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13/07/2012 10:07

Até o apagar das luzes

Por João Bosco Leal (*)

Ainda com poucos anos de vida já somos capazes de nos apaixonar por outra criança, mesmo quando a vemos pela primeira vez em uma praça ou clube, onde os adultos nos levaram e encontraram conhecidos com filhos da nossa idade.

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Independentemente de já o serem ou não, todas as pessoas certamente seriam muito mais felizes, se pudessem estar sempre apaixonadas, pois as paixões são o tempero da vida dos jovens e daqueles maduros que possuem prazer em.

Bem mais frequentes na juventude, uma fase em que a atração física é muito mais importante que detalhes como amizade, companheirismo e cumplicidade, só valorizados na maturidade, elas também podem ocorrer em outros períodos da vida.

Nos jovens provocam alegria, desejos e brilho nos olhos, fazem vibrar, fazer planos, ficar ansiosos, sentir arrepios e mostram detalhes, da vida e do outro, que antes sequer eram imaginados.

Nos mais velhos, remoçam, elevam a autoestima, causam admiração por alguma particularidade e mexem com todos aqueles sentimentos que já estavam adormecidos, mas que sempre desejaram reviver.

Em determinadas ocasiões, algumas paixões podem se transformar em algo bem maior e sublime, o amor, que apesar de muitos acharem que o conhecem, poucos chegam a realmente conhecer apesar de, como palavra, ser muito utilizada e bastante banalizada nos relacionamentos atuais.

Ele ocorre quando, sem esperar, passamos a querer alguém sem um motivo definido, uma explicação lógica, e sem levar em consideração a atração física, cor da pele, peso, idade, estatura ou bens materiais.

Sentimos desejos incontroláveis de telefonar para a pessoa amada simplesmente para ouvir sua voz, de lhe enviar mensagens carinhosas e frequentemente presenteá-la com coisas simples, sem nenhuma importância ou valor material, mas que a faça perceber que foi lembrada e que, por estar tentando fazê-la se sentir amada e feliz, você faz questão de que ela saiba disso.

É o sentimento mais profundo que uma pessoa pode sentir por alguém, o que mais se aproxima daquele que é sentido pelos pais em relação ao filho que acabou de nascer, e normalmente não é conhecido pelos mais jovens, que quando apaixonados, pensam estar amando.

Só bem mais tarde, quando já sabemos mais sobre o que realmente importa na vida, é que temos maior chance de realmente amar alguém.

Nessa fase já não procuramos as pessoas olhando para detalhes materiais, mas buscando alguém para ser nossa amiga, cúmplice, que esteja disposta a nos acompanhar em todas as ocasiões.

Alguém que estará do seu lado nos momentos de tristeza ou alegrias, com quem sentirá prazeres, pescará, assistirá filmes e peças teatrais, discutirá sobre educação de filhos ou enteados e que tenha a certeza de que sempre retribuiremos da mesma maneira.

A pessoa com quem planejará e realizará viagens, compartilhará desejos, sonhos e ambições, conversará sobre todos os temas e ao lado de quem gostaria de estar todos os dias, do despertar ao adormecer.

Só amamos de verdade, quando encontramos a pessoa ao lado de quem gostaríamos de estar até o apagar das luzes.

João Bosco Leal www.joaoboscoleal.com.br

(*) João Bosco Leal é jornalista, escritor e produtor rural.

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