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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

04/06/2015 07:56

Em 1994 a SEGA tenta dar sobrevida ao Mega Drive lançando o 32 X

Edson Godoy
Em 1994 a SEGA tenta dar sobrevida ao Mega Drive lançando o 32 X

No capítulo anterior falamos sobre o Bandai Playdia, console bastante exótico que ficou restrito ao Japão e que acabou sendo tratado pela indústria e pelos consumidores mais como um brinquedo do que como um videogame, fracassando em ambos os mercados consumidores. Ainda em 1994, voltando o nosso foco para as gigantes da indústria na época, a SEGA decide estender ainda mais a vida útil do Mega Drive, arranjando uma forma de inseri-lo no mercado de jogos da nova geração.

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Assim nasceu o 32X, um acessório que colocado no slot de cartuchos do Mega Drive, o tornaria um console de 32bit. Além disso, o acessório poderia também ser utilizado em conjunto com o Sega CD, formando um grande combo que tornaria o Mega Drive ainda mais poderoso. A ideia da SEGA em produzir o 32X era de oferecer ao consumidor uma opção de entrada para o mundo dos consoles da nova geração que chegava.

Inicialmente pensado para ser um console independente, a ideia de tornar esse lançamento um acessório do Mega Drive caiu a calhar, pois além de manter vivo o 16bit da empresa (o mais bem-sucedido console da SEGA na história), a gigante japonesa conseguiria preencher o mercado com algo novo, antes da chegada do Saturn, o verdadeiro console da nova geração da empresa. Mas pera aí: essa ideia parece meio estúpida, não? Já que o Saturn já tinha data de lançamento previsto (e não muito distante). Pois é...

O 32X foi lançado no final de 1994, ao custo de 160 dólares. No Japão, seu lançamento ocorreu no mesmo período, e pasmem: praticamente simultâneo ao lançamento do Saturn (que custava em torno de 400 dólares). Conclusão: somente aqueles gamers extremamente apaixonados pelo seu Mega Drive ou que não tivessem dinheiro (ou paciência para economizar) para comprar o Saturn, comprariam o acessório. Nos Estados Unidos ainda o Saturn demoraria um bocado a chegar (lançamento anunciado em setembro de 1995, que acabou sendo adiantado para maio do mesmo ano), o que ajudou um pouco mais o 32X, que vendeu muito bem nas suas primeiras semanas.

Mas ficava cada vez mais claro para os gamers que o 32X não seria nenhuma revolução. Não seria de fato, um console da nova geração. Isso afastou muita gente dele, mesmo pessoas que já possuíam um Mega Drive e um Sega CD. A ideia era a seguinte: já que terá que investir em um novo aparelho, que seja no melhor e assim não correr o risco de comprar algo que rapidamente estaria defasado. Essa falta de interesse do público consumidor levou à falta de interesse das desenvolvedoras de jogos em produzir para o 32X. Conclusão: vários jogos anunciados foram cancelados ou sequer iniciaram a produção, o que reduziu muito também a quantidade de software disponível para o aparelho.

Outro problema: o 32X não era unanimidade nem mesmo dentro da empresa. Ele acabou gerando diversos embates internos entre a subsidiária americana e a matriz japonesa. Como se os problemas já não fossem grandes o suficiente, para fazer o 32X chegar às lojas antes do Saturn, a SEGA of America, que ficou como responsável pela produção do acessório, teve que acelerar o seu desenvolvimento e também dos jogos feitos pela própria empresa. Conclusão: os jogos eram lançados sem atingir o potencial desejado, queimando ainda mais o filme do aparelho.

Havia ainda um projeto de console, chamado Neptune, que traria no mesmo aparelho o Mega Drive e o 32X a um preço inferior a 200 dólares. Em 1996, já com o 32X em total descrédito, a SEGA anunciou que focaria apenas no Saturn daquele momento em diante (console que aliás ia muito bem no Japão, vendendo mais que o Playstation) e que tanto o 32X quanto o Neptune, não estavam mais nos planos da empresa.

Ao todo foram lançados menos de 40 jogos para o console. Apesar desse fracasso comercial, o 32X trouxe bons jogos em sua biblioteca, como o exclusivo Knuckles Chaotix, Shadow Squadron, Doom, Blackthorne, Night Trap e claro, os clássicos da SEGA que foram portados para o acessório: After Burner Complete, Virtua Racing Deluxe, Space Harrier e Virtua Fighter (confira alguns desses jogos nos vídeos ao final da matéria). O 32X também foi lançado no Brasil, pelas mãos da Tec Toy, que deu bastante suporte ao console/acessório, lançando uma biblioteca razoável de jogos por aqui.

E assim termina a saga do 32X, um console que entrou para a história como o início do declínio na SEGA, pois, coincidência ou não, a partir dele parece que nada mais deu certo para a companhia japonesa. No próximo capítulo de nosso especial, falaremos com maiores detalhes a história do SEGA Saturn, que como se viu hoje se confunde bastante com a própria história do 32X.

A coluna de games do Lado B tem o apoio da loja Retro Gamers. Visite também o meu site, o Vídeo Game Data Base.






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