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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

12/09/2012 10:49

Compositor defende Camaro Amarelo e diz que não existiria música boa sem a ruim

Ângela Kempfer
Compositor defende Camaro Amarelo e diz que não existiria música boa sem a ruim

“O que você entende ao ouvir ‘Camaro Amarelo’?” É uma das primeiras perguntas do autor do hit sertanejo do momento. Para o compositor Marco Aurélio, a música é uma crítica social.

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“Quando eu passava por você, na minha CG, você nem me olhava”, cantarola, lembrando de um dos trechos que fala de deslumbramento, da falsidade nas relações.

A melodia já virou jingle de candidato a prefeito, agora vai tocar em propaganda de analgésico e assim, o compositor vai ganhando dinheiro.

Apesar do sucesso, Marco parece bastante incomodado com as críticas sobre a “qualidade da obra”, depois de emplacar sucessos nacionais como “Amar não é pecado” e “Você de Volta”, na voz de Luan Santana, Maria Cecília e Rodolfo, outras vítimas dos “Confúcios de rua”, na avaliação dele.

Também é, em parte, "culpa" do compositor a aparição de Mariano com uma fralda geriátrica nos shows, na música “Vem Cuidar do Seu Bebê”, outra com a assinatura dele. “Ele tava de curtição. Isso já rendeu a contratação para 2 carnavais”, comemora.

Para Marco Aurélio, os ataques surgem de “gente que não entende e fica falando abobrinha.” Como tudo na vida, o compositor defende um equilíbrio entre o que é bom e o que diverte. “Para ter o bom, tem de ter o ruim”, fala, mesmo defendendo o que escreve com unhas e dentes.

“Faço o que as pessoas querem ouvir. Nem tudo precisa ser complexo, mas eu acho minhas músicas complexas”, vai discursando o compositor, meio coerente, meio controverso, dando um nó na cabeça da repórter que entende no meio de tamanha contradição que Marco Aurélio quer dizer sem falar.

Mas então começam as críticas do músico gente boa, que recebe o Lado B em uma casa de jeito simples, em Campo Grande. Ele mais elogia do que reclama, mas quando abre a boca para criticar é enfático. “No meio, tem muita coisa fabricada. Mas muitos dos meninos que estão aí são trabalhadores, ralam muito para fazer sucesso, merecem respeito”.

De Luan Santana, só fala bem, apesar de não ter sido ele a primeira opção para “Amar não é pecado”. “Tinha guardado para o Fred e Gustavo, mas acabaram levando para o Luan sem eu saber. Nunca imaginei que ia virar o que virou. Deu muito certo”.

Marco é amigo de uma dezena de duplas de sucesso, convive com muitos empresários e produtores, consegue escrever em apenas um mês dois sucessos de projetar estrelas e é da geração que montou o palco para a meninada de hoje brilhar.

“Começamos quando só tinha bailão, grupos que lotavam baile de quinta a domingo. Não tinha dupla fazendo grandes shows. Daí apareceu Marco Aurélio e Paulo Sérgio, João Aroldo e Betinho”, lembra.

Mariano de fralda. Marco Aurélio diz que adorou. O cara tá curtindo o que faz, diz. (Foto: Divulgação)Mariano de fralda. Marco Aurélio diz que adorou. "O cara tá curtindo o que faz", diz. (Foto: Divulgação)

Durante toda a conversa, a cada nome citado o compositor solta um “cara gente boa”, “artista talentoso”... Apenas em um momento fica calado, quando o assunto é a equipe de Michel Teló. “Vamos mudar de conversa”, pede.

Recém separado do parceiro Paulo Sérgio, com quem dividiu quase 20 anos de carreira como cantor, o homem que está entre os que mais recebem direitos autorais com música sertaneja no Brasil diz que 90% das ligações que atende hoje de empresários são em busca de um hit. “Se eu soubesse que ser compositor era tão bom, nunca teria montado uma dupla”, justifica, sem revelar quanto ganha.

A composição é a alma do negócio, defende Marco Aurélio, mas infelizmente, só o inicio para uma carreira que em muitos casos apela para métodos desleais. “O sucesso de uma dupla não depende só disso. Hoje, para vingar, a dupla precisa de um investimento de R$ 5 milhões, é muito dinheiro”, comenta.

Na relação de gastos, o que mais gera indignação é o jabá às rádios. “São 6 mil rádios no Brasil e eles têm de pagar todo mundo para ouvir a música tocar. É uma sujeira.”

Apesar de dizer que não faz nada de graça, porque ninguém “paga contas com elogios”, o compositor comenta que passou a achar que algo estava errado quando os hits chicletinhos passaram a ser tudo no repertório dos artistas. “Também precisamos do modão, do chamamé, da guarânia”.

Há 3 meses, quando lançou no Youtube a música “Tá na Hora”, com críticas ao mundo sertanejo universitário, ele diz que já era uma canção de despedida dos palcos. “Tem coisas que não aceito, como garupa em composição (quando cantor assina autoria junto) e esse mercado dinheirista. Do quem dá mais, leva. Fiz um alerta, para mostrar que nem tudo é tão azul”

Com o fim da dupla, Marco Aurélio agora vai se dedicar a Munhoz e Mariano, Fred e Gustavo e novos cantores que precisam de um padrinho para crescer. É o responsável pelo repertório das duplas e parece satisfeito. “Tenho mesclado bastante e inserido músicas boas”.

Apesar do sucesso, ele não pensa em sair de Mato Grosso do Sul, Estado que, segundo ele, “tirou tudo e deu tudo”.

Filho de fazendeiro, o músico admite que torrou a herança do pai com “farra”, mas diante da chance de se reerguer com a música, resolveu fazer tudo certo, garante. “Hoje não saio comprando coisas, mostrando para os outros, guardo para dar uma vida boa à minha filha, à minha esposa”.

Sobre “os nomes aos bois”, Marco Aurélio pretende dizer tudo em um livro sobre o que viu nos bastidores do mundo sertanejo. Já escreveu algumas páginas e passou a consultar advogados. “Quero ver se não vai gerar mais processo do que dá para pagar”, brinca.

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