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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

19/07/2012 17:49

Era para ser um dia feliz, mas ficou marcado por uma dor que não passa

Elverson Cardozo
Anderson de Castilho dos Santos morreu no dia em que comemorava o aniversário de 20 anos. Jovem tinha deixado o quartel havia 2 meses. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)Anderson de Castilho dos Santos morreu no dia em que comemorava o aniversário de 20 anos. Jovem tinha deixado o quartel havia 2 meses. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O soldado da foto ao lado é Anderson de Castilho dos Santos. Morreu aos 20 anos, uma semana depois de ser atropelado por um carro, na madrugada em que comemorava o aniversário: 10 de maio de 2009. “Ele estava muito feliz, parecia que estava se despedindo da vida”.

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O relato, emocionado, é da mãe, a costureira Cleuza Aparecida dos Santos, de 48 anos, moradora do Jardim Montevidéu, em Campo Grande. Aquele domingo era Dia das Mães - que coincidentemente caiu no dia do aniversário do filho -, mas a data não teve comemoração.

Cleuza Aparecida não permitiu ser fotografada para essa reportagem, mas aceitou conversar com nossa equipe, mesmo que a volta ao passado remexesse uma ferida que ainda não cicatrizou.

Na madrugada daquele dia, na mesma casa onde mora até hoje, Anderson de Castilho completava duas décadas de vida. Estava reunido com amigos e acompanhado da namorada.

Uma das convidadas resolveu ir embora mais cedo e o soldado - que tinha deixado o quartel havia 2 meses - se prontificou a levar a jovem, de moto, até o bairro Aero Rancho.

O acidente- No caminho de volta para casa, na avenida Ceará, próximo ao viaduto da Afonso Pena, o acidente: Anderson Castilho, que conduzia uma Honda CG Fan 125, foi atropelado por um VW Fox, que tinha como motorista Marcos Martins Bortoncello, na época tinha 18 anos.

O motociclista sofreu traumatismo craniano e foi encaminhado, pelo Corpo de Bombeiros, à Santa Casa de Campo Grande em estado grave. O condutor do carro, segundo a família, deixou o local sem prestar socorro.

Quando soube do acidente, Cleuza Aparecida foi direto ao pronto socorro do hospital. “Ali não era meu filho. Ele não me reconhecia. O médico falou que ele tinha levado uma pancada muito forte, mas que com o tempo, como ele era jovem, iria melhorar”, disse.

Daí para frente, relatou, só sofrimento. Anderson de Castilho chegou a ser submetido a uma cirurgia na cabeça, mas faleceu uma semana depois, no dia 18 de maio, em decorrência de um traumatismo crânio-ecenfálico, como certifica o atestado de óbito. “Acabou todos os meus dias das mães”, contou a mulher, com lágrimas nos olhos.

Pai da vítima, José de Castilho, questiona atuação da justiça. (Foto: Simão Nogueira)Pai da vítima, José de Castilho, questiona atuação da justiça. (Foto: Simão Nogueira)

Fuga - O relatório da Ciptran (Companhia Independente de Policiamento de Trânsito) indica que o acidente aconteceu às 3h30 e resultou em “danos materiais nos veículos e uma vítima”.

“O V1 [carro] não consta no croqui porque foi retirada da via pelo seu condutor”, informa o documento. A moto, segundo o registro, saiu da via e foi parar a 18,36 metros do ponto de colisão.

Para o pai, a motocicleta foi escondida no meio do mato pelo próprio motorista, logo após o atropelamento. “Ou ela [a moto] atravessou uma cerca de arame?”, questiona. “Ele só voltou para ver se estava morto”, disse. “Quem chamou o Corpo de Bombeiros foi uma pessoa que passava lá perto”, completou.

Revolta - Mas o que mais revolta toda a família é saber que Anderson Castilho é “mais um” que entrou para as tristes estatísticas de acidentes de trânsito. O motorista que atropelou o rapaz está solto.

Na época do acidente, o MPE (Ministério Público Estadual) entrou no caso e impetrou uma ação contra o motorista Marcos Martins Bortoncello, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul o absolveu “por não existir prova suficiente para condenação” ao crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, atribuído pela defesa.

Irmão do soldado (à esquerda), Claudio dos Santos, diz que a situação é revoltante. (Foto: Simão Nogueira)Irmão do soldado (à esquerda), Claudio dos Santos, diz que a situação é revoltante. (Foto: Simão Nogueira)

“Diante do exposto, julgo improcedente a denúncia e, em consequência, absolvo Marcos Martins Bortoncelo, regularmente qualificado nos autos, da prática do crime previsto no artigo 302, parágrafo único, inciso III, da Lei n. 9.503/97, que lhe foi imputado, o que faço com fundamento no art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal”, diz trecho da decisão assinada pelo juiz Paulo Afonso de Oliveira.

“O atestado de óbito não é prova? O laudo da moto não é prova? O sangue do meu filho no asfalto não é prova?”, questiona o pai da vítima.

Irmão do soldado, o encarregado de pavimentação Claudio dos Santos, de 32 anos, não se conforma com a tragédia, nem com a impunidade. Claudio diz ter procurado, em 2009, a família do rapaz que atropelou o irmão, mas a resposta que ouviu da mãe do motorista o deixou ainda mais revoltado.

