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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

03/11/2014 10:15

Reúso de água: alternativa acessível a todos para preservar e economizar

Viviane Oliveira
A limpeza da escola é feita com a água da chuva, que fica armazenada em duas cisternas. (Foto: Marcos Ermínio) A limpeza da escola é feita com a água da chuva, que fica armazenada em duas cisternas. (Foto: Marcos Ermínio)

A água que lava o pátio da Escola Municipal José Antônio Paniago, no Jardim Itamaracá, em Campo Grande vem de um sistema de captação de água da chuva. Do outro lado da cidade, no Jardim Noroeste, uma lavanderia industrial reaproveita a água despejada pelas máquinas. Tanto a empresa quanto a escola têm o mesmo objetivo: a economia de água potável por meio da reutilização.

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Em tempos de risco de falta de água cada vez mais evidente, com a crise em São Paulo, o estado mais rico e mais populoso do País, são ações que podem ser copiadas para preservar esse recurso natural tão essencial.

Há 5 anos, bem antes de a crise hídrica ser assunto de todos os dias, a escola municipal tem sistema de capitação da água da chuva para a reutilização. As calhas são ligadas a quatro encanamentos que levam a água que escoa do telhado para dois reservatórios de 7mil litros cada. Uma bomba ligada em uma das cisternas de armazenamento bombeia a água para a mangueira, toda vez que é acionada. Segundo a diretora adjunta Denize de Lucena Xaron, a ideia surgiu em sala de aula depois de uma disciplina de porcentagem.

A água da chuva serve para lavar o pátio da escola, a quadra, janelas e as calçadas. “A água é usada apenas para a limpeza e a economia mensal fica em torno de 20%”, diz Denize. Nos últimos anos a escola foi premiada duas vezes em eventos ligados ao meio ambiente. Além de educação ambiental, as crianças já crescem sabendo que a água de reúso é um bom negócio para o bolso e o meio ambiente.

A água passa por várias estações de tratamento e depois de tratada e separada dos resíduos é reutilizada. (Foto: Marcelo Calazans)A água passa por várias estações de tratamento e depois de tratada e separada dos resíduos é reutilizada. (Foto: Marcelo Calazans)
Paulo mostra a estação de tratamento que foi montada na empresa.  (Foto: Marcelo Calazans) Paulo mostra a estação de tratamento que foi montada na empresa. (Foto: Marcelo Calazans)

Economia e preservação - Proprietário de uma lavanderia industrial, o empresário Paulo César Fernandes, 43 anos, montou há 4 anos dois sistemas de reaproveitamento de água. A empresa lava por mês 5 toneladas de toalhas usadas na indústria, além de uniformes e EPI’s. A água suja de graxa e tinta, e sabão, que sai das máquinas passa por um sistema de canalização até chegar a estação de tratamento localizada no quintal da empresa. Depois de tratada e separada dos resíduos, a água é bombeada de volta para as torneiras e é usada novamente para lavagem.

Além de economizar R$ 1,2 mil na conta de água, o resíduo acumulado vira óleo automotivo, que depois é vendido pelo empresário. O investimento para montar a estação de tratamento foi de R$ 150 mil. No local também foi montado sistema para captação da água da chuva, que antes de ser armazenada, em uma cisterna de 10 mil litros, passa por uma espécie de filtro.

Paulo já reaproveita em torno de 60% da água, mas quer mais para o futuro. O objetivo é triplicar o armazenamento e tornar a lavanderia ainda mais sustentável. “Vale a pena investir. As pessoas acham que o gasto é desnecessário porque não percebem o beneficio em longo prazo”, destaca. A lavanderia emprega três pessoas. 

O empresário também pretende se beneficiar do projeto do Imposto Ecológico, que foi aprovado em 2010 com a promessa de dar descontos no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) da construção, de até 10% para quem adotasse alternativas de preservação ao meio ambiente, como o reúso de água e capitação de água da chuva. Porém, até agora o programa ainda não foi colocado em prática por falta de regulamentação. 

A Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), por meio da assessoria de imprensa, disse que a "regulamentação da lei depende de estudos técnicos quanto às medidas eficazes a serem adotadas pelo contribuinte afim de atender a finalidade da legislação".

Professor diz que uma boa opção para ser usada em residência é a captação da água da chuva.  (Foto: Simão Nogueira) Professor diz que uma boa opção para ser usada em residência é a captação da água da chuva. (Foto: Simão Nogueira)

Custo - Existem várias formas de reaproveitar a água, como reutilizar efluentes gerados pela própria indústria e o uso de águas pluviais de telhados. Há também a reutilização de esgoto doméstico, mas o custo é mais alto.

De acordo com o professor e engenheiro sanitarista ambiental Fernando Jorge Corrêa Magalhães Filho, uma boa opção para ser usado em residência é a captação da água da chuva, que além de economia de água potável, resolve o problema de drenagem. “Hoje, as residências costumam ser todas calçadas, sem espaço verde para absorver a água. Resultado: quando chove, um grande volume de água vai para o mesmo ponto, causando enchentes”, explica.

Ainda conforme Fernando chove bastante na nossa região e se cada imóvel guardasse água da chuva em reservatório de 5 mil litros, resolveria o problema de drenagem e teria água suficiente para alimentar o ano inteiro a bacia sanitária, como é chamada a descarga. “Dentro de uma casa, a descarga é um dos sistemas que mais consome água”, diz. O valor para implantar sistema de captação da água da chuva custa de R$ 5 mil a R$ 10 mil.

Sistema montado na Escola Paniago para receber a água da chuva que escorre do telhado. (Foto: Marcos Ermínio) Sistema montado na Escola Paniago para receber a água da chuva que escorre do telhado. (Foto: Marcos Ermínio)
A água das torneiras é potável, mas para lavar a escola é reciclada.  (Foto: Marcos Ermínio) A água das torneiras é potável, mas para lavar a escola é reciclada. (Foto: Marcos Ermínio)

Em algumas cidades do interior de São Paulo, as concessionárias tratam o esgoto e vendem a água mais em conta para as prefeituras, que a reutilizam para irrigar praças, jardins e para lavagem de equipamentos. “Tratar a água para consumo é muito caro, hoje a gente paga pelo tratamento, mas há uma tendência para os próximos anos que será cobrado, também, pela quantidade, porque a população aumenta mas o volume de água não", destaca o professor.

Compartilha da mesma opinião Jhonatan Barbosa da Silva, doutorando em Tecnologias Ambientais. Segundo ele, se o consumo de água tratada é reduzido nas residências, há aumento da capacidade de oferta, diminuindo as perdas e tornado o sistema mais eficiente. “Além de minimizar o impacto da poluição sobre as fontes de água potável, o uso pode ficar mais barato e chegar a lugares que ainda não existe”.

Jhonatan cita como exemplo a tecnologia EvaTac, que foi financiada por um subprojeto da Rede Finep para desenvolver sistema natural de tratamento da água de pias, chuveiros, banheiras e lavanderia, que corresponde em média 70% do esgoto doméstico de uma casa. “A intenção é que o sistema possa ser instalado em conjuntos habitacionais populares com baixo custo e fácil manutenção para famílias de baixa renda e por onde a rede de esgoto não passa”, explica. O sistema EvaTac custa cerca de R$ 2,5 mil para uma casa com 4 pessoas.




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