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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

14/07/2012 14:10

A dor da família de Keverson, um menino que se foi aos 6 anos

Paula Maciulevicius
Edemara Urunaga, mãe de menino morto atropelado acorda todo dia de madrugada com o próprio choro e cena do filho e a bicicleta na cabeça. (Foto: Minamar Júnior)Edemara Urunaga, mãe de menino morto atropelado acorda todo dia de madrugada com o próprio choro e cena do filho e a bicicleta na cabeça. (Foto: Minamar Júnior)

Edemara Fernandes Urunaga, 30 anos. Mãos, rosto e um semblante de mulher sofrida. Calejada pela vida. É dona de casa, teve cinco filhos e viveu o desespero de perder o menino caçula em um acidente de trânsito logo no início do ano.

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As lágrimas escorrem. Comovem quem está à sua frente e criam, no momento em que se chega àquela casa, o sentimento de compaixão e de não saber o que fazer nem por onde começar. A vontade que dá é de abraçar Edemara e os quatro filhos.

Eles moram em uma travessa, que preferem chamar de corredor, no bairro Taquarussu, em Campo Grande. Uma menina está a caminho. Grávida de seis meses, a mãe não tem ideia de nomes ainda, nem faz questão de dar sequência a inicial “K”, primeira letra do nome da “escadinha” que tem em casa.

A família se sustenta com R$ 155. Valor repassado de um dos programas de assistência do Governo Estadual e carrega nas costas o peso de viver dia após dia sem a alegria de Keverson. A bicicleta do menino, que era o motivo de tanta alegria, hoje é tristeza para a mãe. A criança morreu aos 6 anos, atropelada por um caminhão de bebidas em janeiro deste ano, na rua Diadema esquina com a João Faustino, no bairro onde a família mora.

Na foto, a bicicleta vermelha de Keverson. “Essa que era dele, essa que eu murchei, nunca mais ninguém andou”. (Foto: Minamar Júnior)Na foto, a bicicleta vermelha de Keverson. “Essa que era dele, essa que eu murchei, nunca mais ninguém andou”. (Foto: Minamar Júnior)

“Foi no dia 11 de janeiro, uma quarta-feira, à uma da tarde. Eu estava na casa da minha mãe, quando meu irmão chegou e disse: Edemara o Dedê, o Dedê sofreu acidente. Eu saí correndo, pensei que ele estava caído no chão, com um braço e uma perna quebrada”. A descrição de Edemara é exata. Ela consegue precisar, mesmo na angústia de reviver uma dor que não passo, a esperança dos passos que correu aquele dia para dar socorro ao filho ou o último abraço.

“Eu vi meu filho cheio de sangue. Eu cheguei não tinha bombeiro, ninguém só a polícia, o meu filho e a bicicleta. Diz que o caminhão estava lá, mas eu não vi”, conta.

É impossível passar para o papel a dor que ela sentiu, sente e vai sentir pela morte do filho. Uma criança que via a rua como uma brincadeira, nunca como um perigo.

“Eu falava para ele andar apenas no corredor, ele tinha costume de pegar essa bicicleta vermelha e dar a volta no quarteirão. Eu tinha medo porque ali passava ônibus. Aí naquele dia, ele tinha acabado de almoçar, largou o prato, nem bebeu água e já desceu”.

Antes do acidente o menino havia saído de bicicleta para comprar um lápis. Pediu R$ 1 aos avós e depois voltou deixando o troco. No instinto de tentar impedir que o menino andasse de bicicleta, ela furou um dos pneus.

“Ele viu que o pneu estava murcho e eu disse que era porque ele estava andando na rua. Aí ele levou na bicicletaria do seo Cícero, mas voltou com ela de lado, dizendo que tinha furado mesmo e pediu para eu arrumar. Ele largou, pegou a da irmã e foi andar de novo, encheu o pneu e em vez de ele descer, ele foi... Não demorou muito e meu irmão já veio me falar...”

A entrevista é interrompida. Pelas lágrimas e pela filha caçula, de 4 anos, que vem tentar consolar a mãe.

“O que me mais me doeu é que quando ele nasceu o pai dele foi embora para Portugal. Ele ia fazer agora 7 anos e sempre perguntava, mãe cadê meu pai? Porque só os guris têm o nome do pai deles e eu não tenho pai? Eu falava que eu era o pai e a mãe de todos eles e agora eu acordo todo dia de madrugada chorando 2h da manhã e não consigo mais dormir”.

