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01/07/2014 10:37

Único de Campo Grande, rio Anhanduí pede socorro contra poluição

Viviane Oliveira
O manancial nasce com o encontro dos córregos Segredo e Prosa, em frente ao Horto Florestal, na avenida Ernesto Geisel. (Fotos: Cleber Gellio) O manancial nasce com o encontro dos córregos Segredo e Prosa, em frente ao Horto Florestal, na avenida Ernesto Geisel. (Fotos: Cleber Gellio)
Cachorro morto, entulho, lixo, até moveis são jogados as margens do rio, algumas das vezes, até dentro da água.Cachorro morto, entulho, lixo, até moveis são jogados as margens do rio, algumas das vezes, até dentro da água.

O único a passar por Campo Grande, o rio Anhanduí pede socorro contra a poluição, que pode ser observada a olho nu. O manancial nasce com o encontro dos córregos Segredo e Prosa, em frente ao Horto Florestal, na avenida Ernesto Geisel. Basta dar um passeio pelas margens para perceber que a situação é crítica. Cachorro morto, entulho, lixo e até moveis são jogados por ali.

Aos 73 anos, o aposentado Venceslau Nunes da Mota conta que criou os cinco filhos tomando banho no rio e hoje fica triste ao ver a situação. Ele mora na Ernesto Geisel, na Vila Jaci, há 40 anos e assistiu à urbanização chegar em um lugar que só tinha mato. “Junto com a urbanização também veio os prejuízos ao meio ambiente”, diz. Ele acrescenta ainda que os próprios moradores não ajudam na conservação do rio, jogando tudo quanto é tipo de lixo no local.

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Além de casas, hospitais, comércios, escolas, postos de combustíveis, e um shopping margeiam o rio e as pessoas que moram na região comemoram o crescimento. No entanto, não deixam de criticar o estado em que o Anhanduizinho, como é mais conhecido, se encontra. O aposentado Conceição Gonçalves da Silva, 68 anos, critica o poder público e diz que alguma coisa precisa ser feita. “Para a maioria das pessoas, principalmente para os mais velhos, esse rio é uma riqueza”, destaca Conceição que mora no bairro Aero Rancho há 22 anos.

Venceslau mora em frente ao rio e reclama da sujeira deixada, muitas vezes, pelos próprios moradores. Venceslau mora em frente ao rio e reclama da sujeira deixada, muitas vezes, pelos próprios moradores.
A situação é bem triste e lamentável em algumas partes do trecho percorrido pela equipe de reportagem. A situação é bem triste e lamentável em algumas partes do trecho percorrido pela equipe de reportagem.

O morador também reclama dos alagamentos, quando chove muito em pouco tempo na região. “Eu acho que o córrego deveria ser canalizado para evitar que a água transborde em época de chuva”, opina. Segundo o morador, mesmo que o rio esteja sujo, a natureza insiste em mostrar as belezas naturais. Em algumas partes do curso d'água é possível encontrar tartarugas e vários tipos de peixes. 

Mesmo sem saber que o Anhanduí é o único rio que passa por Campo Grande, o estudante Lucas Mendes, 14 anos, conta que dá um puxão de orelha quando vê algum amigo jogando lixo no local. As margens do rio foi escolhido pelo adolescente para encontrar os colegas, soltar pipa e brincar. “Moro no bairro desde que nasci e gosto muito desse lugar”, conta, acrescentando que apenas o mau cheiro da água incomoda, as vezes, segundo ele.

A atendente Vanderleia Santos, 27 anos, também, não imaginava que perto da casa dela passava um rio. “Não fazia ideia, pensava que fosse um córrego”, diz, cruzando de bicicleta a ponte para passar para o outro lado da via. No entanto, ela não deixa de afirmar, que se sente privilegiada por morar perto do rio.

Mesmo assim a natureza insiste em mostrar suas belezas. Mesmo assim a natureza insiste em mostrar suas belezas.
Além das tartarugas, também há vários peixes no rio. Além das tartarugas, também há vários peixes no rio.

Apesar de ser elogiado pela maioria das pessoas que moram no entorno, a situação do manancial é crítica, conforme o professor do curso de Engenharia Ambiental da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Teodorico Alves Sobrinho. Ele desenvolve pesquisa e ensino nas áreas de Conservação de Água e Solo, Recursos Hídricos e Engenharia de Sedimentos.

Há 4 anos, o rio Anhanduí ganhou o título do curso d'água mais poluído e populoso de Campo Grande. A situação foi constatada pelo projeto Córrego Limpo, realizado pela Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente). Além dessa situação, os moradores em alguns trechos da avenida Ernesto Geisel, também, sofrem com alagamentos em tempo de chuva.

Teodorico explica que a questão do alagamento está relacionado com a drenagem urbana, na maioria das situações, deficiente ou planejada de forma inadequada. “Nos bairros onde prevalecia a vegetação foi feito asfalto e impermeabilizações por construção de calçadas, telhados e outras infraestruturas próprias, o que reduz drasticamente a capacidade de infiltração de água”, diz. Quando chove muito, a água é canalizada para os corpos d'água, que não suportam e os rios e córregos acabam transbordando.

O professor entende que deve ser feito reordenamento da drenagem urbana, com estruturas para minimizar o volume de água que é drenado para os corpos de água.

A prefeitura tem planos para a região. Com verba do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a Prefeitura promete drenagem e contenção de enchentes com intervenções no rio Anhanduí e córrego Cabaças e Areias. O investimento total previsto é de R$ 71 milhões.

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