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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

24/07/2012 18:15

A dor da esposa que perdeu o marido no caminho de volta para casa

Elverson Cardozo
Lays Mariane ficou viúva aos 23 anos. Do lado direito, foto com o marido, no sexto mês de gestação. (Foto: Minamar Junior)Lays Mariane ficou viúva aos 23 anos. Do lado direito, foto com o marido, no sexto mês de gestação. (Foto: Minamar Junior)
“Agora se eu quiser estar perto dele tenho que ir ao cemitério”, afirma a jovem. (Foto: Minamar Junior)“Agora se eu quiser estar perto dele tenho que ir ao cemitério”, afirma a jovem. (Foto: Minamar Junior)

No dia dos namorados ela saiu sozinha pelas ruas de Campo Grande. Foi ao Fórum, IML (Instituto Médico Legal) e Cartório. Estava atrás da certidão de óbito do marido, que havia sido enterrado no primeiro dia de junho.

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Durante o trajeto, passou em um shopping e, mais uma vez, se lembrou do rapaz que conhecera anos antes, em 2009, dentro de um ônibus, quando ele ainda era cobrador.

Naquele dia não teve flores, mãos dadas, troca de carinhos, de olhares, juras de amor e muito menos a dança de salão dos clientes daquele shopping durante um concurso promovido para comemorar a data.

Naquele dia não teve nada. “Não estava o namorado, nem o marido, nem o pai do meu filho”, diz.

Quase dois meses após o acidente que tirou a vida do segurança David Del Vale Antunes, de 31 anos, Lays Mariane da Silva Oliveira não chora mais. Não na frente do filho. Foi a maneira que encontrou para preservar Victor Gabriel, de 1 ano e 2 meses, que ainda espera pelo pai, morto de forma violenta no dia 31 de maio de 2012.

Enquanto esperava o sinal abrir, no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua Arquiteto Rubens Gil de Camilo, David foi colhido por um carro. A moto que pilotava foi parar a quase 60 metros do ponto de colisão. O corpo dele foi lançado a uma distancia aproximada de 38 metros.

Era madrugada de quinta-feira. David tinha acabado de sair do serviço, o bar Miça, onde havia feito um “freela” como segurança. Lays o esperava, com o filho nos braços, no portão da casa dos avós, como sempre fazia.

Seria apenas mais uma noite rotineira, não fosse pelo atraso e a trágica notícia que chegou por volta das 5h30, antes mesmo do dia clarear: David Del Vale Antunes havia morrido.

Lays, o filho Victor Gabriel e o segurança David Del Valle. (Foto: Arquivo Pessoal)Lays, o filho Victor Gabriel e o segurança David Del Valle. (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a polícia, o motorista que atropelou o segurança, o acadêmico de direito Richard Ildivan Gomide Lima, de 21 anos, estava bêbado, trafegava em alta velocidade e fugiu do local do acidente.

“Agora se eu quiser estar perto dele tenho que ir ao cemitério”, declarou a viúva de 23 anos, que viu sua vida mudar da noite para o dia, literalmente. “Eu não tenho mais perspectiva de vida, não sei qual o meu futuro e o meu sonho”, declarou.

A medida que o tempo vai passado ela agora enxerga, nos pequenos detalhes, a falta que o marido faz. Os álbuns fotográficos são um dos alentos para os dias difíceis que tem passado.

O pequeno Victor Gabriel ainda não entende o que aconteceu, mas sente a ausência do pai. “Ele vê a foto, abraça, aperta, quase rasga”, disse. “Esses dias ele ouviu um barulho de moto, mas era meu tio e quanto ele tirou o capacete, a decepção: Não era o pai dele”, acrescenta.

Para Lays “a ficha ainda não caiu”. “Toda a noite que eu vou deitar parece que ele vai ligar”, comenta, ao explicar que, momentos antes do acidente, havia recebido uma ligação do marido dizendo que já estava voltando e que era para ela o esperar no portão.

Casamento de David e Lays, em 2010. (Foto: Arquivo Pessoal)Casamento de David e Lays, em 2010. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quase dois meses após a morte do segurança, Lays Mariane parece mais conformada, mas o olhar e os gestos denunciam a mulher fragilizada por trás do luto.

Embora não aceite a perda, Lays acredita em justiça. Há quase uma semana, afirmou, recebeu a visita do pai do estudante Richard Ildivan.

“Ele disse que não estava preparado para vir antes. E eu estava quando recebi a notícia, às 5h30, que meu marido estava morto e às 15h tive que me preparar para ir no cemitério?”, questiona.

Para a jovem, o que ameniza a situação é saber que o estudante que atropelou e matou David ainda está preso. “A primeira imagem é a que fica e a impressão que eu tenho dele é de um assassino”, declarou.

