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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

30/01/2014 06:35

Escolas de samba esquecem datas importantes e enredos vão repetir temas antigos

Elverson Cardozo
Escolas de samba esquecem datas importantes e enredos vão repetir temas antigos

O Carnaval de Campo Grande, este ano, será mais “nostálgico”, com reapresentação de enredos já conhecidos, e com mais temas universais que regionais. Apenas quatro das nove escolas decidiram focar na cidade, ainda assim, duas com temas reeditados, que já foram apresentados em anos anteriores.

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Isso aconteceu porque o prazo para entrega de enredos, na Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas), foi mais “apertado” em 2013. O limite era junho. As escolas estavam acostumadas a providenciar isso no final ou início do ano seguinte.

Os carnavalescos dizem que não tiveram tempo hábil para se planejar, bolar algo melhor. A Lienca, por outro lado, se defende e afirma que a justificativa é plausível, mas faltou organização. “O Carnaval é em fevereiro ou março. Em abril eles já devem estar discutindo para o ano seguinte”, afirmou.

A Unidos do Bairro Cruzeiro é uma das escolas que vai entrar com um tema antigo (“a mitologia grega à passarela do samba – os deuses gregos no carnaval brasileiro), explorado há pelo menos 10 anos, segundo o presidente, Alex da Silva Guedes.

Como a agremiação, na ocasião, foi bem avaliada, os carnavalescos resolveram voltar, mas agora, garante Alex, “com mais glamour e beleza”. Serão 9 alas, cada uma dedicada a um deus, três carros e 600 pessoas. “Ia ser outro tema, mas como tivemos um ano de adiantamento, escolhemos às pressas”, disse o presidente.

Escolas de samba esquecem datas importantes e enredos vão repetir temas antigos

A Unidos do Aero Rancho também recorreu ao passado com o enredo “Do barro e da tela para a passarela – o Aero Rancho vive o sonho do artista”. É uma releitura do desfile de 2004. Neste caso, garantiu o presidente, Alberto Vieira de Mattos, a escola já tinha pensado na reapresentação, mesmo antes dos prazos estabelecidos pela Lienca.

“Na época não foi feito do jeito que a gente queria. O recurso era outro. Queríamos prestigiar o artista plástico Levi Batista, o homem das araras, mas não tivemos oportunidade”, contou.

Agora, é torcer para tudo dar certo. Com 10 alas, 3 carros alegóricos e mais de 300 foliões, a escola pretende fazer bonito na avenida. A homenagem de Levi se estende aos pintores de renome, como Di Cavalcanti e aos regionais, como Lídia Baís. “Haverá uma ala dedicada a ela. Não sabemos como vai ser, mas terá um carro alegórico abrindo ou fechado o desfile com a releitura de uma grande obra dele, a da Santa Ceia, onde ela aparece com dois apóstolos de Cristo”.

A Cinderela Tradição do José Abrão é outra que será responsável pelo clima nostálgico. O samba-enredo (Viemos falar das flores) foi executado, segundo o atual presidente, Gilberto Carlos C. Lopes, no Carnaval de 1982.

É uma homenagem ao bairro, que dá nome á escola, e à Beija-Flor de Nilópolis, agremiação do Rio de Janeiro. “O compositor, Edson Carioca, era primo do Neguinho. Gostava muito do José Abraão”, contou. A letra lembra que o bairro é cheio de flores. As 6 alas devem levar isso à avenida. Uma será das rosas, a outra das tulipas e por aí vai. Serão 3 carros alegóricos e um “time” de 150 participantes.

Escolas de samba esquecem datas importantes e enredos vão repetir temas antigos

Temas inéditos - Na lista das que vão apresentar novos enredos está a Estação Primeira do Taquarussu, com “Mãe Menininha dos gantois, minha mãe ialorixá, filha de ogum, vem me proteger. Vou usar um patuá...”

O foco será a Bahia, seu o contexto religioso e as crenças em santos e orixás. O destaque vai para mãe Menininha. “É a mãe de santo mais conhecida do Brasil”, explicou o carnavalesco responsável, Manoel Lemos Teixeira.

São 4 carros, cerca de 400 pessoas e 11 alas. “Uma vai falar sobre as festas de Nossa Senhora dos Navegantes. A outra vem falando sobre o Olodum, grupo conhecido mundialmente como uma entidade filantrópica que presta serviço social”, exemplificou.