Mãe e a filha caçula. Com 4 anos, menina diz que o irmão é a estrelinha que brilha no céu. (Foto: Minamar Júnior)Mãe e a filha caçula. Com 4 anos, menina diz que o irmão é a estrelinha que brilha no céu. (Foto: Minamar Júnior)

Acidente - O garoto seguia pela rua Diadema em uma bicicleta pequena, atrás do caminhão que carregava bebidas. De acordo com testemunhas, no momento que o caminhão foi fazer a curva para entrar na rua João Faustino aconteceu o acidente. O que tudo indicou no dia, é que o garoto tentou fazer a curva junto com o veículo.

As vítimas do atropelamento e da morte de Keverson foram os irmãos, a mãe e os avós. Edemara conta que o filho de 9 anos, após passar cinco dias sem ir às aulas, retratou a cena que viu em um desenho.

“A professora pediu e ele desenhou o irmão caído, a ambulância do Samu e como se fosse uma bola de gibi, de pensamento na filha dizendo Keverson você sempre foi forte, mas dessa vez você ficou fraco. Até hoje quando vou deitar, faço oração com as crianças, mas ele não quer, ele fala que Deus é o pior cara que existe nesse mundo por ter levado o irmão dele. Eu tento explicar que não foi Deus que quis, ele que foi teimoso”.

Hoje, seis meses após o acidente, Edemara comprou com o dinheiro do Dpvat (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores Terrestres), a casinha onde mora. Ela se arrepia em passar pela rua que levou o filho e fala do trânsito com a propriedade, por ser uma mãe que perdeu uma criança para a violência.

“Não, nunca mais voltei lá. Às vezes eu ando, passo na rua Diadema, mas quando chega no cruzamento eu choro. Falaram que colocaram o dono do caminhão no camburão da polícia porque diz que a vizinhança queria linchar, mas eu achei errado. O motorista não teve culpa, ninguém ia querer matar uma criança, foi um acidente”.

Compartilhando da dor de perder um filho e esperar outro, Edemara quer que a filha nasça com saúde e consiga superar essa falta. “Ficou um vazio. As pessoas deviam tomar mais consciência, de que o trânsito não está só naquele carro, naquela moto. Não é justo uma pessoa que vem no mundo morrer de bobeira assim. Para mim é difícil, às vezes eu sento e choro, mas a minha caçula vem e fala para eu não chorar, que o Keverson está lá com papai do céu. Se é de dia ela diz que está dormindo porque a noite ele é a estrelinha que brilha no céu”.




QUANDO LI ESSA HISTORIA, NÃO PUDE CONTER MINHAS LÁGRIMAS, PEDIR A DEUS PARA ESTAR SEMPRE AO SEU LADO E GUARDAR VC E SEUS FILHINHOS, TENHO DUAS FILHAS UMA DE 17 E OUTRA DE 14, A DE 14 QDO TINHA 5 ANOS SOFREU UM ACIDENTE, MAIS GRAÇAS A DEUS SOBREVIVEU, MESMO PRECISANDO DE FICAR ALGUM TEMPO NO CTI, A DOR QUE VC SENTE É GRANDE PORÉM DEUS ESTÁ CUIDANDO DE SEU MENINO LÁ EM CIMA, VC É UMA MÂE FORTE,BJO.
 
ANA CRISTINA em 25/08/2012 07:51:11
Muito triste mesmo dona Noemia....não é essa a questão tratada acima, ao invés de julgar cale-se ou vá lá e ajude!!!
Muito me impressiona essa mãe, com tamanha perca, e ainda é consciente de que foi um acidente, às vezes pessoas de menos "instruções" é mais consciente que determinados que falam besteira sem pensar e ainda publicam.
Nada podemos fazer para amenizar essa dor, ao menos rezar.
 
Leticia Nogueira em 01/08/2012 07:28:37
Parem de julgar e respeitem o sofrimento das pessoas.
 
