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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

04/01/2013 06:39

Repertório na fonte da Ary Coelho muda para agradar gostos, mas nem tanto

Anny Malagolini
Ramona e os filhos, alguns dos frequentadores da Ary Coelho.Ramona e os filhos, alguns dos frequentadores da Ary Coelho.

Todo dia é assim no fim da tarde na praça Ary Coelho. As buzinas, o falatório diminuem para entrar a música, em uma das quadras mais movimentadas da cidade.

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Quem passa por ali já deve ter ouvido e prestado atenção na fonte, instalada com tecnologia depois da reinauguração do espaço. A curiosidade começa com a dança das águas, no ritmo dos acordes.

Para melhor efeito, o mais aconselhado é música clássica, mas “a voz do povo é a voz de Deus”, não teve jeito, e no meio de inúmeros pedidos, a música popular brasileira entrou na playlist.

De acordo com os seguranças que cuidam da praça, os pedidos de músicas são diários, sempre acompanhados de reclamações por conta das canções clássicas: “Música chata, ouvir toda hora enjoa”, é o que mais se escuta.

Então, a solução foi tentar unir o pedido ao ideal. O rock clássico do Queen, o sertanejo mais de raiz, no máximo um Zezé di Camargo e Luciano. Mas não adianta reclamar, arrocha ou outro ritmo mais chiclete não combina, avisam os responsáveis.

Os estudantes Egon Zach, 17 anos, e Jakline Nogueira, 16 anos, não aprovaram a seleção de música da praça, porque só "toca música antiga".  “Tem que ter músicas da atualidade, musica eletrônica, mais comercial mesmo”, pede Egon.

Quem coloca a fonte para dançar é o piscineiro contratado pelo prefeitura. Depois de muita perturbação, ele diz que coloca a música para tocar e sai correndo. Se esconde por conta dos pedidos, que são muitos. “Tem gente que odeia, tem gente que acha interessante, é difícil agradar a todos”, explica.

Ramona Chamorra, 28 anos, é estudante é considera "a música boa pela diversidade de sons". Apesar de não achar ruim, o clássico ainda é o favorito da estudante por combinar mais com o ambiente.

A música e o efeito da fonte se tornaram fundamentais para o viúvo Granville de Souza, 55 anos, que costuma ir à praça no fim do dia como uma forma de se entreter depois que perdeu a esposa.

A surpresa se deu quando a 5° Sinfonia de Beethoven deu lugar às músicas populares. A desaprovação veio na hora. “A música melhorou o ambiente e a clássica vai de acordo com os frequentadores, que na sua grande maioria é de idosos. Aqui não é feito para ouvir qualquer coisa”.

Quem não gostou nada foi um dos principais personagens do Centro de Campo Grande, Paulinho do Radinho. "O repertório é horrível, estão assassinando a praça. Colocam qualquer coisa sem o mínimo de atenção com quem passar por aqui".

Granville de Souza, ouve para esquecer a saudade da mulher.Granville de Souza, ouve para esquecer a saudade da mulher.
Já Paulinho do Radinho odiou o repertório.Já Paulinho do Radinho odiou o repertório.



Eis o reflexo de se reduzir o conceito de beleza ao "meramente agradável". Sem as devidas noções de arte (que qualquer um pode aprender, independente de classe social e de grau de instrução), o povo prefere sons primitivos (regados a pura e simples batucada) e distorcidos a melodias bem elaboradas. Isso, a considerar que até a música clássica experimentou certo grau de decadência a partir da escola romântica, da qual Beethoven fez parte...
 
Marcel Ozuna em 04/01/2013 10:33:42
Se tem :reclamam,,Se não tem reclamam, se não fez :reclamam,se fez reclamam. Se agrada a uns outros reclamam....Agóra vai entender!!!!!
 
Teresa Moura em 04/01/2013 10:19:21
Entendo que cada frequentador gostaria de ouvir uma playlist personalizada,mas devem entender que ali o ambiente propõe unir movimento da água com a música,a água transmite tranquilidade e a música é para reforçar.Dentro deste contesto não é tudo que combina.
Como já citado,as pessoas que estão de passagem por ali,estão no fim de expediente ,merecem um pouco de paz,nesses aproximados 3 minutos que cruzam a praça.Já os que ficam lá por mais tempo e não curte o som e se incomoda com ele,a dica é levar fones de ouvido e ouvir sua playlist exclusiva pelo celular.
 
RAMONA CHAMORRO em 04/01/2013 09:44:57
Quando os ouvidos estão desacostumados a ouvir boa música da nisso. Quem ouve "tchu tcha" não sabe nem quem é Beethoven. As musicas que tocavam eram para aliviar as tensões de um dia corrido e pelo menos por alguns minutos fazer as pessoas esquecerem seus problemas. A praça não é Estação de Rádio, quem quiser ouvir seus gêneros musicais favoritos use o MP3 ou Celular e por favor não esqueçam os fones de ouvido...
 
Maria Oliveira em 04/01/2013 09:30:01
A praça não é uma discoteca. O repertório tem a ver com a fonte, algo realmente clássico em uma cidade... Insensato mudar radicalmente. É preciso inovar, sim, mas também temos que nos atentar ao significado da Praça e da fonte. A música clássica para um fim de tarde, para muitos, fim de expediente tem tudo a ver. Estamos falando de uma Praça tradicional, com uma fonte que é um símbolo importante para a cidade... Se a música tocasse o dia todo, até vai (e olhe lá!). Concordo sim, com alguns clássicos... Queen é fera demais! E qual o problema com o que é antigo? Por que essa desconexão? Anny, matéria nota 10! Vai gerar uma discussão bacana!
 
Paula Siebeneichler em 04/01/2013 09:02:02
Moro em frente a praça e posso dizer: o cuidado com a música é totalmente desregrado! Não há limites para volume e estilos! E cara, na boa: uma reforma e tanto para um piscineiro cuidar disso?! Sem contar o sistema de irrigação que está sem manutenção... Liga as 18h, bem na hora que o povo passa pela praça e acabam se molhando... Limpeza? Uma vez ao dia e olhe lá aos finais de semana! Eu vejo tudo isso!
 
caciano lima em 04/01/2013 07:27:29
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