Com 11 alas, quatro carros e 500 componentes, Os Catedráticos do Samba, promovem, na avenida, “Uma viagem ao mundo dos contos e fábulas da literatura infantil”. Este foi o tema mais forte que a escola encontrou, disse a presidente, Marilene Pereira de Barros.

“Nosso carnavalesco é um professor e ele comentou alguma coisa sobre a leitura que está meio esquecida, que deixamos de lado por causa do computador. Optamos por isso, para ver se resgatamos um pouco esse gosto”, explicou, ao dizer que agremiação chegou a cogitar falar sobre ufologia ou fazer uma homenagem ao município de Água Clara.

Escolas de samba esquecem datas importantes e enredos vão repetir temas antigos

A Vila Carvalho entra na avenida para homenagear a Mangueira, escola de samba do Rio de Janeiro. “É nossa madrinha. Nos apoia. Nada mais justo”, argumentou o presidente, José Carlos de Carvalho ao informar o tema: “Minha madrinha mangueira. Sou verde e rosa de corpo, alma e coração – Carvalho e Mangueira uma só nação”.

Guardando os detalhes para surpresa no dia, Carvalho conta apenas que deve sair com 12 alas e quatro carros alegóricos. A Deixa Falar, comandada por Salvador Dódero, levar alegria, muita cor à avenida, com “Aqurela Pantaneira – uma viagem a céu aberto”.

“Vamos divulgar as coisas importantes que temos em nosso Estado. Vamos desfilar o Pantanal”, adiantou. Araras, índios e vaqueiros estão entra os destaques que devem compor as 10 alas e os 3 carros alegóricos que devem ser seguidos por, pelo menos, 430 participantes.

A Igrejinha é a escola que conta com maior público: Aproximadamente 1 mil integrantes, segundo seu presidente, Paulo Freira Thomaz. Com 13 alas e 5 carros, a agremiação pretende homenagear o carnavalesco Valdir Gomes (“Quando se iluminam as avenidas e resplandecem os salões, o luxo, o brilho e as cores desfilam na genialidade de Valdir Gomes, ícone dos carnavais”).

“Ele não desfila mais em Campo Grande há 12 anos. Só em Corumbá. A igrejinha quer valorizar o carnaval daqui, por isso, quer trazer ele”, justificou.

Criatividade - De todas, a Herdeiros do Samba, escola mirim, vinculada à Aresm (Associação Recreativa Escola de Samba Mirim), parece ter sido a que mais abusou da criatividade. O enredo é a “Viagem Imaginária de Cleópatra ao Pantanal Sul-mato-grossense”.

Foi inspirado na predileção de Brenda, 7 anos, pelas cores e coisas do Oriente Médio. É neta da atual presidente, Fátima da Luz. “Ela é fascinada. Gosta do Egito, da Grécia. Quando falei da Cleópatra todo mundo acatou”, disse.

Como não são permitidos, segundo ela, temas internacionais, foi preciso trazer a rainha para o Brasil. Por aqui, Cleópatra vai passar por diversas épocas e por vários locais. Sai do Egito pelo mar vermelho, dá uma paradinha em Madagascar, com todos aqueles bichos do filme animado, abastece-se de água doce e, na saída, encontra-se com os Piratas do Caribe.

Aporta na África do Sul, faz uma visita ao Mandella (não é uma homenagem póstuma, esclarece, porque o enredo foi pensado antes da morte do líder) e vai para Angola, onde visita uma tribo de antigos guerreiros antigos. De lá, vem direto para o Brasil.

Chega, primeiro, na baía de Todos-os-Santos, percorre Porto Seguro, desembarca no Estado de Minas Gerais, corta todo o Triângulo Mineiro para só, então, chegar ao Pantanal, por Corumbá. No município sul-mato-grossense, Cleópatra, a aventureira, ainda vai andar de canoa com os índios Guatós, cavalgar com os Guaicurus, dar um mergulho no Mar de Xaraés e aí, coitada, terá de voltar antes que encontre o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, mais conhecido como Rondon.

Detalhe: O “affair” de Cleópátra, o imperador Júlio Cézar, também será representado. A atuação, sem encenação que lembre romance, ficará por conta de um de um homem de aproximadamente 40 anos, portador de necessidade especial.

Fátima espera demonstrar tudo isso contando com 6 alas, 4 carros e apenas 60 jovens, de 7 a 18 anos. Com tanta criatividade é uma pena que a escola, como convidada, não possa concorrer. Pelo menos a abertura do Carnaval, ao que tudo indica, será divertida.

O Lado B não conseguiu falar com o presidente da Unidos do São Francisco.




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