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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

05/11/2014 06:34

Casal faz “comida de quinta” para reunir os amigos e conhecer pessoas

Ângela Kempfer
Silvio em casa, em dia de Comida de Quinta. (Foto: Reprodução Facebook)Silvio em casa, em dia de "Comida de Quinta". (Foto: Reprodução Facebook)

As quintas-feiras quebram a rotina de Silvio e Heloísa Pereira, casados já há 28 anos. É o dia reservado pelos dois para receber os amigos em casa, sempre com um cardápio caprichado. A especialidade é a paella, mas os convidados já experimentaram risoto à milanesa com ossobuco e mini cebolas, massa com frutos do mar, feijoada francesa, bacalhau ao creme, maminha com ervas, arroz com pinga, carne seca na moranga, baião de dois...

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“Faz um ano já. Um amigo leva o outro”, conta Silvio. O recorde de participação até agora veio de maneira inesperada. “Chegou 10 horas da noite e ainda tinha gente ligando para saber se dava para aparecer. Quando a gente viu, eram 40 pessoas em casa.”

No Facebook, ele anuncia o próximo jantar e os interessados fazem as reservas. O espaço é aberto para quem quiser chegar. “Pode ser gente que nós não conhecemos, não tem problema”, avisa o dono da casa. Apesar de estar aberto a qualquer pessoa, em um ano apenas 2 desconhecidos ligaram para fazer a reserva, mas não apareceram.

Em dia de paella, por exemplo, o valor cobrado é R$ 30,00 por pessoa. “O custo é rateado. Ninguém come paella por ai por esse preço”, garante.

O encontro não ocorre religiosamente, mas, pelo menos, duas vezes ao mês a mesa é arrumada. “Tem meses que fazemos até 4 quintas-feiras. Mas prefiro intercalar, para o povo não enjoar”, justifica o cozinheiro.

Silvio é da área de Turismo e assume a cozinha por prazer nos dias do jantar especial. A esposa até ajuda, mas ele é quem gosta de esquentar a barriga no fogão, sempre acompanhado pelo bate-papo dos amigos. “Sempre gostei, gosto muito de pescar, por exemplo, desde pequeno. Sou cozinheiro de fim de semana.”

A escolha do prato exige inspiração e algumas observações. “Dobradinha, por exemplo, só os homens gostam. Então, não posso fazer porque senão as esposas não comparecem”, comenta.

O primeiro desafio foi aprender a fazer a paella. Com a receita assimilada, ele chamou os amigos para experimentar e a história ganhou outras proporções. “Veio a proposta do meu compadre para reunir as pessoas e resolvemos criar o ‘Comida de Quinta’”, justifica.

O “compadre” Alan, que instigou o amigo a abrir a casa para a gastronomia, já conhece Silvio há 50 anos, desde criança. Foi padrinho de casamento, batizou a primeira filha do casal que retribuiu com os mesmos méritos. Os dois são tão chegados que foi Silvio quem apresentou a mulher que seria no futura a esposa de Alan, por coincidência, também amiga de infância de Heloísa.

É nesse clima de velhas amizades que a “Comida de Quinta” permanece viva na casa da Vila Rosa Pires, na região do Itanhangá. Mas pode virar algo maior. Silvio estuda a possibilidade de fazer feijoada no domingo, mas para que as pessoas levem para casa.

Preparação da paella. (Foto: Reprodução Facebook)Preparação da paella. (Foto: Reprodução Facebook)



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