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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

19/08/2012 09:01

De olho nas araras-canindé, grupo monitora ninhos em Campo Grande

Luciana Brazil
No ninho, as araras não deram trégua para os pesquisadores. (Fotos: Simão Nogueira)No ninho, as araras não deram trégua para os pesquisadores. (Fotos: Simão Nogueira)

Um privilégio para os campo-grandenses é presenciar com frequência o voo das araras-canindés que cruzam, sem cerimônia, o céu da cidade. Hoje em Campo Grande vivem cerca de 100 araras só dessa espécie, também conhecida como arara-de-barriga-amarela. A beleza é de tirar o fôlego e para observá-las basta ter um pouquinho de sorte.

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Segundo a bióloga e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, a espécie não sofre risco de extinção no país, mas em outros lugares da América Central a ave não é mais vista. “Ela vive desde o sul do México ao Norte da Argentina”.

O projeto “Aves Urbanas”, integrante do projeto Arara Azul, que estuda as araras mais comuns na área urbana de Campo Grande, acompanha semanalmente 12 dos 20 ninhos da espécie que existem na cidade.

O objetivo é saber, até o fim do ano, como se mantém a população da arara-canindé na cidade. Estima-se que nos últimos anos 20 filhotes de araras já nasceram em Campo Grande.

Esse tipo de ave constrói abrigos em troncos de árvores mortas, principalmente das palmeiras. “Uma forma de ajudar na preservação é deixar esses troncos e não arrancá-los”, destacou.

Neiva explica que apesar da arara-canindé ser a espécie mais comum, ainda não existem muitas pesquisas sobre ela. “Para você conhecer uma espécie é necessário que se estude”.

Segundo ela, já foram realizadas pesquisas sobre alimentação e comportamentos dos casais. A fase reprodutiva da arara-canindé também já é estudada, desde a postura dos ovos até os dois meses e meio de vida, quando essas aves começam a voar.

A arara-canindé se alimenta de vários frutos, podendo viver de 30 a 40 anos na natureza, assim como as outras espécies. Em cativeiro esse tempo pode ser maior, conforme explica Neiva.

As aves fizeram o ninho em frente ao Crea.As aves fizeram o ninho em frente ao Crea.
Filhote da arara Canindé com 93 gramas.Filhote da arara Canindé com 93 gramas.

Antes da colonização, as araras viviam onde hoje é a cidade, mas com a chegada do homem, as araras-canindés se refugiaram na natureza. Entre 2000 e 2001, elas voltaram a ser registradas na cidade. A escassez de alimento e a seca da natureza fizeram com que elas retornassem à procura de comida.

Esse regresso preocupa a bióloga, já que há indícios de falta de alimento. Porém, a capacidade da espécie em se adequar em um ambiente urbano é vista com empolgação. “É possível perceber a elasticidade da ave que consegue se adaptar em outro ambiente”.

Além da Canindé: Há mais de 20 anos, o projeto Arara Azul, criado em 1990 no Pantanal, acompanha a arara da espécie azul, que é mais comumente encontrada naquela região.

Segundo a bióloga Neiva, fundadora do projeto, a arara azul ocorre no Brasil e no Pantanal Boliviano, mas também era vista no Paraguai. "Há algum tempo não se tem notícia”.

Diferente da espécie canindé, a azul come apenas dois tipo de frutas, bocaiuva e acuri, por isso ela é vista apenas onde é possível encontrar esses alimentos.

Tão bonita quanto as outras duas espécies, a arara vermelha vive em menor número na Capital. A bióloga estima que sejam de 40 a 50 aves. Assim como a azul, a vermelha faz seus ninhos em paredões de rocha e ocos de árvores vivas.

Edson, que cursa Biologia, tira com todo cuidado o filhote do ninho. Edson, que cursa Biologia, tira com todo cuidado o filhote do ninho.
A fundadora do projeto passa as medidas do filhote para a bióloga de Belo Horizonte Daphne.A fundadora do projeto passa as medidas do filhote para a bióloga de Belo Horizonte Daphne.

Nas asas do projeto: Hoje pela manhã, a equipe do Campo Grande News acompanhou a coleta de dados de dois ninhos construídos caprichosamente em frente ao Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). Na vistoria, com a ajuda dos voluntários do projeto, a bióloga tira fotos e faz a pesagem dos filhotes que já nasceram.

Quando o primeiro ninho começou a ser monitorado, o "intruso" estudante de biologia, Edson, 22 anos, no alto de sua escada, fez com que a arara adulta, que cuidava do ninho, alçasse voo e segundo a bióloga, a ave voltaria dentro de algumas horas.

Lá havia um filhote com apenas algumas semanas de vida e pesando 93 gramas, segundo Neiva, um pouco abaixo do peso.

De forma surpreendente, no segundo ninho o que era esperado não aconteceu. As duas araras adultas que cuidavam do abrigo não quiseram deixar o ninho e sem arredar as asas mostraram que estavam ali para defender os filhotes.

Neiva diz que essa reação não é comum, e com ela foi a primeira vez que aconteceu. “Elas sempre voam e depois voltam”, disse a bióloga.

