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06/10/2015 14:57

Desafios da agricultura tropical

Por Ana Amélia Lemos (*)

O Brasil assumiu ante a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) o compromisso global de contribuir para alimentar a população mundial, que deve chegar a 9 bilhões em 2050. O desafio é enorme. É preciso continuar a investir em tecnologia para aumentar cada vez mais a produtividade no campo e nosso potencial de inovação. Sem o binômio tecnologia-inovação, o país não terá como ser o celeiro do mundo, mantendo a eficácia do agronegócio, que responde por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e, ao mesmo tempo, preservar as florestas.

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Os desafios não param por aí. Há que se qualificar os agricultores para que sejam cada vez mais proativos, num dos maiores exemplos de sucesso do Brasil: o agronegócio. Aqui surgiram métodos considerados referência global em inovação, como o plantio de grãos diretamente na palha, criado na década de 1970. Também surgiram iniciativas de integrar a lavoura à pecuária e de plantar até três safras em uma mesma área. Criou-se o termo agricultura tropical, expressão que sintetiza as dificuldades de manter padrão de qualidade e eficácia em clima predominantemente quente e úmido. Nenhum país grande produtor de alimentos enfrenta realidade semelhante no campo. Some-se a isso os renitentes problemas de infraestrutura e logística.

Não obstante, a agropecuária brasileira vem superando tais desafios com a vantagem competitiva apoiada em ciência e tecnologia. Não é novidade que nossa balança comercial tem no agronegócio o seu principal porto seguro. Se há anos, na pauta de exportações, estão dezenas de produtos do campo — do café ao açúcar; do frango à carne bovina, suína e aos pescados — que alcançam as agroindústrias, gôndolas dos supermercados e mesas do mundo inteiro; nos tempos recentes, a soja se destaca como principal item, tornando o Brasil o segundo maior produtor e o primeiro exportador mundial do grão. De janeiro a agosto deste ano, o complexo soja representou 13,8% de todas as exportações brasileiras. Para se ter uma ideia do que isso significa, o segundo produto da pauta, o minério de ferro, representa 7,4% do total exportado pelo Brasil em 2015. Em crises, como a que vivemos neste momento, tal desempenho é decisivo para o equilíbrio das contas externas.

Porém, o “Brazil não conhece o Brasil”, como diz a música que nos encantou na voz de Elis Regina. A realidade é desconhecida da maioria dos moradores das cidades — quase 85% da população. Essa é seara onde as discussões são pautadas muito mais pela visão de mundo de grupos de formadores de opinião, distantes das vicissitudes das lavouras, do que por fatos, pesquisas e ciência. Dessa forma, o Dia da Alimentação, comemorado mundialmente pela FAO em 16 de outubro, constitui boa oportunidade para incluir, na pauta nacional, questão estratégica: a necessidade de alimentar a nossa população e de contribuir para alimentar o planeta.

Para celebrar a data, no Brasil, a FAO lançou o Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, que propõe traçar, por meio de palestras e estudos, os cenários para o Brasil enfrentar melhor o desafio de alimentar. A iniciativa envolve a parceria de setores da sociedade civil; organizações não governamentais; do agronegócio — como a Associação Nacional de Defensivos Vegetais (Andef) e a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) — da academia e da pesquisa agropecuária, como a Embrapa, instituição que está na base do nosso sucesso no campo.

Neste ano, o Fórum realiza a sétima edição com um motivo especial a comemorar: a FAO completa 70 anos de existência. Por isso, justifica-se o fato de que, na edição deste ano, o Fórum será celebrado, pela primeira vez, em Brasília, em sessão solene no Senado Federal, em 13 de outubro. Ao trazer o tema para o coração do poder no país, esperamos chamar a atenção para a importância do campo e seu papel no desenvolvimento virtuoso, na geração de ganhos tecnológicos, mas sobretudo em relevantes avanços sociais e econômicos. Como presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e senadora de um estado agrícola, o Rio Grande do Sul, convido os brasileiros a assumirem seus postos nesse desafio e a entenderem como — mesmo em tempos de desesperança e crises — o campo é o caminho no qual cada um de nós deve acreditar e se orgulhar.

(*) Ana Amélia Lemos, senadora (PP/RS) e presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal

 

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