O futuro do filho Victor Gabriel ainda é incerto e os rumos da própria vida agora dependem dos outros. Lays está morando com os avós, no Jardim Noroeste. Como está desempregada, teve de abandonar a casa alugada que morava com Davi. O casal planejava construir a casa própria. “Era o sonho dele”, revelou. Eles estavam casados há 4 anos.




Perdi meu marido, minha irmã, sogra e cunhada em um acidente de trânsito.Sei o que vc esta sentindo..fiquei com 2 filhos,a dor é terrivel,mas não sabemos a força que temos até que a única alternativa seja ser forte. Não existe medicina no mundo que cure a dor de uma saudade.Mas seja forte,esta sementinha que esta ai depende de vc.
Que Deus lhe dê Serenidade,coragem e sabedoria.
 
myslene silva em 31/07/2012 06:23:05
Lays, no rio de janeiro já houve decisão favorável para a família de um ciclista morto, na área civil, ou seja, obtiveram danos morais, e pensão para o filho da vítima. Sei que dinheiro nenhum amenizará a dor e a saudade do David mas é uma forma de se obter 'justiça' sobre o irresponsável do motorista que o matou. Não desista nunca, siga em frente pelo seu filho e pela memória do seu marido
 
Paula Lutero em 26/07/2012 09:11:38
Isso é muito doloroso, a familia do rapaz no minimo tem que indeniza essa jovem e seu filho, o que não ira mudar a maneira dela pensar. por que palavras são bonitas, mas o sentimento da dor e da perca, continuara por muito tempo. Agora o rapaz tem receber os rigores da Lei. Uma pensão para mãe e filho, isso e fazer o minimo de justiça. A avenida Afonso Pena transformou e um local de morte
 
Katia Pereira em 25/07/2012 11:08:34
quando eu li a matéria eu simplismente .....chorei chorei mi deu uma dor no coração
sabe agente se coloca no lugar déla e do mininho camando pelo pai......ai não da pra aguentar.. eu tenho meu filho que me abraça todos os dias...me desculpe eu não consigo mais escrever. Deus por favor !!!! conforta nós?
 
Diogenes Rosa da silva em 25/07/2012 09:54:52
Gostaria de parabenizar o Elverson Cardozo pela sensibilidade, fluidez e clareza do texto. Há muito tempo não leio uma matéria de tragédia traduzida em um texto tão expressivo. Parabéns!
 
Euclides Fernandes em 25/07/2012 06:33:13
eu penso que essa moça , vai ganhar uma nova vida. e se ela deixar o pai do estudante chegar perto dela, que talvez vai ganhar um novo pai.
 
luiz fernandes em 25/07/2012 05:40:51
Que Nossa Senhora passe à frente e leve Contigo toda a sua dor.
Não há palavras para te confortar, só vc pode fazer isso, só vc pode amenizar o sofrimento da fml, e, principalmente, do seu bebê. Que o anjo da guarda do Victor o ilumine e o acolha de forma que ele possa sentir a presença do papai, que fisicamente não está mais aqui.
As crianças vêem o que nós adultos não conseguimos enxergar.
 
Fernanda Mendonça em 25/07/2012 04:05:29
É difícil dizer isto, mas não há palavras que conforte, infelizmente a gente não pode ter medo de enfrentar a vida, todos estamos sujeitos a situações como esta. Uma amiga minha perdeu o esposo e a duas filhas no transito, fiquei abalado....imagino ela...e você..só o tempo pode nos ajudar...bola pra frente; tem muita gente orando por você, vai dar tudo certo.
 
Andrey fontenello em 25/07/2012 01:51:32
Já perdi as contas de quantas vezes vi histórias de crimes cometidos aqui em Campo Grande por acadêmicos de direito. O que será que estão ensinado a esse garotos nas faculdades? Antes de se tornarem advogados já estão se familiarizando com a certeza de impunidade que reina em nosso país, notadamente aqui em nossa cidade, onde o sobrenome conta muito.
 
Ricardo Grião em 24/07/2012 10:39:55
Como ela disse oque conforta eque ele está preso e a justiça seja feita
 
Eva Ribeiro em 24/07/2012 08:34:35
Lays que triste.. que Deus cuide bem de vce e do Victor gabriel. Confie na justiça de Deus, essa não demora tanto.
 
Regina Correa de Souza em 24/07/2012 07:34:10
Infelizmente enquanto o que ocorre no transito continuar como infração e não crime as pessoas não terão conscientização de que a vida vale muito, nos pontos mais críticos da cidade infelizmente a PM não aborta, e a CF impede da pessoa produzir provar contra si mesmas, algo deve ser feito urgentemente, se os "playboys" de plantão não levam a vida a serio, eu e 80% ama a vida e a família! Só Deus!
 
Marcio Brunholi em 24/07/2012 06:52:05
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