A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

20/03/2014 11:15

A nau da insensatez

Por Reinaldo Azambuja (*)

Há os fatos e as suas versões. No momento, infelizmente, a cassação de Alcides Bernal estimula o oportunismo da difusão das versões equivocadas. Faz parte. Uma delas é de que a sua eleição, por esmagadora maioria dos votos, foi fruto de uma ardilosa construção das oposições ao PMDB com a finalidade de conquista do poder a qualquer preço, sem se preocupar com as consequências futuras de seus atos. Nada mais errado.

O processo democrático tem um dinamismo que não pode ser controlado pelos seus agentes políticos. O povo decide com base em suas percepções, sem se ater àquilo que prega ou promete lideranças e candidatos. Ninguém manda no voto de ninguém. Quem imagina que o eleitor não sabe e não vê o que está acontecendo, depois diz-se “surpreso” com o resultado das urnas. Depois que tudo acontece, é fácil ser oráculo dos fatos consumados.

A eleição de Alcides Bernal não foi o resultado de nenhuma engenharia política produzida nos laboratórios de marqueteiros nem fruto de mágica fantasiosa. Na verdade, filtrando a história daquele processo, percebemos que o próprio PMDB produziu as condições para a sua ruína. Se a gestão municipal fosse realmente aprovada por todos – como se faziam crer na ocasião – certamente o eleitor teria optado pela continuidade.

O PMDB tinha a faca e o queijo nas mãos. Tinha os governos estadual e municipal. Tinha o maior número de vereadores. Tinha o maior tempo de televisão. Tinha mais recursos. Enfim: era o Golias lutando contra pequenos Davis. Mesmo assim, foi derrotado por mais de 60% dos eleitores.

Por que isso aconteceu? Simplesmente porque o PMDB entrou naquela fase que em política se chama “fadiga de material”. E isso não aconteceu por acaso. Foi o resultado de mais de 20 anos de prepotência e autoritarismo. Foi resultado do descaso absoluto com a transparência. Foi fruto do encastelamento no poder, de desmandos e de escolhas equivocadas de prioridades nos investimentos.

Esses foram os elementos que fermentaram a eleição de Alcides Bernal. Tanto que, como ele mesmo afirmou pela imprensa inúmeras vezes, “ganhou sozinho a prefeitura”. Só esqueceu-se de dizer que contou com valiosa ajuda do partido que estava no poder.

Esses são os fatos. Como também são fatos que o ex-prefeito optou por uma administração exclusivista, sem ouvir as lideranças políticas que o apoiaram com a perspectiva de promoverem a mudança almejada pelos eleitores campo-grandenses. Logo nos primeiros meses de sua gestão, o PSDB deixou claro que não compactuava com o modelo proposto, algo inclusive fartamente registrado na mídia de nosso Estado.

Nosso compromisso era e sempre será com a execução de propostas que fortalecem a sintonia entre a sociedade e a prefeitura. Rejeitamos o modelo que impõe pacotes à população sem antes ouvi-la. Quem ouve mais, erra menos. Temos a convicção de que essa é a maneira correta de demostrar respeito aos cidadãos.

Queremos discutir sob essas mesmas bases a gestão do novo prefeito Gilmar Olarte. Os erros cometidos no passado serão julgados pela sociedade no momento correto.

Vamos entrar agora em nova fase. Que a história nos sirva de lição para que possamos aprender com ela, sem ranço nem ressentimento. O que não devemos aceitar é a distorção dos fatos pela imposição de versões mentirosas.

(*) Reinaldo Azambuja é deputado federal pelo PSDB de Mato Grosso do Sul.

Nelsinho: o principal cabo eleitoral de Bernal, por Vander Loubet
Em artigo publicado hoje, intitulado "Os engenheiros da nau de Bernal", o ex-prefeito de Campo Grande e atual secretário de Estado de Articulação de ...
Os engenheiros da nau de Bernal
Não há o que se comemorar quando as instituições democráticas se obrigam a lançar mão do último e extremo recurso capaz de estancar o grave processo ...
O dilema das prisões brasileiras
No último mês de janeiro assistimos, estarrecidos, às rebeliões nos presídios de Manaus, Boa Vista e Natal. As cenas de corpos sem cabeças chocaram a...
Desglobalização seletiva
Para muitos analistas, a desglobalização significa a tendência das nações se fecharem para o comércio internacional. Neste movimento estão incluídos ...



Parabéns, dep. Reinaldo pelo conteúdo esclarecedor e, que sem dúvida alguma, revela as vísceras de uma situação que todos os eleitores daqui da capital viveram; é bom só lembrar que a mesma arrogância e prepotência que fecundou um Bernal politicamente, ainda sobrevive, agora em duas esferas de governo, ou acha que houve alguma mudança de verdade do agora com a situação de ante/eleição de 2012? está presente e reluta em aceitar que, sem calçar as sandálias da humildade - que demagógicamente pregam - já profetizaram o seu triste fim e se aproxima, de maneira avassaladora, com as eleições de outubro deste ano. Esperar prá ver.
 
anderson roque martinez dos santos em 20/03/2014 12:33:05
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions