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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

11/01/2012 16:10

“A gente só aprende depois de ter acontecido”, diz vítima de acidente

Nadyenka Castro

Eder Tulio Pereira Bezerra, 21 anos, perdeu a perna esquerda e teve vários ferimentos pelo corpo. A família agradece a Deus e aos médicos à vida do rapaz. Agora, o que ficou foi a lição e gastos e mais gastos com remédios, assistência médica, cadeira de rodas, muletas

Eder Tulio teve a perna esquerda amputada e ficou com vários ferimentos pelo corpo após colisão entre a moto que pilotava e uma caminhonete. (Foto: Pedro Peralta)Eder Tulio teve a perna esquerda amputada e ficou com vários ferimentos pelo corpo após colisão entre a moto que pilotava e uma caminhonete. (Foto: Pedro Peralta)

Mais do que número sobre a violência do trânsito. Quem entra na estatística de acidentes se torna exemplo para aqueles que, apesar de ter informação, ainda precisam ‘ver para crer’ quando o assunto é a combinação álcool + direção.

Dirigir embriagado e outros desrespeitos às leis de trânsito podem resultar em acidentes graves, prisões e processos judiciais. Situações que acabam envolvendo não só vítimas e autores, mas também familiares e amigos.

Eder Tulio Pereira Bezerra, 21 anos, foi uma das vítimas da somatória de diversos erros. Para ele, o acidente serviu de exemplo para mudanças de atitudes. Para os pais, o que aconteceu com o filho mudou o pensamento, a visão, sobre cada informação referente ao trânsito e ao comportamento deles atrás de um volante ou de um guidão.

A lição e o acidente - “Eu também já andei depois de ter bebido. Agora, aprendi que isso não se deve fazer. A gente só aprende depois de ter acontecido”, desabafa o rapaz que teve a perna esquerda amputada, fraturas na direita e outros ferimentos pelo corpo que o fizeram ficar 38 dias no hospital e agora o mantém afastado do serviço e, 25 quilos mais magro, obrigado a ter atendimento de enfermagem diariamente, a tomar medicamentos e a desembolsar dinheiro para comprar tudo que é preciso.

A mudança na rotina do rapaz que trabalhava como assistente administrativo no Planurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano) da Prefeitura de Campo Grande começava por volta da 00h30min do dia 10 de novembro de 2011.

Conforme registro da Ciptran (Companhia Independente de Polícia de Trânsito), Eder conduzia sua Honda Twister pela avenida Afonso Pena no sentido Centro/bairro e logo após passar pelo cruzamento com a avenida Ernesto Geisel foi atingido pela caminhonete Bonanza dirigida pelo médico Valdir Shigueiros Siroma, 64 anos, que iria entrar na garagem de sua casa.

De acordo com registrado pela Ciptran, a caminhonete seguia no sentido bairro/Centro e fez uma conversão em local proibido. O condutor virou o veículo na contramão, em um ponto de retorno, e quando estava na faixa do meio do outro sentido da Afonso Pena, colidiu com a moto.

“Eu vi ele, mas achei que ele fosse parar, apesar de estar errado”, lembra Eder Tulio que ‘voou’ após a colisão. O jovem bateu no pára-brisa da Bonanza e caiu 32 metros depois. “Eu cheguei logo depois. Quando vi a moto pensei: meu filho não sobreviveu. E fui correndo até onde ele estava. Até lá só via pedaços dele”, conta Kelly Ribeiro Pereira, 39 anos.

Infrações - Além de estar na contramão, o condutor da caminhonete dirigia com 0,28 miligramas de álcool por litro de sangue, conforme exame de alcoolemia realizado pela Ciptran.

Já Eder Tulio não é habilitado para pilotar moto. “Eu tenho [carteira] de carro e estava tirando para moto. Agora, não vou poder mais andar de moto”.

Documento da Ciptran mostra a dinâmica do acidente. (Foto: Pedro Peralta)Documento da Ciptran mostra a dinâmica do acidente. (Foto: Pedro Peralta)

Consequência - O resultado do acidente é que o único filho de Kelly quase teve a perna amputada no local do acidente, mas, segundo ela, o bom atendimento do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e de profissionais da Santa Casa, evitou que o membro inferior fosse retirado nos primeiros momentos.

No entanto, para que Eder sobrevivesse a amputação foi necessária. “Eu cheguei lá para a visita e o médico disse ou você assina e autoriza [a amputação] ou você não sai daqui com seu filho vivo”, disse Wilson Bezerra de Lima, 51 anos, pai do rapaz.

Além disso, a família mobilizou amigos, parentes e conhecidos e conseguiu doações de 90 bolsas de sangue. Para os pais, o apoio de todos, Deus e o atendimento médico na Santa Casa foram essenciais à sobrevivência de Eder. “Ele só está vivo primeiro por Deus e depois pelo atendimento do doutor Hugo André”, agradece a mãe.

