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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

23/07/2012 09:33

Tormentos e alegrias de quem mora ao lado de um karaokê em Campo Grande

Ângela Kempfer
Marcos Vinícius, o pintor canta o sertanejo universitário no karaokê.Marcos Vinícius, o pintor canta o sertanejo universitário no karaokê.
São centenas de música para escolha, impressas em folhas de papel.São centenas de música para escolha, impressas em folhas de papel.

Uma hora da madrugada e o som ao lado é “Chora, me liga, implora...”. Mas o pior não é o repertório e sim a afinação. Moro ao lado de um karaokê da cidade e, além da festa de terça a domingo, duro é aguentar a cantoria de gente sem a menor vocação musical.

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Há noites ensaiava (da minha cama) levantar e ir até a rua Brilhante tentar uma solução para meu sono, até que no final de semana tomei coragem. Péssima ideia.

Cheguei pronta para subir ao palco, como quem quer cantar, e esculhambar o público, mas quando vi, já estava aos berros cantando Kid Abelha e “Tantos sonhos morrem em poucas palavras...”.

Quando o marcador indicou nota “9. Tente novamente”, o sangue subiu à cabeça. O jeito foi correr para o caixa e comprar mais 10 reais em fichas, o que dá direito a 5 músicas. Resultado: fiquei por horas cantando, até conseguir um “93”.

É impressionante. Bastou subir ao palco para o sono sumir. A empolgação aumenta quando a gente vê que a pessoa que antecede sua apresentação é tão ruim que parece impossível ser pior (Vai nessa...).

Ao chegar, o espetáculo era do pintor Marcos Vinícius Silva, de 32 anos, um homem franzino, com bermudão e camiseta, que ao empunhar o microfone solta um vozeirão digno do sertanejo universitário, preferência clara do calouro.

Três vezes por semana, ele sai do bairro Tiradentes para cantar no Karaokê da rua Brilhante. Apesar da certeza de já ter ouvido o animadinho em uma das minhas noites de insônia, nem dá para virar inimiga. Ele parece tão feliz no palco que acabo batendo palmas.

“Acho que eu não faço feio não. Tem gente que elogia. Quando subo no palco, sou estrela”, comenta Marcos, que durante a semana trabalha em obras pela cidade.

Tudo é tradicional no karaokê, como o telão com as letras das canções.Tudo é tradicional no karaokê, como o telão com as letras das canções.
Quem não quer cantar, dança.Quem não quer cantar, dança.

O ambiente é o clássico, meia luz, paredes pretas, um xadrez no palco, 41 mesas espalhadas pelo salão e vinis pendurados em um tecido prata.

O mais impressionante são os clientes. Tem uma turma de amigos animados em um canto, duas famílias (pai, mãe, filha e genro) em outro, solteiros, casados...Todo mundo só fica parecido mesmo quando está no palco. “Sucesso, sucesso, sucesso”, introduz outro a pegar o microfone.

Apesar de tudo parecer muito liberado, há regras em dois grandes banners pendurados ao lado do palco.

A primeira norma é “não grite”, para a música ficar mais agradável. O que parece bem difícil para quem vive do outro lado da rua.

Também não é permitido subir para cantar levando o copo de bebida. Se derrubar o microfone, tem de pagar cinquentão e caso o instrumento quebre, a taxa é de 80 reais.

Quem canta, precisa de esperar a vez do outro para subir novamente ao palco, que só recebe duas pessoas por vez. O resto é igual ao que já estamos acostumados. São centenas de músicas impressas em folhas guardadas dentro de pastas. É só escolher um número, pagar R$ 2,00 e esperar a sua hora.

A letra da música aparece em um grande telão e a nota vem ao fim do espetáculo. Dá para dançar, levar torcida, só não é possível entrar armado (eu nunca pensei nisso). Um segurança enorme revista todos que entram na casa.

Mas o álcool é a preferência da moçada, é só olhar as mesas. A garrafa de cerveja mais barata custa R$ 5,00 e ainda há petiscos, como batata frita. A entrada custa R$ 3,00, mas aos domingos é de graça.

A casa ficou algum tempo fechada para reforma e reabriu com o dobro de capacidade. O que significa muito mais gente cantando e mais noites sem dormir, naqueles dias em que o vento bate e leva direto para sua casa a empolgação dos “cantores”.

Mas agora já sei o caminho e o tamanho da alegria de quem frequenta. Em uma cidade onde se fala tanto da Lei do Silêncio, descobri como pode ser bom cantar com o inimigo às vezes.




qual o endereço desse karaokê??
 
TALITA MACHADO em 27/09/2013 10:45:36
Nasci em CGR e há mais de 10 Anos não ia prá lá... Este Karaokê fica bem em frente de uma Sobaria e juntamos todos os primos e fizemos o "esquenta" lá... Nos animamos e em plena terça feira estávamos lá soltando o gogó! Para minha surpresa a casa estava cheia e até tinha muitas pessoas conhecidas! O lance é deixar a timidez de fora ou dar um jeito de deixá-la esperando na porta, prá quando sair!
 
Murilo Yassumoto em 27/07/2012 09:34:55
acho que valeu a propaganda;mais cantando com inimigo um poico fora de questão,porq eu não cantaria com os vizinho que todas as noites ligam um horrososo som automotivo,vou ensinar pra eles o caminho do karaoke.
 
solange obara em 24/07/2012 09:26:46
Gente vocês não sabem o que é bom, se ainda não foram ao KAROLKÊ da brilhante, vá conhecer e terão com certeza uma noite muito gostosa, com pessoas de bem com a vida, que estão ali apenas pra se divertir, eu ja fui varias vezes com familiares e valeu muito a pena, aconselho a todos, diversão de boa qualidade!!!!!
 
liazinha ferreira em 24/07/2012 07:49:23
Sinceramente :
Comentario que fez sobre tudo , a decisão de ir ao local, cantar , falar das coisas boas que acontecem lá , a superação do pensamento inicial. Que maravilha.
Que pensamento positivo , valei amigo.
Se todos os raivosos agissem assim , o mundo terias menos pr5oblemas e tristezas. Parabéns.
 
Altevir Nuines em 24/07/2012 07:42:01
Ahahaha conheço uma certa pessoa que é frequentadora assídua desse lugar,que por sinal é perto da minha casa também.
 
Ruan Pina Quevedo em 24/07/2012 04:23:00
E eu que já tinha esperança de conhecer esse ambiente, depois dessa fiquei com mais vontade de conhecer o quanto antes. Estou pensando em como será me sentir artista por alguns momentos. Me aguarde
 
Nivaldo Barbosa em 24/07/2012 01:00:25
Sim, Mauricio Ferreira, foi a própria moradora que é Jornalista.
Aliás, Ângela, muito interessante mesmo a matéria com participação e tudo!
"Quando não se pode vencer ... junte-se a eles."
 
beth saltão em 23/07/2012 12:18:36
As pessoas precisam aprender que para se divertir o som não precisa estar no último volume.
 
Fabio Pellegrini em 23/07/2012 12:09:53
Gostei muito da interatividade, tenho como sugestão, que a casa abra mais cedo para atender mais clientes e feche um pouco mais cedo aos domingos para garantir o sono da vizinhança.Cantar faz bem a alma como diz minha mãe, que canta em vários corais mesmo aos 82 anos.
 
NOELINA MARQES DIAS em 23/07/2012 10:47:18
Ninguem ali canta Evidencias como eu.
 
Danilo Mandetta em 23/07/2012 10:27:00
Miriannnnnn, vamos nos divertir muitooooooo. Extravasar td q temos direito!!
 
PALOMA Santos em 23/07/2012 10:27:00
Acho que é direito da pessoa se divertir.Mas tem que respeitar o direito dos outros que querem descansar.No meu caso moro ao lado da Praça do Radio e ontem terminou a feira do chocolate que durou três dias.O som incrivilmente alto e ontem só parou após a meia noite. Bem que as autoridades poderiam determinar volume de som sificiente p/os participantes dos eventos mas sem perturbar toda a redondeza
 
Antonio Marquesa em 23/07/2012 10:26:04
Belíssimo texto! Adorei suas palavras tão bem colocadas, me deu vontade até de conhecer o local; mesmo porque adoooooro cantar. Mas não serei mais uma a estragar seu sono!
 
Valéria Caldeira em 23/07/2012 10:25:07
gostaria de saber se foi a moradora mesmo quem escreveu este artigo, se foi mesmo, parabéns.
 
Mauricio Ferreria em 23/07/2012 10:03:34
Achei que tinha fechado, mas fiquei tão feliz com essa notícia!!!!!! Adoro esse karaokê.
Voltarei. E vou cantar coisas como o tema de flashdance e músicas da Withney Houston, Rosana e Jessé porque é maravilhoso poder ser brega e se libertar. Me aguarde. Porto Solidão será a primeira.
Ah, a caipirinha do local (versão ant) era a melhor da cidade. Vejamos se ainda tem.
Bom ter o karaokê de volta.
 
Mirian Costa em 23/07/2012 09:55:55
Karaokê, que saudades do FREE SONG ali da 15!
 
Henrique Alomada em 23/07/2012 02:42:06
Sim, como é bom se divertir. A vida passa, e um dia todos vão olhar pra trás e talvez se arrepender de não ter curtido a vida um pouco mais, vai bater a vontade, mas o corpo cançado não pode mais acompanhar a mente, pois já estará velho. Portanto jovens (ou não tão jovens mais), se divirtam, aumentem o volume, percam noites de sono, afinal, a vida é uma só. Saudades dos meus 18 anos.
 
João da Silva em 23/07/2012 01:28:24
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