ao lado do bairro Nova Lima, a 15 km do centro de Campo Grande-MS, junto a nascentes de córregos, vegetação de cerrado e mata ciliar. Surgiu com o nome de Leprosário em 1941.

A lepra era uma doença contagiosa e tratamento era o isolamento e, para isso, famílias eram separadas e os doentes abandonados a uma sorte e cura que ainda não existiam. O então presidente da República Getúlio Vargas, fez cumprir a lei 2.416, de 1929, que obrigava o isolamento compulsório, construindo em vários pontos do Brasil as redes de isolamento: os leprosários. Em Campo Grande, uma área de 240 hectares, foi adquirida e inaugurado em agosto de 1941, o Leprosário atual Hospital São Julião, que fazia parte das colônias inauguradas pelo governo com a promessa de cura para a doença.

O tempo passou, os recursos foram escasseando e o prédio localizado no Bairro Nova Lima foi se deteriorando e, em 1970, um grupo católico da Itália, voluntários italianos liderados pela irmã Silvia Vecellio, que já visitava os doentes, assumiu a diretoria executiva do hospital. Nesse momento as coisas mudam e para melhor e surge o primeiro edifício novo, projetado por Jurandir Nogueira: a capela, uma planta quadrada, na diagonal, com estrutura de concreto e tijolo e painéis em vitrais. Pequena o suficiente para atender as demandas do São Julião. Foi inaugurada em 1974 e em 1991 recebeu a visita do Papa João Paulo II que por lá deixou suas marcas – seus pés foram deixados numa placa de cimento logo na entrada. O campanário é muito lindo.

Capela: obra primeira

O Centro Cirúrgico Francesco Caniato, segundo o site do São Julião, “tem 1.500 m² de área construída em linhas modernas e arrojadas e suas dependências atendem aos mais modernos conceitos de instalações hospitalares” e possui planta retangular com estrutura em concreto aparente, esquadrias metálicas e uma entrada com arco que marca a entrada, se transformando em uma de suas marcas arquitetônicas.

Capela: obra primeira. (Foto: Ângelo Arruda)Capela: obra primeira. (Foto: Ângelo Arruda)
Centro Cirúrgico tem planta retangular e simples.Centro Cirúrgico tem planta retangular e simples.

Centro Cirúrgico: obra de extrema qualidade

A Escola Estadual Padre Franco Delpiano é uma obra de arquitetura de valor inestimável. Planta retangular, simples, com corredor central e as salas ao seu lado, com ampla ventilação e iluminação e foi concebida como um amplo e agradável espaço para aprendizagem. Todo revestido por pastilhas coloridas vermelhas e amarelas e tons de branco, a escola cumpre o seu papel como espaço de educação e de arquitetura pela singeleza e estética adequada.

Escola: obra emblemática em educação

O Centro de Convenções Günter Hans sintetiza exemplifica o desejo pela qualidade da obra embora executada com recursos doados. As linhas arrojadas e nos detalhes de execução a beleza da moderna arquitetura, em harmonia com a vegetação e os jardins que circundam o local demonstram o primor da obra de Jurandir Nogueira, num edifício que é marcado por uma entrada em arco, com mais um vitral em sua entrada. Uma obra exemplar de Campo Grande.

Escola: obra emblemática em educação. Escola: obra emblemática em educação.
E por dentro. (Fotos: Ângelo Arruda)E por dentro. (Fotos: Ângelo Arruda)

Capela: obra com alta tecnologia construtiva em aço

Entretanto há um edifício – a unidade ambulatorial – que foi projetado por outra profissional. Betta Romana, amiga da irmã Silvia, trabalha para o São Julião há anos e com o falecimento de Jurandir Nogueira em 2001 ela passou a contribuir com o complexo e esse edifício foi por ela projetado mas observando as linhas dos edifícios anteriores projetados pelo colega.

A unidade ambulatorial possui planta moderna, com iluminação zenital, no corredor central e muita luz natural e proteção.

Unidade Ambulatorial: obra referencial

Esse é um conjunto arquitetônico importante de nossa cidade, que merece nossas homenagens e nossas referências pois estimula a busca pela qualidade da obra de arquitetura, fato que nos remete às melhores obras públicas de tempos passados.

Eu sou um frequentador assíduo desse local. Levo meus alunos para conhecer, tento participar e ajudo na divulgação de seus processos e esse, de arquitetura, merece ser conhecido. O São Julião é uma enorme referência de qualidade de seus serviços com doenças raras e complexas mas atende pessoas de todas as rendas e o seu centro cirúrgico atua na oftalmologia com extrema qualidade. Palmas a todos de lá, especialmente a querida irmã Silvia. Pessoa admirável.

Corredor da unidade ambulatorial. (Foto: Ângelo Arruda)Corredor da unidade ambulatorial. (Foto: Ângelo Arruda)
Vista de fora do ambulatório. (Foto: Ângelo Arruda)Vista de fora do ambulatório. (Foto: Ângelo Arruda)
Capela: obra com alta tecnologia construtiva em aço.Capela: obra com alta tecnologia construtiva em aço.
Unidade ambulatorial. (Fotos: Ângelo Arruda)Unidade ambulatorial. (Fotos: Ângelo Arruda)



O Hospital São Julião é mantido pela Igreja Católica a mais de 40 anos e todos os seus atendimentos são gratuitos à população e pouca gente sabe disso.
 
wild em 20/01/2016 23:27:19
O hospital São Julião faz parte da história de Campo Grande!
Imaginem a distância àquela época? Era pra ser isolamento mesmo, hoje já está dentro da cidade, mas quando ainda era estrada de terra pensem na dificuldade de chegar até lá!
Assim como a casa dos idosos, São João Bosco, no São Julião também encontramos moradores que lá foram abandonados na segregação imposta pelo governo Vargas e mesmo depois de curados nunca mais deixaram o lugar, que é por sinal muito agradável, graças as freiras que assumiram o que o governo abandonou, como sempre.
Recomendo a quem ainda não conhece fazer uma visita ao lugar, domingo pela manhã ou mesmo num sábado, garanto que serão recebidos com alegria e sorrisos nos rostos de quem esta lá, parado no tempo e esquecido por quem hoje está aqui do lado de fora.
 
Guto em 20/01/2016 10:39:45
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