Nehemias Lili em 21/07/2012 02:27:00
o keverson, foi meu aluno no ano passado,menino esforçado, não importa se a mãe tem cinco filhos e está esperando mais um, a dor da da perda é a mesma caso ela tivesse um ou dois, só ela sabe o sofrimento que está passando,não cabe a nós a julgar...maezinha, que Deus conforte seu coração e guarde toda sua famila embaixo de suas asas...
 
queli laide teixeira em 17/07/2012 07:24:57
Não julgues!Se puder ajudar ajude; e fácil chegar aqui e deixar tudo na mão de Deus!O senhor precisa de sua mão aqui na terra pra agir,pois para julgar só cabe a ELE.
 
Rosa Marlene da Silva em 15/07/2012 09:41:05
REPRODUÇÃO DA MISÉRIA, NÃO PODEMOS SER IRRESPONSAVEIS E CONTINUAR TRAZENDO AO MUNDO INOCENTES Q PASSARÃO POR TANTAS NECESSIDADES....MUITO TRISTE A VIDA DESSAS CRIANÇAS....
 
NOEMIA FERNANDES em 15/07/2012 08:44:04
Mas será que essa mulher não pensa também, respeito a sua dor de perda de um filho que só ela pode dizer o que sente porém ter 5 filhos e grávida de mais 1 com uma renda de R$155,00 olha sinceramente me faz pensar que ela e seu companheiro são muito "sem noção" é uma barbaridade ter esse monte de filhos!
 
Fernando Araújo Palácio em 15/07/2012 04:03:41
Que o tempo seja um alento para amenizar a dor dessa mãe e dos irmãos....e que esse tempo acalme esse coração de mãe para abrigar os outros filhos que com certeza precisam desse amor e carinho de mãe.
 
Joel crispim de souza em 15/07/2012 04:02:49
Deus te ilumine! e que a lembrança de seu filho seja como a saudade que um dia voçê irá matar! voçê numca irá esquecer, mas um dia a dor vai amenizar, Deus te dê saúde para que crie seus outros filhos, e que os proteja para um dia eles possam cuidar de voçê como hoje voçê cuida deles!
 
sandra lima em 14/07/2012 09:08:46
QUE DEUS CONSOLE E DÊ ESPERANÇAS A ESSA MÃE, POIS A DOR DELA É INIMAGINÁVEL PARA QUEM NUNCA PERDEU UM FILHO, AINDA MAIS DESSA MANEIRA. QUE AS PESSOAS TENHAM MAIS CUIDADO NO TRANSITO, POIS UM CARRO E OU MOTO PODE SE TORNAR UMA ARMA QUANDO SÃO UTILIZADAS SEM O DEVIDO RESPEITO AOS OUTROS.
 
Marcia perreira em 14/07/2012 08:05:54
fiquei muito tristi com essa tragedia que aconteceu no dia eu vi na televisao partiu meu coraçao de tristesa nao conheço a familia mas desejo muita força e que deus de conforto ao coraçao dessa ma.
 
rosana nascimento pereira em 14/07/2012 08:01:08
É muito triste ...
 
Annelyse Lobo em 14/07/2012 07:43:45
FAMÍLIA, MINA DOS OLHOS DE DEUS, FAMÍLIA É FORMADA POR DEUS, CASAL UNIDOS EM DEUS E NÃO SEPARADOS, OU SE VIVER SÓ, NÃO FAÇA FILHOS, POIS É PESADO A CRUZ DE FORMAR FILHOS, E SE SEPARADOS MAIS AINDA, SE NÃO CASADO, QUE EVITE FILHOS, PÉTALA DIFÍCIL DE CUIDAR, FORMAR, E VIVER, E QUANDO O FILHO É MAL FORMADO, POR DESRESPEITO A LEI DE DEUS, AI VEM A MORTE DO PAI E DA MÃE, PENSE ANTES DE CASAR, FAZER FIL
 
pedro braga em 14/07/2012 05:31:44
Ninguém está livre de tragédias como esta mas cada um de nós pode colaborar para evitar acidentes: motoristas, pedestres, motoqueiros. A cada abuso, excesso, infração e desrespeito, nos tornamos um pouco responsaveis por muitos acidentes porque quem faz o trânsito somos todos nós. Parabens ao Campo Grande News pelas reportagens. Não há quem não pare para pensar um pouco...
 
Paulo Lemos em 14/07/2012 03:02:52
Não dá nem pra comentar.Só concordando com a mãe:"não é justo uma pessoa que vem no mundo morrer de bobeira assim".
 
angela maria silva em 14/07/2012 02:50:26
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