A cena foi inusitada, mas de cima da escada, o voluntário Edson passou apertado com a luta ferrenha das araras para defender o abrigo.

A filha da bióloga, Sofia, de apenas 10 anos, já fotografa e se considera uma amante desses animais.

Encantada com o espetáculo, a bióloga Daphne Nardi, 30 anos, veio de Belo Horizonte (MG) para trabalhar no instituto, no Pantanal. “Eu nunca tinha visto. Cheguei na terça-feira e estou maravilhada”.

Daphne vai ficar por um ano e meio estudando as araras e já está cheia de expectativa. “Eu nem sei para onde eu olho, é tão lindo. A experiência de conhecer essas aves vai ser maravilhosa”, completou.

A alegria de ver as araras não é só para quem vem de fora, apesar de termos sorte com certa frequência, quando se ouve o grito dessa ave, não tem quem não se curve diante de suas cores e sua exuberância.




Parabens á Dr. Neiva pela sua paixão,sua dedicação e sua luta em prol destas especies tão lindas que já fazem parte do nosso dia a dia.
fico muito orgulhoso de ter meu filho Edson Diniz envolvido neste projeto de aves urbanas e no projeto arara azul.
vejo no meu filho paixão pelo que faz,isto e essencial para um otimo profissional.
GRANDES SONHOS,GRANDES CONQUISTAS.
parabens a toda equipe.
 
pericles pereira em 27/08/2012 07:35:42
Parabens Neiva! Um trabalho tão bonito como este que é realizado com amor e dedicação e obrigada por ajudar que nossa cidade fique cada vez mais linda e humana!
 
Sonia Maria Azambuja Santos em 20/08/2012 12:13:10
Realmente é um espetáculo maravilhoso ver as araras em Campo Grande , tenho no meu quinta um pé de CAJAMANGA e quando tem frutas é comun o bando de araras vermelhas e canindé pousarem la pra comer as frutas , já foram vistas la cerca de 10 aves é muito lindo , eu moro no conjunto habitacional BONANÇA e quem come as primeiras frutas são as araras pode acreditar nisso é muito gratificante ..........
 
Antônia Nantes em 20/08/2012 09:10:43
é isso ai neiva , vc realmente alcançou seus objetivos que diga-se de passagem nao é facil , so com muita vontade e dedicação se poderia alcançar o foco principal que é a preservação , seu trabalho nao é o de uma andorinha no verao ,mas com certeza de muitas araras o ano inteiro
parabens
 
jair mascarenhas em 20/08/2012 03:26:20
Olá bom dia eu atualmente estou morando em Montes Claros MG ,mas sou de Campo Grande MS. estive na minha Férias em Junho deste ano e adorei ver as araras em minha cidade pois observei que para elas não tem tempo Ruim eu avistei elas pousadas em cima daquelas luminárias que tem o formato de estrela na Av. Guri Marquês quase em frente da rodoviária. muito lindas que elas parabéns Campo Grande.
 
Hélio Talis em 19/08/2012 11:43:51
parabens Neiva, e em especial para a Daphne com meus votos de sucesso e felicidade!!
 
Alexandre Spartani em 19/08/2012 11:14:57
moro no Jd. aeroporto e aqui a varios casis dessas araras e parece que as araras estao sumindo dessa regiao pq temos cada vez menos araras em nossas arvores, sera elas nao estao conseguindo se reproduzir???
 
robson Gaete em 19/08/2012 10:51:48
Parabéns minha filha, por sua determinação.
E tenho certeza que essas Araras, são abençoadas, tanto pela senhora Neide, "mãe" do projeto, como sua chegada,pois, sei o tanto que voce é dedicada, e responsável.
 
Devson Nardi em 19/08/2012 10:28:00
Há também um ninho quase em frente ao Fast Suco na Avenida Afonso Pena, passo por ali todos os dias para ir ao trabalho, as vezes eu tenho a sorte de ve-las quando o sinal está fechado.
 
Demar Ferreira em 19/08/2012 09:50:00
Moro Aqui no Bairro Jardim panamá bem atrás dos apartamentos tem um casal de araras que são meus despertadores todos os dias, Campo Grande não e cidade Morena , mas sim cidade das Araras.. parabéns Campo Grande pela linda fauana e flora que vc nos proporciona, no meio de tantas coisas ruins dessa nossa vida, esse momento merece uma reflexão na observando essas aves. "esqueço todos os problemas"
 
Fernando Vilas Boas em 19/08/2012 08:25:37
Prezados leitores, informamos que ontem 18/08/12, quando concluímos o monitoramento dos ninhos já conhecidos, contabilizamos 24 ovos e 5 filhotes. Esse trabalho está sendo realizado pelo Projeto Aves Urbanas, do Instituto Arara Azul em parceria com a Universidade Anhanguera Uniderp e Fundação Toyota do Brasil. Fazem parte do Projeto Larissa Tinoco Barbosa e Edson Lino Diniz Pereira.
 
Neiva Guedes em 19/08/2012 06:59:17
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