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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

25/06/2014 06:36

Mesmo com peso bem acima do desejado, elas são profissionais das corridas

Ângela Kempfer
Márcia corre longas distâncias.Márcia corre longas distâncias.

Há 7 anos, Márcia Arnaldo resolveu que iria emagrecer caminhando. Começou com cinco voltas no Belmar Fidalgo e de repente estava correndo. É claro que não foi tão fácil assim, ainda mais porque a personagem fitness desta história é gordinha.

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Apesar dos riscos que o sobrepeso significa para uma atividade aeróbica, mesmo com 93 quilos em 1 metro e 60 de altura, ela colocou o tênis e encarou o desafio.

Hoje, é uma atleta com sete São Silvestres no currículo e mais um tanto de competições de longa distância na memória. Ela não emagreceu, mas sempre que cruza a linha de chegada, vira atração do percurso. “As pessoas apostam que eu não vou chegar, dizem: ‘essa gordinha não vai terminar”. Mas sempre consigo e eles ‘pagam pau’ para mim”, conta.

Márcia em competição no Estado.Márcia em competição no Estado.

Realmente, a sugestão de pauta surgiu de outros corredores que consideram Márcia uma “estrela” nas corridas. As considerações são sempre sobre o peso e os efeitos nas articulações e, principalmente, nos joelhos.

Contrariando os prognósticos, ela jura que nunca sofreu qualquer lesão e já se prepara para 24 horas de prova em São Paulo, depois de já ter concluído 75 quilômetros em Bertioga (SP).

Agora, Márcia integra o grupo VO2 e tem um planejamento elaborado, respeitando limitações. Treina todos os dias, em diferentes locais da cidade.

O objetivo inicial, de emagrecer, ainda não foi conquistado. “Já consegui perdi 7 quilos, mas engordei de novo. É assim, a gente perde rápido, mas também ganha se não faz dieta”, justifica.

Ela não abre mão de comer bem e o que gosta, mas corre porque ao longo dos treinos descobriu outro motivo para continuar. Márcia viaja pelo Brasil para participar das provas e ganhou muitos amigos graças à paixão pelo vento no rosto. “Viajo independente de ganhar troféu ou tempo. O que importa é superar a mim mesma”, diz.

A professora de Matemática da rede estadual, aos 37 anos,também tem inspirado muito gente. “É legal porque eu instigo as pessoas a correr. Elas pensam que se eu consigo, também podem conseguir”.

Camila na linha de chegada em prova na Patagônia.Camila na linha de chegada em prova na Patagônia.

A arquiteta Camila Maricato sempre praticou esportes, mas há 3 anos também tem uma relação especial com a corrida. Outros pontos em comum com Márcia, são o sobrepeso e a decisão de encarar a atividade mesmo com 30 quilos a mais na balança.

Para iniciar, eram 800 metros caminhando e 200 correndo. Foram necessários mais de 4 meses para começar inverter essa proporção.

No caso dela, as maiores lições surgiram com a dor. Primeiro uma tendinite no quadril a afastou por 4 meses dos treinos. Depois uma lesão no joelho mostrou à arquiteta que limites têm de ser respeitados. "Treinava muito até entender a importância de controlar tudo dentro dos meus limites. O corpo dá sinais que precisam ser respeitados. Hoje, quando sinto algum incomodo, já paro e dou uma alongada", comenta.

Camila tem o apoio do grupo Corra Assessoria Esportiva. Com os profissionais, descobriu que pode correr, desde que saiba maneirar na hora certa. "Hoje não sinto dor nenhuma, desde que não exagere", ensina.

Já emagreceu 18 quilos com uma equação que todos conhecem e que para maioria é algo complicado na prática. "Peso é matemática, você tem de comer menos do que gasta". Mas essa conta parece menos importante em comparação a recompensa da nova vida.

Para menor impacto, ela busca percursos na terra, o que leva Camila ao campo e às montanhas. De cara, ela superou os limites na Patagônia. Para a prova de fogo de 10 quilômetros no início da rotina de atleta, foram necessários 5 meses de treinos. 

De outros competidores, a curiosidade também sempre surgiu por conta do peso. "Dizem que não sabem como eu não me estourei toda ainda, fazendo o que eu faço. As pessoas se assustam."

A explicação também é óbvia: disciplina e o suporte dentro do grupo são fundamentais, até emocionalmente. Como uma religião, a vontade de muitos fortalece Camila. Erros e acertos compartilhados são outro auxílio importante. "Correr dá um prazer absurdo, uma energia que move a gente, independente de peso ou de qualquer outra coisa", resume. 

A atleta hoje e há 3 anos, quando começou a correr. (Foto: Corra Assessoria Esportiva)A atleta hoje e há 3 anos, quando começou a correr. (Foto: Corra Assessoria Esportiva)



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