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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

06/03/2016 07:12

Na década de 90, promoters de Campo Grande surgiram nas festas da Mr. Dan

Naiane Mesquita
A boate ficava na região da Ceará.A boate ficava na região da Ceará.

Divulgar uma festa na década de 90 significava distribuir flyers e pré-convites nas avenidas de Campo Grande. O árduo compromisso era trabalho para os promoters, figuras conhecidas em todo o mundo, mas que surgiram na Capital apenas com o nascimento da Mr. Dan, boate localizada próximo a avenida Ceará e que fez sucesso entre os mais jovens da época.

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Onde já foi a Mr. Dan hoje é o endereço de um buffet na rua José Eduardo Rolim, em Campo Grande (Foto: Fernando Antunes)Onde já foi a Mr. Dan hoje é o endereço de um buffet na rua José Eduardo Rolim, em Campo Grande (Foto: Fernando Antunes)

Hoje, aos 45 anos e produtor cultural há muito tempo, Jamelão, ou melhor Clebson Marco da Silva, lembra bem da época em que foi um dos primeiros promoters da cidade. “Já existia a figura do promoter em São Paulo e Rio de Janeiro. Eu estava familiarizado com a produção cultural pela influência do meu pai, Pedro Silva, então trabalhar na noite foi natural”, conta.

Quando começou a trabalhar na Mr. Dan, Jamelão tinha 24 anos. A casa surgiu em 1995, com o fechamento da Chatanooga. O proprietário das duas casas de show era o mesmo, o empresário Eduardo Martins, que veio de Ribeirão Preto já com uma boate no currículo. Apaixonado pela cidade, o empresário decidiu abrir a famosa casa de dance nos anos 80. Conforme o público foi diminuindo e a concorrência chegando, Eduardo viu que abrir outro local seria a salvação. “Campo-grandense sempre gostou de uma novidade. Abrir um casa de show acabou funcionando, até porque a Mr. Dan era completamente diferente da Chatanooga”, conta Jamelão.

Outro produtor cultural e empresário, Gustavo de Arruda Castelo, 43 anos, mais conhecido como Cegonha, relembra que o quesito novidade foi um dos atrativos da MR. Dan. “Ela veio em um lugar novo, com som e iluminação diferente do que existia em Campo Grande. Os DJ's eram do eixo Rio- São Paulo. Os promoters precisavam toda semana criar uma festa com um tema diferente”, diz Cegonha.

Na época, ele também era promoter da casa, em que só saiu para tocar os projetos pessoais, como a Garage, anos mais tarde. “Tinha festa em que as mulheres não pagavam para entrar até a meia-noite e bebendo de graça. Lembro da festa do semáforo, em que a pessoa ganhava uma pulseira em que vermelho significava que a pessoa era comprometida, verde que ela estava livre e amarelo, enrolada”, brinca.

A divulgação acontecia no corpo a corpo, nas ruas da cidade. “Eram pré-convites e flyers que davam desconto para quem apresentava na portaria. O público era de 18 a 35 anos, muita molecada, gente nova”, cita Cegonha.

Jamelão frisa que na época as pessoas consumiam as mesmas bebidas de hoje, como cerveja, vodka ou whisky. “A diferença era um drink, frozen, que era servido em copos de marguerita, bem bonitos”, relembra.

A Mr. Dan ficou no topo durante muitos anos, fechando apenas em 1999. “A primeira vez que abriu era apenas um galpão, não tinha nada demais. Em seis meses eles reformaram e ela ganhou outro andar, foi um sucesso. Ficou no auge até 1999. Depois, não lembro ao certo, ela fechou, voltou em 2000 e acho que fechou de vez em 2002”, acredita Jamelão.

Da época ficou a experiência para seguir a carreira de produtor cultural. “Fiz as festas Organic, primeira have em Campo Grande e depois entrei na sociedade do Garage, com o Cegonha. Foi um tempo bom”, diz Jamelão.




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