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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

26/10/2015 06:56

Fique a vontade, pode me chamar de gorda sim, o quanto quiser!

Liziane Berrocal
Fique a vontade, pode me chamar de gorda sim, o quanto quiser!

Meu Deus, eu sinto ânsia de vômito ao ler certas coisas!

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Me perdoem o desabafo em uma coluna que se propõe a falar de coisas “para cima”, de alegrar mulheres e falar sobre empoderamento, mas não podemos fechar os olhos diante de tantas barbaridades que acontecem todos os dias.

Vim aqui inclusive para abrir o coração. O jornal Extra, do Rio de Janeiro divulgou no ultimo dia 21 uma matéria sobre uma estudante universitária negra, grávida de três meses e gorda, que foi vítima de racismo, machismo e gordofobia em um grupo de “graduação”.

Carla Gomes, de 21 anos, de Porciúncula, no Norte do Rio de Janeiro, cometeu um crime contra os “facistas”. Ela de decidiu comentar em uma postagem que a indignou, com conteúdo discriminatório. Sim, foi esse crime cometido pela acadêmica.

“Preta até vai, mas gorda e fedorenta?”, ou “Orca baleia” e outras ofensas pesadíssimas (nossa, que trocadilho). E eu mais uma vez tenho que escrever que sim, precisamos falar de gordofobia.

Outro dia, nos comentários daqui mesmo do Lado B, uma senhora do nada veio contestar uma opinião minha com a frase. “Eu sou homofóbica e magra, e também sou preconceituosa”. Ok, obrigada, melhor ser gorda do que podre, não é?

E qual o problema da mulher ser gorda??? Ou da pessoa ser gorda? Alguém pode me responder, nem que seja na Bíblia, no código penal ou em algum manual idiota de instruções que esteja escrito que não pode ser gordo?

O preconceito chega ao ponto das pessoas não chamarem a outra de “gordo” ou “gorda” porque soa como ofensa pior que chamar de criminoso. Tipo, é mais feio chamar de gorda do que de puta! E aliás, titia vai ensinar que não pode chamar nem de um, nem de outro ok?

E na verdade, tem dias que eu me canso disso, porque vivi e vivo tudo isso todos os dias da minha vida. Vou contar uma história para vocês aqui que aconteceu na minha vida profissional. Eu trabalhava para um grande empresário e político e acabava por auxiliar na manutenção de perfis das redes sócias e às vezes até do perfil pessoal dele.

Lembro que fiquei atônita quando uma pessoa enviou uma mensagem para ele dizendo que era para me demitir porque eu era gorda. Gente, alguém se deu o trabalho de enviar uma mensagem ao meu chefe falando que eu tinha que ser demitida porque eu era muito gorda.

Eu me lembro das palavras: ‘Você tem que demitir essa sua assessora, ela é gorda’. Confesso que fiquei sem ação e apaguei o comentário, bem profissionalmente. E depois percebi que não adiantaria, porque eram várias mensagens dessas por conta do posicionamento político que tenho.

Pensa só, alguém pedindo a demissão de alguém por ser gorda? Pois é minha gente, isso existe. E quando me dei conta que mais cedo ou mais tarde ele iria ler os inúmeros comentários em relação a minha forma física, não tive dúvidas. Sentei com ele e abri o coração. A resposta foi a melhor possível. “Não te contratei por causa da sua aparência e sim com sua competência”.

Ali, eu claro fiquei aliviada. Mas as ofensas nunca cessaram. E toda vez que eu vejo alguém fazendo o que fizeram comigo eu fico tão tristes, mas mantenho a esperança que sim, nós precisamos falar de gordofobia e de preconceito e mais ainda de humanidades.

Sem mimimi, sem chororô e com a realidade de que isso não vai mudar tão cedo, veja pelo preconceito racial que a escravidão acabou em 1888 e ainda tem gente com mente do século passado e que trata o negro como se fosse sub, ainda assim há progressos nesse sentido.