“A única coisa que ela falou era que acidentes acontecem e que ela estava com o prejuízo do carro dela e eu com o meu irmão hospitalizado”, declarou.




te amooo primo sinto muita sua falta
 
Denise maria dos santos em 24/07/2012 10:24:52
o meu primo sinto muita falta sua ,,, que deus esteja contigo !!!!
 
lucas borges em 21/07/2012 05:12:31
A resposta desta mulher dona do veiculo é revoltante mesmo. Sim, ela estava com avaria no carro, mas quem bate na tras de outro sempre é culpado. Se não gostar de prejuizo, deveria ter contratado seguro. Ou não ter deixado o Marcos dirigir. E a familia do jovem deve processa-los no civil, por danos materiais e imateriais. Pois embora não é comprovado algum crime, a culpa em si é comprovado sim.
 
Marcos da Silva em 20/07/2012 12:50:31
GENTE, FIQUEI REVOLTADA EM LER ESTA REPORTAGEM, E POR ISSO QUE CADA DIA QUE PASSA, TEM MORTES NO TRANSITO, PQ A JUSTIÇA É INVALIDA, SOU A FAVOR DA JUSTIÇA COM AS PROPRIAS MAOS, E ESPERO SEMPRE QUE ISSO NAO ACONTEÇA COMIGO, PQ COM CERTEZA EU IRIA PRESSA!!!!!!
 
JANE RODRIGUES em 20/07/2012 10:48:49
Que Deus esteja com vces cuidando dessa ferida.Nessa cidade nao tem justiça.Mas Deus ainda vai lembra essa senhora dessa palavra dela, sem duvida o castigo dela vai vim podendo ser bem mas triste q essa historia.Para ela saber q o carro dela nao vale nada, que o filho dela menos ainda.E q ela cmo ser humano é uma vergonha..Pode dexar nao maos de Deus q ele toma conta dela.
 
susan keyla mendes ferreira em 20/07/2012 09:53:24
Lamentável o comentário desta mãe, em dizer que que ela ficou com o prejuízo do carro, a vida pra ela não vale nada, de coração, espero que esta mãe nunca passe pela dor da perda de um filho. A justiça dos homens pode até falhar, mas a Deus é divina, tarda mas não falha.
Que Deus conforte o coração deste Pai, desta Mãe e irmãos. Deus os abençõe.
 
Sonia Ferreira Correa em 20/07/2012 09:53:22
direitos humanos só para bandido no brasil.
 
luzinete alves em 20/07/2012 09:47:02
nessa série de reportagens percebemos que em cada número dessa estatística existe uma história, um roteiro dramático da vida real. É lamentável que infelizmente não foi escrito por um roteirista e sim por pessoas sem respeito a vida, por gente que não teve no berço, a palavra para ensinar os valores. A maioria desses assassinos motorizados são jovens, filhos de pais permissivos e desinteressados
 
fabiano Pontes em 20/07/2012 09:28:07
Mas tem uma justiça que chega um dia, com certeza este rapaz que atropelou e matou o motociclista vai sentir com certeza as lagrimas a esta familia vaia chegar.......
 
Joao Mamede de Souza em 20/07/2012 06:46:12
E revoltante essa justiça brasileira! Verdadeiramente uma piada!!!!! Esse e mais quantos ficam impunes !! Olha aquele caso do ítalo Marcelo que o filho de um policial matou e deu em nada!! Piada mesmo essa justiça !
 
Paulo Viana em 19/07/2012 10:45:29
conheço esse Pai de Família, é um exemplo de ser humano, ele só esta querendo justiça
 
Valter Vieira Alves em 19/07/2012 10:11:40
Acho que esta na Hora de EDUCAR ESSE ELEMENTO!!!!
 
Valter Vieira Alves em 19/07/2012 09:53:33
Quando Uma pessoas se revolta e faz justiça com a própria mãos, a Mãe do vagabundo ainda maltratou o irmão da vítima, o vagabundo não procurou a vítima para dar assistencia, e ainda foi absolvido!!!!! será por que!!!!
 
Valter Vieira Alves em 19/07/2012 09:52:55
Sr José Castilho não tenho certeza, mas acho que seu filho pode ter o direito de uma indenização do Exército por ter dado baixa recente. Procure orientação de um Advogado, e que Deus conforte o seu coração e da sua família.
A justiça dos homens pode falhar, mas a justiça de Deus jamais deixará de existir.

DIREÇÃO DEFENSIVA SEMPRE!!!
 
Luciano Silgueiros em 19/07/2012 07:31:03
Isso é falta de compaixão pelo proxima, duvido se alguem atropelasse o filho ela ia dizer que tinha um prezuijo no carro enquanto o rapaz estava morrendo no hospistal graças a irresponsabilidade do filho dela a justiça dos homens falha, mas a Deus nunca falha ela pode demorar mas pode ter certeza que vem a se vem.
 
Silvia Mota em 19/07/2012 07:24:27
Quando uma pessoa fica revoltada e faz justiça com as proprias mãos, ai sim o judiciário manda ele pra prisão.
 
Valdir Viganó em 19/07/2012 06:14:29
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