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05/02/2012 10:08

Ubiratã, a madeira dura

Por José Tibiriçá Martins Ferreira (*)

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Até hoje não sei quem deu o nome de Ubiratan ao time de futebol de Dourados, denominado Ubiratan Esporte Clube. Em tupi-guarani significa madeira dura, talvez um nome idealizado para ser duro contra seus adversários. Assim ele foi por muito tempo em épocas do futebol amador, vice-campeão do estado por várias vezes, pois não conseguia ser campeão pois existia o Marítimo de Ladário-Corumbá que sempre foi forte, tendo ali muitos jogadores pertencentes à Marinha, oriundos da cidade do Rio de Janeiro.

Está sendo noticiado que no domingo este time tradicional de Dourados completará 65 anos de existência e obteve muitas glórias na época do amadorismo. Tornou-se profissional, ganhou vários títulos também, mas aos poucos surgiram as dívidas e consequentemente muitos problemas. É lamentável que seu patrimônio construído com a ajuda de colaboradores, amantes do esporte, desportistas foi delapidado pelos maus administradores que por ali passaram.

Quando no Brasil se explorava o bingo, aqui ele serviu de fachada para muita gente ganhar dinheiro, nunca foi recolhido o que se arrecadava e o fisco não perdoou e confiscou parte de seu patrimônio. Não se sabe o que foi feito com os títulos dos sócios proprietários e contribuintes, dos quais fui um. Devido a isso a maioria o abandonou.

Naquela época existia o futebol arte, a rivalidade entre os leoninos e os obreiros que lotavam o Estádio Napoleão Francisco de Souza. A empolgação foi tanta que construíram um estádio para o Ubiratã, houve promessa de trazer o Santos Futebol Clube que estava no auge na década de 60 para inaugurá-lo. Um título de cidadão douradense foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Dourados, que seria entregue ao Sr. Edson do Nascimento, conhecido como Pelé. Não sei de quem foi a propositura, o tempo passou, muita coisa aconteceu e parte do patrimônio do clube perdeu-se. O título de cidadão que seria entregue talvez esteja prescrito. Hoje o time praticamente vive de saudosismo, uma vila com o seu nome surgiu ao lado e ao lado do campo de futebol existe um salão de eventos onde nos finais de semana, principalmente nas domingueiras a baileira toma conta.

O Leão da Fronteira como era chamado foi muito forte na década de 1960, mas aos poucos caiu em decadência, parte do seu patrimônio hoje pertence à União, a terceiros, onde estão instaladas várias lojas, uma delas vende produtos oriundos de Portugal.

O rival do pau forte, o Operário está um pouco pior, o seu ginásio coberto foi destruído, parte de sua estrutura roubada e o terreno também confiscado pelo INSS e anos atrás servia de lugar para os mendigos dormirem. Teve péssimos administradores também e seu pequeno patrimônio diluiu com o tempo.

A LEDA – liga esportiva douradense onde acontecem as peladas dos times amadores ainda está em pé, apesar das dificuldades, não se sabe se tem dívidas ou pode fazê-las. Não li o seu estatuto, mas um dirigente de um time amador me contou que os times amadores para participarem dos campeonatos devem estar filiados a ela. Não sei quantos times são filiados hoje, mas imagino que poderia tornar-se muito forte, se tivesse muitos participantes.

Para ela crescer dependerá de recursos, honestidade de seus dirigentes e boa vontade para administrá-la, ela está num local privilegiado. Então o que está faltando para o esporte de Dourados crescer, são pessoas sérias na sua direção, pois o povo gosta do esporte e sempre está esperançoso no amanhã.

Falando em seriedade, temos na Picadinha, o Santo Antonio Futebol Clube, que ajudei a organizar no começo sua papelada, sendo a parte da área do campo suíço doada por nossa família. A escritura da sede do Santo Antonio Futebol Clube foi lavrada no Cartório de Paz de Picadinha na década de 80 por meu pai, na época Cartorário do Distrito e sua escritura deve estar no acervo do clube.

O time vai bem, o clube vai bem porque as pessoas que o dirigem são honestas, idealistas e trabalhadoras, em razão disso no domingo próximo vão realizar o 32º Torneio, onde estarão participando times deste município, de fora e até do Paraguai.

(*)José Tibiriçá Martins Ferreira, advogado e produtor rural na Picadinha.

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Parabéns pela reportagem, eu como um apaixonado pela engenharia e arquitetura, fico triste quando viajo e vejo construções do passado sendo depredadas, locais tomado pelo mato e todo pichado, sou mineiro e já morei em Dourados e sempre passava em frente ao Ubiratã, como sou um entusiasta do futebol tinha a mesma sensação descrita no texto. Pena que ainda não acordamos para um país melhorar.
 
Luiz Fernando dos Reis em 05/02/2012 12:06:51
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