Depois dos 38 dias com o filho no hospital e tudo o que ele viveu lá dentro - cinco sessões de hemodiálise, 18 dias em coma induzido, cinco cirurgias, diversos curativos -, entre outras coisas - e assistindo ‘de camarote’ a luta de muitos acidentados e equipe médica, Kelly e Wilson afirmam que o pensamento deles sobre o trânsito mudou.

“Eu via aquele monte de coisa. Só sabe o que a gente passa quem já passou. Você não tem ideia do que é”, fala Kelly, que depois do acidente com o filho, passou a dirigir com mais cuidados e ainda não teve coragem de pilotar a sua motocicleta. “Eu sou apaixonada por moto. E ainda não consegui encostar na minha, não tive coragem”. O filho complementa. “Espero que não tenha”.

Wilson pede maior rigor na punição para quem desobedece às leis de trânsito. “É preciso legislação mais rígida”, defende.

Assistência- A família diz que Valdir prestou os primeiros socorros e ofereceu R$ 5 mil para os gastos. No entanto, Wilson e Kelly falam que os gastos são superiores e que Valdir, apesar de ser médico, não demonstrou interesse pelo estado de saúde de Eder.

A reportagem do Campo Grande News tentou entrar em contato com Valdir por telefone. Na primeira ligação ao celular dele ele atendeu e disse que estava em consulta e pediu para ligar posteriormente. Depois, não foi mais localizado.

Números - De acordo com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), em 2011, 124 pessoas morreram no trânsito de Campo Grande. Destes, 78 eram motociclistas, 18 ciclistas, 17 pedestres, cinco condutores de automóveis e seis passageiros.

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deus é muito bom sou amiga da familia trabalho com a mãe do eder, e sei o que ela passou não foi fácil doamos sangue rezamos muito graças as nossas preces ele esta vivo deus é maravilhoso !

que a justiça dos homens seja feita com esse médico irresponsável pois se a justiça não fazer tem um homem lá em cima que ira cobrar dele e ele não deixa passar pois o que aqui se faz aqui se paga .
 
micheli mara nikitenko rosa em 16/01/2012 12:46:28
Pois é, um médico dando esse exemplo! Deveria ter o CRM cassado pelo conselho de ética do órgão...
Agora, é isso que dá, não é? Condutores de moto não devem correr e nem andar sem habilitação, pois em casos como esse envolvendo um condutor alcoolizado, não haverá espaço para uma manobra defensiva.
Espero que o site continue mostrando cada vez mais as sequelas que um acidente de trânsito deixa.
 
Filipe Alberto em 12/01/2012 12:04:07
Forçaa ederr... mta Paz mta força
 
Fábio hasegawa em 12/01/2012 11:40:37
Não tem uma nova lei que diz na qual toda e qualquer pessoa que assume o risco de dirigir embriagado e colocar a em risco a vida do proximo deve assumir toda a responsabilidade inclusive financeira perante a Seguridade Social, Ou essa lei é so para enganar o povo Cade a OAB - os orgão competentes para fazer valer essa lei, esse médico é perito do INSS para ter condição privilegiada de impunidade?
 
jose carlos em 12/01/2012 11:19:12
E para as pessoas verem que a sta casa não é um bicho papão, ela presta assistencia sim na medida alem do possivel, esse medico que provocou essa barbarie deveria perder tudo crm cnh, o pior e que com certeza ele continua a vida dele normal enquanto esse rapaz ficou nessa situação, isso pq ele estava na preferencial dele, até quando isso vai, esses irresponsaveis deveriam perder o direito dedigir
 
silvia mota em 12/01/2012 11:00:40
Fico triste quando vejo um jovem nessa situação,é como se um passarinho sem uma das asas.Que sirva de lição pra todos motoqueiros que adoram custurar no transito.Entendam que a moto vc não tem segurança nenhuma.Cuide-se o maximo possivel pois no transito não se pode errar.Senhor Deus proteja todos os motoqueiros da nossa cidade,e continue com a sua mão estendida sobre cada vida.
 
alessandro dos santos em 12/01/2012 10:02:42
Eu tenho moto e procuro não andar mais, pois tenho medo do trânsito........tenho bastante experiência, pois trabalhei alguns anos nas ruas de campo grande, mas hoje estou tentando me desfazer dela. Desejo força Eder!
 
marcos godoy em 12/01/2012 09:56:46
andreia o seu comentario dis tudo porque enquanto nao hover respeito de um ser humano para o outro principalmente no transito vai haver muito acidente e morte no transito. e vc EDER q infelismente perdeu sua perna nao desanime vc nao perdeu a vida vc e jovem ainda quero um dia ver vc praticando algum esporte ai vc vai ver quantas pessoas nao tem as dus pernas mais e muito feliz abraços.
 
sebastiao vieira de arruda em 12/01/2012 09:35:45
Força Éder! Deus te abençoou com uma nova vida! Torçemos muito por vc! O pessoal do PLANURB fez muitas orações e todos os dias ficávamos na expectativa e com pensamento positivo, ligando e encaminhando e-mails aos amigos para doar sangue, enfim, fazendo o que podíamos para te ajudar. Sorte, saúde e paz! Abraços da Divisão de Estatística e Geo: Kelly, Elisângela, Fábio, Juares, Luciana e Luciano.
 
Kelly Cacemiro em 12/01/2012 09:16:03
Durante esse tempo teve muitas complicações, mais graças a Deus ele superou todas
foi muito bem cuidado pelas enfermeiras e médicos da Santa Casa,víamos todos os dias o cuidado e carinho por ele sempre limpo e cheiroso e sendo medicado regularmente,hoje ele tem superado seus limites,mais as marcas da tragédia estarão sempre presente.GENTE VAMOS FAZER UM TRANSITO MELHOR,NOS RESPEITANDO,ATENÇÃO!!!
 
ARLETE LIMA em 12/01/2012 09:14:33
Minha familia tambem viveu esse mesmo drama em agosto de 2011, qdo num acidente de moto na av tres barras meu tio vinha do seu trabalho numa rotatoria e uma camionete entrou, a pericia declarou erro total do condutor da camionete, meu tio teve a perna direita amputada na hora do acidente,ficou 38 dias no CTI da Santa Casa,e mudou a nossa rotina totalmente,todos os dias íamos para as visitas(cont)
 
ARLETE LIMA em 12/01/2012 09:08:23
Éder ficamos muito felizes por você estar vivo, torcemos muito pela sua recuperação. Certinho o que fez; mostrar aos outros o risco que corremos em nossa cidade. A estatística mostrou que andar de moto não é um bom negócio. Ou andem de carro ou de transporte público, se quiser viver.
 
Fábio Nogueira em 12/01/2012 09:00:23
O CONDUTOR DA CAMINHONETE ESTA LEVANDO A VIDA DELE NORMAL,PASSOU A RESSACA E VOLTOU A TRABALHAR COMO SE NADA ESTIVESSE ACONTECIDO.JÁ O CONDUTOR DA MOTO QUE ESTAVA PILOTANDO NORMALMENTE E NÃO HAVIA BEBIDO PERDEU A PERNA POR CONTA DE UMA IRRESPONDSABILIDADE DE UM BEBADO.ACHO QUE NOSSAS LEIS DEVERIÃO SER MAIS SEVERAS.O CARA BEBE FAZ CAGADAS NO TRANSITO E QUEM PERDE A VIDA E PARTES DO CORPO SOMOS NOS
 
RAFAEL LOPES em 12/01/2012 07:43:49
Vamos ser realista,pois temos que esperar que o acidente aconteça para que possamos tomar consciência do perigo e o que ocorre depois do acidente qum vai trazer a perna de volta dese rapaz.Também dizer de uma estatistica de que muitos por economia no combustivel sai da condução carro para condução de moto sem estar habilitado.Isso não justifica o acidente.22 anos no trânsito Eu não piloto moto.
 
luiz carlos em 11/01/2012 09:19:58
tambem ja fui vitima de acidente de moto por imprudência dos outro,graças a Deus nao figuei com sequelas, fui atendido na santa casa e muito bem atendido.
 
robert ribeiro em 11/01/2012 08:33:19
Interessante que era um MÉDICO que estava ALCOOLIZADO e ainda fez uma MANOBRA PROIBIDA. E o rapaz não tinha carteira de moto. Não é porque as pessoas são de classes ou grupos sociais diferentes que vão ter mais ou menos responsabilidade. Confiam em si mesmos pensando que já se conhecem a ponto de sempre arriscar achando que vão estar no seu dia de sorte. Nos enganamos muito facilmente.
 
Itamar Barbosa em 11/01/2012 07:48:30
Fui vitima de acidente de trânsito com motocicleta por conta da imprudência de outras pessoas. Perdi parte do movimento da perna direita já que fraturei o joelho. Enquanto não houver respeito de um ser humano para com o outro e a consciência de que devemos ser prudentes inclusive quando estivermos na nossa preferencial os acidentes continuarão acontecendo, e vidas continuarão sendo ceifadas.
 
Andreia Santos em 11/01/2012 07:10:13
Infelizmente, essa é uma realidade em Campo Grande, não podemos mais permitir que tantas vidas sejam abaladas, com acidentes de trânsito. Em todo o Brasil os acidentes tem diminuido depois da "lei seca" , a unica capital que isso não acontece é Campo Grande. Vamos esperar que o rapaz tenha assistência nesse momento. laventável...lamentável...
 
Juarez Goncalves em 11/01/2012 06:22:30
Legal ver como essa família reconhece o atendimento prestado pela Santa Casa e por seus colaboradores, normalmente só lemos críticas nem um pouco construtivas, mas as pessoas se esquecem da pressão que os trabalhadores daquele local enfrentam dia a dia, fazendo o impossível para salvar vidas muitas vezes ceifadas pela irresponsabilidade. Tomara que a saúde desse menino se restabeleça rapidamente.
 
Faby Ferraz em 11/01/2012 04:53:43
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