Então, não podemos desistir e temos sim que insistir em tudo que pudermos para fazer do mundo um lugar melhor para se viver e para que as pessoas percebam o quanto o outro ser humano também é importante.

E eu começo por mim: pode me chamar de gorda sim. Não sou forte, porque não sou alterofilista; não sou cheinha porque não sou balão e nem gordinha, porque isso é a maneira velada de ofender. Pode me chamar de GORDA, com todas as letras que uma gorda tem, porque o que me define não é ser gorda ou magra, branca ou negra, loira ou morena, o que me define é o que eu faço pelo mundo que vivo e pelas pessoas ao meu redor. E eu não trocaria isso por nenhum corpo de Barbie!

Beijos de luz!

*Liziane Berrocal é jornalista, fez bariátrica e tem o blog Lizi Plus!




"porque o que me define não é ser gorda ou magra, branca ou negra, loira ou morena, o que me define é o que eu faço pelo mundo que vivo e pelas pessoas ao meu redor. E eu não trocaria isso por nenhum corpo de Barbie!"

Você disse tudo aí! É muito triste saber que existem pessoas com pensamento tão pequeno. Infelizmente a sociedade não procura evoluir mentalmente.
 
NA em 26/10/2015 15:47:19
SIM, foi isso que eu disse, ela se declarou gordofóbica! Mas olha só, não adianta ficar discutindo isso com vc, pessoa, seja lá quem for vc. Se vc acredita que não existe, ok, pra vc não existe. Mas pras pessoas que já passaram ou ainda passam por isso é real, existe, explícita ou veladamente.

De qq maneira, Liziane, querida, sei MUITO BEM o que é sofrer com isso e ainda bem que com o amadurecimento e muita terapia, e lendo textos de pessoas que passam pelas mesmas experiências, além de sites, textos e matérias de pessoas gordas e bem resolvidas, tenho conseguido me dar melhor com minha autoimagem e desencanar um pouco dessa pressão lascada de padrão que a sociedade nos impõe. Beijo no coração, gorda linda poderosa!
 
Suellen Kemp em 26/10/2015 15:27:08
"Então sua amiga não quer ficar com o cara porque ele é gordo"
 
SeraQGordofobiaExiste em 26/10/2015 12:00:35
Não, ele não é pobre. Ele é jornalista, assim como ela, ambos são bem de vida, e ela falou com todas as letras pra uma roda de amigas em que estávamos, que só não ficou com ele porque ele é gordo e ela nunca ficou com gordo.
E me desculpe, vc certamente deve estar em negação. Das duas uma: ou porque nunca teve problemas com seu peso, ou porque se recusa a se aceitar como gord@.
 
Sue em 26/10/2015 11:23:57
Sue... então o GORDO gente boa é pobre.
 
GordofobiaNaoExiste em 26/10/2015 11:13:05
Uma amiga, linda, inteligente, gente boníssima, tem dificuldades pra se relacionar, os rapazes lá da cidade dela só querem pegação.
Daí um rapaz espetacular se declara pra ela, ele é lindo, inteligente, gente boníssima, está super disposto a levá-la a sério e fazê-la super feliz.
Ela não dá chance a ele. Por quê? Porque ele é gordo! E olha que ele nem é obeso mórbido, é altão e tem uma barriga considerável, mas pela sua autoconfiança e simpatia, imagino que deve ser minimamente, bom de cama. É sério isso, gente, ela não vai dar chance ao cara, simplesmente porque é gordofóbica!
Daí outra amiga infeliz diz: "Fica com ele e incentiva ele a emagrecer, fazer redução".
Oras, o cara tem que emagrecer pra "servir" pra ela? Ele não pode ser um gordelícia, do jeitinho que ele é?????
 
Sue em 26/10/2015 11:01:36
SIM
 
Sue em 26/10/2015 10:53:03
vítima de "GORDOFOBIA". Nossa.... agora vc tá apelando MESMO!
 
GordofobiaExiste em 26/10/2015 08:03:14
imagem transparente

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