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10/05/2014 16:54

Água: escassez, economia e riqueza

Por Edenis César de Oliveira e Naiara Trajano dos Santos (*)

O histórico de disputa pelo acesso à água remonta aos primórdios da vida em sociedade. Nos dias de hoje, em que pesam os avanços da ciência e tecnologia, o recurso continua sendo altamente estratégico para as nações, incluindo os mais diversos atores interessados. Além disso, a água possui simbolismos ligados a divindades abarcando significados dos mais variados entre nações.

No caso do Brasil, por exemplo, apesar de possuir uma grande quantidade de água doce, ela se encontra em sua maior totalidade nas regiões menos povoadas, ao passo que, em muitos estados (como Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, e parte do norte de Minas Gerais, área conhecida como Polígono da Seca), ela é escassa, sobretudo pela falta de chuvas regulares.

Mais precisamente em regiões como a Amazônia, a Bacia do Tocantins-Araguaia, a Bacia hidrográfica do Paraná, o Rio São Francisco, que liga o Sudeste, o Centro-Oeste e o Nordeste, atravessando cinco estados brasileiros como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, cuja bacia alcança também Goiás e o Distrito Federal, a água doce é encontrada em maior quantidade, o que não significa, necessariamente, que possua qualidade de uso, ou seja, água doce nem sempre é potável.

A água é um recurso que possui valor econômico estratégico. O estado do Paraná, no âmbito nacional, ocupa o primeiro lugar em produção hidrelétrica do país. Nessa região, estão localizadas as usinas de Itaipu, Furnas, Porto Primavera e Marimbondo, banhada pelos seguintes rios: Grande, Iguaçu, Paranaíba, Tietê, Paranapanema e Paraná – o segundo rio em extensão da América do Sul.

Há uma crescente preocupação por parte de empresas e governo quanto ao risco que a falta de água pode trazer para os setores de energia, produção de bens materiais e de consumo, sobretudo o suprimento mais básico e fundamental da vida: a dessedentação humana e animal. É, portanto, um dos problemas mais imediatos da atualidade.

Percebe-se que as empresas ainda encontram dificuldades que impedem um efetivo processo de gestão da água, pois de acordo com o levantamento do Relatório Global de Água de 2013, 97% de grandes empresas globais necessitam de metas para a gestão de recursos hídricos. A redução do consumo desse precioso bem é uma medida reativa, não menos importante; contudo, faz-se necessário investir num efetivo planejamento integrado de longo prazo que contemple os aspectos da quantidade e qualidade desse recurso. O Brasil dispõe de um aparato legal (legislação específica) que garante a base para que esse processo seja aplicado. Então, o que falta? Vontade política? Maior rigor na aplicação da lei?

A pressão que a escassez da água exerce sobre as empresas é muito forte, uma vez que representa impacto direto nos seus negócios. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, 70% das empresas afirmam que a água apresenta risco substancial para os seus negócios, sendo que metade já experimentou impactos negativos em seus negócios nos últimos cinco anos.

Os riscos mais temidos pelas empresas, no curto prazo (cinco anos, mais ou menos) diz respeito à própria escassez, seguido por enchentes e aumento dos custos de conformidade, além do declínio da qualidade da água e consequente elevação do seu preço, considerando, ainda, os danos à sua reputação.

Agrava este quadro o fato de que, entre 1900 e 2000 a população cresceu 3,6 vezes (de 1,65 bilhões para 6 bilhões de pessoas), tendo como consequência o aumento do consumo de água – cerca de dez vezes mais.

Porém, deve-se lembrar de que todos dependem desse bem; trata-se de uma questão que está para além da produção de bens e serviços, abarca a própria vida no e do planeta. O problema e a responsabilidade são de todos.
Por fim, pode-se dizer que as pequenas ações continuam tendo importante valor, a saber: o combate ao desperdício (uso doméstico, industrial e agropecuário); o lixo descartado corretamente; o governo investindo em infraestrutura como saneamento básico, incluindo captação e tratamento de esgoto, além da ampliação da oferta da água encanada.

A conscientização de todos os envolvidos pode ser considerada uma etapa fundamental para o início de reversão desse caminho que, pelo que se mostra, tende a levar ao caos.

(*) Edenis César de Oliveira: Professor do curso de Administração das Faculdades Gammon de Paraguaçu Paulista (SP). E-mail: edeniscesar@hotmail.com

(*) Naiara Trajano dos Santos: Acadêmica do curso de Direito da UFMS – Câmpus de Três Lagoas (MS). E-mail: e.naiaratrajano@gmail.com

 

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