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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

07/06/2016 13:00

Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

Ed Peixoto
Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

Quem aí já viu aquele game de arcade/fliperama rodando em um console doméstico como o Mega Drive ou Super Nintendo, e constatou que o jogo muitas vezes era parecido, mas não era igual? Ou ainda que tinha o mesmo nome, mas o jogo era totalmente diferente do original? Pois é, especialmente para quem viveu a era de 8 e 16 bits isso era algo comum de se ver. E na hora de tentar explicar essas diferenças entre o jogo original e a as versões domésticas começa uma certa confusão. Afinal, o que é um porte de um jogo? O que é uma versão?

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Amigos, eu sou o ED!, convidado especial aqui do Lado B, e vou humildemente tentar esclarecer essas dúvidas usando critérios pessoais e altamente questionáveis, para quem sabe no fim da matéria chegarmos a uma conclusão (ou não) sobre o assunto.

Para começar, de onde será que veio esse termo "porte" para falar de games?

A melhor explicação que tenho é que veio emprestado do mundo da programação. Simplificando bastante, quando um programador escreve linhas de código, ele está gerando um código fonte. Mais tarde esse código fonte será compilado para rodar em um computador A ou B. Compilar significa transformar o código fonte em um software executável, então teríamos um porte do código fonte para o computador A e um para o computador B. Na prática seria o mesmo software rodando em computadores diferentes.

Disso tudo não é difícil de extrapolar de onde veio a ideia de chamar de "porte" um mesmo jogo rodando em consoles ou computadores diferentes, além do que um jogo nada mais é que um software. Mas na grande maioria dos casos usamos o termo "porte" nessa forma emprestada do mundo da programação, embora computadores com hardware parecidos também tem "portes" técnicos propriamente ditos e de fato compartilhando o mesmo código fonte, como por exemplo MSX e ZX Spectrum ou Amiga e Atari St.

Ok, então já definimos mais ou menos o que é um porte. Mas o que é uma "versão"?

No meu entendimento versão é quando fazemos uma modificação em algo existente. Vou usar o exemplo da programação novamente. Vamos supor que um software desenhe um céu azul, vamos chama-lo de Céu Azul versão 1.0. Mas agora além do céu azul, o software vai desenhar também um Sol brilhante, e com isso temos o Céu Azul versão 1.1. Mas vamos desenhar umas nuvens também, e agora temos a versão 1.2. Essa é a ideia, versões diferentes do mesmo software.

Então agora temos uma base para "porte" e "versão" mais ou menos definidos. A pergunta é: Como isso se aplica no mundo dos games?

Simbora! Primeiro vou estabelecer para critério da conversa que o termo "original" é o que apareceu primeiro. Por exemplo, Golden Axe da SEGA. O "original" é a versão arcade/fliperama de 1989, e os Golden Axe domésticos são os "portes". Como regra geral, a diferença da capacidade de hardware de cada console ou computador por si só já torna impossível um porte 100% perfeito tecnicamente (com uma exceção: NeoGeo MVS e AES). Mas quando o jogo é feito com carinho a essência é basicamente a mesma, o gênero do jogo é o mesmo. Gráficos e sons ficam diferentes, mas a forma de jogar permanece similar ao original. Isso é o que eu chamo de versão fiel, aquela que tenta ser o jogo original da melhor forma possível, mesmo com as limitações técnicas de cada hardware.

Do outro lado da moeda, estamos cansados de ver portes de jogos que são bem diferentes do original. Muitas vezes só usam o nome e são outros jogos por completo. Mudam de gênero, mudam a história, os personagens, as fases, as músicas, os sons. Coisas novas aparecem, coisas que deveriam estar ali não estão. A isso eu chamo de versão alternativa.

E tem um terceiro caso que é quando um porte passa por revisões internas e chega ao mercado em versões diferentes, um caso bem conhecido disso é o The Super Shinobi do Mega Drive.

 

Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

Tudo muito bonito, mas vamos tentar aplicar esse sistema de classificação em casos práticos.

Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

Golden Axe

Para quem não conhece (shame on you!) Golden Axe é um side scrolling beatn'up, e traduzindo, o objetivo é andar para o lado e dar porrada em todo mundo, pense em um Double Dragon medieval. O jogo foi portado para praticamente tudo: Master System, Mega Drive, PC Engine CD, Atari ST, Amiga, ZX Spectrum e outros diversos. A versão do Mega Drive é sem dúvida a mais parecida com o original. Programado pela SEGA em um hardware feito pela SEGA, baseada em um jogo da SEGA. Não tinha como não ficar bom né? Como curiosidade, o Mega Drive é uma versão capada/econômica do System 16, o hardware de arcade da SEGA que roda o Golden Axe original. O porte de Golden Axe do Mega não é uma cópia carbono do original, mas é o mesmo gênero de jogo (side scrolling beatn'up), mesmos personagens, mesma integridade das fases, é o mesmo jogo. Então Golden Axe de Mega é um porte fiel. Posso dizer o mesmo dos outros portes, pois eles seguem a mesma linha, mas o porte de PC Engine CD é uma versão bem diferente do original, logo é um porte versão alternativa. Explico!

No PC Engine CD, Golden Axe foi programado pela Telenet Japan (Valis, Gaiares). O gênero é o mesmo, mas todo resto mudou. Está cheio de cutscenes, a trilha sonora é outra, os gráficos são diferentes, as fases idem. É uma interpretação que a Telenet fez do Golden Axe. Definitivamente um porte versão alternativa.

Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

Strider

Strider é outro título famoso da era 16 Bits que foi portado para tudo: Atari ST, Commodore 64, Amiga, Mega Drive, Nintendinho, Sharp x68000 e diversos outros. Criado pela CAPCOM, o original surgiu no arcade em 1989 como um jogo de ação/plataforma lateral e ganhou destaque mundial pelo design das fases e visuais bem diferentes. Strider roda em um hardware chamado CP-System ou CPS que foi base de muitos outros jogos de sucesso da CAPCOM. A maioria dos portes de Strider são fiéis a versão arcade. Destaco o porte do computador japonês Sharp x68000, que é 99% fiel ao original. O X68000 inclusive foi utilizado como computador de desenvolvimento pelo CAPCOM em diversos jogos e não é por nada que tem portes excepcionais de seus jogos. Então Strider do X68000 é de fato um porte versão fiel.

No embalo do sucesso do arcade, o Nintendinho recebeu um porte exclusivo de Strider pouco tempo depois (a versão de Famicom não foi oficialmente lançada). Como a diferença de hardware entre o CPS e o NES é enorme, o porte do Nintendinho foge do estilo árcade, e é muito mais influenciado pelo Mangá. O resultado disso é um jogo bem diferente do original. Isso não quer dizer que o jogo é ruim. A CAPCOM mandava muito bem no Nintendinho, o jogo é muito bom, mas definitivamente um porte versão alternativa.

Quais as diferenças entre os portes e as versões no mundo dos games?

The Super Shinobi (The Revenge of Shinobi)

Esse é um exemplo que cai no terceiro caso de revisão interna. The Super Shinobi é exclusivo do Mega Drive. É um jogo de plataforma excepcional criado em 1989 pela SEGA, e uma sequência de Shinobi do arcade. Não houveram portes desse jogo para outros consoles (pelo menos não na época, hoje em dia The Super Shinobi está disponível na PSN, STEAM, XBOX Live e afins). Mas houveram versões diferentes do mesmo jogo para o próprio Mega Drive. A primeira versão de The Super Shinobi usou o Rambo, o Exterminador do Futuro, Homem Aranha, Batman e Godzilla como inimigos dentro do jogo sem ter licença de uso dos personagens. Doh! Claro que houve chiadeira geral das empresas donas dos personagens e a SEGA foi lançando versões do jogo trocando as sprites para evitar problemas. Fosse hoje era tudo resolvido via DLC. Mas como na época reinavam cartuchos, sei que foram lançadas pelo menos 4 versões diferentes do jogo, com mudanças além das sprites, como finais e créditos ligeiramente diferentes.

Exemplos não faltam. Rygar do Nintendinho é um porte alternativo do Arcade. Turrican que nasceu no Amiga, tem porte versão fiel no Mega Drive e alternativa no Super Nintendo. E falando em Super Nintendo, o que dizer de Super Ghoul's and Ghosts baseado no Ghouls'n Ghosts do arcade. E Street Fighter 2, quantas versões diferentes tem?

Pelo visto o sistema de classificação passou no teste e consegue ser consistente em diversos casos diferentes. Yay! Mas caro leitor, essa é a forma como eu vejo essa situação. Quero saber o que você pensa, se concorda, discorda ou se tem algo a acrescentar. Para matar a saudade, confira abaixo vídeos de alguns dos jogos que citamos aqui. A coluna de games do Lado B tem o apoio da loja Press Start, localizada no Shopping Bosque dos Ipês, aqui em Campo Grande/MS.Não deixe também de visitar meu site, o Vídeo Game Data Base.Inté galera!

 




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